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domingo, 26 de junho de 2011

25/06/2011

Este foi o momento alto do dia, apesar de ter passado o dia inteiro em passeio por Viseu, Lamego e pela Régua.

O Elijah mostrou-me parte da surpresa que tinha preparada para mim.

Chorei. Estava fantástica.

Obrigado!!

E relembrarei sempre aquelas palavras...

Agora espero pelo resto, ansiosamente!! x)

24/06/2011 [Noite]

[Deu muito que falar, por isso o post é mais comprido...]

Sinto-me tão mal... Acho que estou a entrar num estado repentino de depressão... Sinto um vazio dentro de mim, preenchido por uma batalha silenciosa constante... Não me sinto bem comigo mesmo... Acho que estou à beira de desabafar desesperadamente o que sinto aos meus pais... Estou a deixar-me ir abaixo... Tenho medo... Só quero tirar este peso de cima de mim, fazer desaparecer estas lágrimas que me escorrem - quentes e dilacerantes - pela cara abaixo. O que despoletou isto? Uma pequena discussão em que a minha mãe, após eu dizer que não queria ir às festas de S. João, me dizer: "Vais, nem que seja só 5 minutos, para o teu avô M., não dizer nada e não discutir com ninguém! Assim dás-lhe razão para vir discutir comigo, anda, só para ele ver que vais...!" E eu pensei: "O quê? Ir só para manter as aparências?! Manter as aparências... Sinto uma raiva profunda disso! Tenho de o fazer todos os incontáveis e dolorosos dias do ano! Da minha vida! Estou faro de manter as aparências, de não ser eu próprio!".

E para melhorar, o meu pai tentou usar o argumento infalível dele: "De certeza que não queres vir? Estão lá umas garinas mesmo giras...". Quando ele disse aquilo, quase me desfiz em lágrimas à sua frente, com vontade de gritar: "Não percebes que eu gosto de rapazes?! Pára de dizer essas m*****!!"

Agora, enquanto escrevo, derramo as lágrimas que não ousei derramar à sua frente...

E quero tanto aconchegar-me a alguém... Mas a única pessoa que me vem à cabeça é ele...

[Mais tarde]
Falei com ele... A tal "primeira pessoa que me veio à cabeça". Já me sinto melhor... Conseguiu fazer-me rir x)

Agora pareço uma criança, sentado à mesa, segurando o pacote do leite com chocolate com ambas as mãos, bebendo lentamente pela palhinha enquanto a mordisco...

Quando recordo a discussão, vêm-me as lágrimas ao canto dos olhos. Mas graças a ele, tenho palavras para recordar nesses momentos que me fazem sentir melhor.

Obrigado, Elijah, por seres tão bom amigo, tão compreensivo e por te importares tão pouco de me aturar xP

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Crónicas de uma Saída.

Foi engraçado, ir com o A. e com o J.T. ao Fórum. Andámos por lá, fomos ver A Ressaca Parte II. O filme é idêntico ao primeiro, mas mantém a sua piada.

O J.T. anda com uns problemas com a namorada. Pelos vistos ela está prestes a cair no engano de um tipo que não tem jeito nenhum, e não dá ouvidos ao que o J.T. diz. E, ainda por cima, diz que ele é muito ciumento. Sim, ele é uma pessoa ciumenta, mas não é por tudo e por nada, porque quando tem ciúmes, tem com razão, digo por experiência própria. Mas enfim...

São dramas destes que às vezes penso duas vezes antes de desejar estar apaixonado. Lembro-me de ter dito a uma pessoa que "não deves fechar-te completamente ao amor, podes estar a escapar a oportunidade de seres feliz". Não sei se a pessoa a quem disse isso ainda se lembra de eu ter dito tal coisa... De qualquer das formas... Acho que agora compreendo o que é, querer fechar-me completamente ao amor. Acho que magoaria muito mais gente se me apaixonasse por alguém...

Já estou a divagar... Deve ser do cansaço? Hoje acordei bem, mas estou com a sensação esquisita... Sabem aquela sensação que sentem quando ouvem um fado? Aquela saudade inexplicável, que não sabem bem porque lá está, mas que vos faz querer continuar a ouvir a música até ao fim, pensar no que têm e no que gostariam de ter? Acho que é isso que sinto... Tenho de escrever qualquer coisa animada...

(Acho que o que preciso mesmo é ir comer umas colherinhas de mel... xP)

Cheers! =D
Ontem, depois do jantar, fui a casa do Padrinho. Ele faz anos no primeiro dia de verão! (Odeio o novo acordo Ortográfico... Tive de reescrever a palavra "Verão"... --')

Foi engraçado, diga-se de passagem (Apesar de ter estado boa parte do tempo a trocar sms, mas ora, isso também deu o ar de sua graça à situação :P). Assim que perdi num jogo contra o Primo D., seis anos mais novo que eu, desisti daquilo. Fiquei-me por observá-los a jogar... A reaprender, pois parece que, numa qualquer altura da minha vida, fiquei velho demais para conseguir jogar alguma coisa de jeito... Quando saímos de lá ainda fomos às compras (e o pai e a mãe quiseram à força toda que eu largasse o telemóvel [que era o da mãe...]). Quando cheguei a casa, ainda tive tempo de reparar o bom humor de uma pessoa ;)

Hoje acordei com muita coisa na cabeça...

Primeiro, acordei com vontade de trocar carícias com alguém. (Resultado das imagens que o Elijah me mostrou de "rapazes" [Leia-se tipos todos bons] em momentos de tirar o folgo e de fazer dizer "So cute :3"). Lá tive que me resumir a enrolar-me um pouco mais nos lençóis e a apartar a almofada nas minhas mãos.

Depois, recordei-me de algo que aconteceu no dia de ontem. Já se tinham passado quase dois meses. Dois meses, desde a última vez que por ali estive. E o meu pai passou com o carro mesmo lá ao lado. Fomos ao Vasco da Gama fazer compras, que ficava perto da casa do Padrinho e da Tia I.. Passei por sítios que me trouxeram recordações. Passei por aquelas escadas onde se deu aquele primeiro contato... Lembras-te, K.? x) Na altura tive um bocadinho de receio de despertar certos sentimentos... Mas quando olhei para aquele sítio, senti, não uma melancolia, como seria de esperar, mas uma nostalgia - Aquele sentimento que temos, quando recordamos algo e sentimos saudades desses bons tempos. E que bons tempos foram!

E depois de ter lembrado isso, não com lágrimas nos olhos, mas um largo sorriso genuíno na cara, sentei-me na cama. A minha mente divagou, e lembrei-me daquela canção que cantaria aos meus filhos. Aquela canção cuja letra só eu sei (para além de mais uma pessoa... ;P), e cuja melodia apenas eu conheço. Fiquei com vontade de fazer mais qualquer coisa do género.

Finalmente, fiquei assustado com um pensamento meu. Qual foi esse pensamento? "Conta hoje aos teus pais aquilo que até agora não tiveste coragem de contar". A verdade é que sempre quis contar-lhes, mas os medos das consequências levavam a melhor. Desta vez, fiquei foi assustado com o facto de estar a perder o medo dessas consequências... Estranho? Eu explico. Sem o medo das consequências, posso fazer algo de que me arrependa, e ser apanhado de surpresa com isso porque não pensara nas consequências... Mas algo dentro de mim me faz perder esse medo de lhes contar. Algo dentro de mim que cresce a cada hora que passa quer simplesmente contar-lhes. E isto adveio de uma pergunta que o meu próprio Padrinho me fez, sem se aperceber da forma como me deixou. Estava eu a falar por sms com a Bia e com o Elijah, quando o Padrinho se aproximou. "Então, andas a namorar?!". O coração caiu-me do peito e desviei o olhar do ecrã, desligando-o apressado (e estupidamente) porque estava exatamente aberto numa mensagem que o Elijah tinha mandado sobre o meu "medo de magoar alguém" [Talvez explique isto melhor, um dia, mas pronto...]. O Padrinho era a primeira pessoa que me tinha perguntado aquilo sem ser naquela forma, a que eu chamo a "Pergunta Terrível": "Tens namorada?". Estava com um bocadinho de esperanças... E respondi com a verdade: "Não, não namoro, tio! haha." Ao que ele responde: "Oh, então? Já está na altura certa!". Na minha mente ecoavam outras palavra "Já está na altura certa de lhe contar". Mas estávamos no meio da sala, rodeados de gente... Acabei por desistir. Se foi obra do acaso ele não ter referido a palavra "namorada" ou "menina", não sei, mas sei que me parece uma opção um pouco mais viável.

Odeio quando tenho estes sentimentos contraditório:
  • Gostava de amar e ser amado, mas tenho medo de magoar quem amo;
  • Gostava de seguir aquele meu sonho, mas tenho medo do desconhecido;
  • Gostava de contar aos meus pais, mas tenho medo das consequências, e quando tal não acontece, tenho medo de não as temer...
Enfim...

Cheers! :)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Exame e um pouco mais

Ontem, era suposto ir para a cama cedo. Estava a pensar em ir deitar-me às onze, para estar fresquinho para o exame de Biologia e Geologia.

As onze passaram sem eu dar por ela, de agradável que estava a conversa. Até que ele perguntou: "Já te queres ir deitar...? (Sem segundas intenções!!)". Olhei para o relógio, enquanto me ria daquela frase que, por incrível que pareça, não teria segundo significado para mim se ele não tivesse posto aqueles parêntesis. Nop, não me queria ir deitar... Queria continuar a falar com ele. Porquê?

Porque ele é a única pessoa a quem contei um dos meus sonhos mais bem guardados. Talvez por ele ter um idêntico? Não sei. Sinto que nele posso confiar como confiaria num amigo de longa data. Porquê? Por uma simples razão - Porque ele escreve.

Lembro-me perfeitamente! Eu tinha o meu blogue pessoal, e ia lá escrevendo o que sentia. A dada altura até a família sabia do blogue e já não me sentia tão à vontade para me abrir sobre o assunto. Aquele assunto que me começava a atormentar. Passei por aquela fase. Aquela fase em que me nego a mim mesmo, que me detesto a mim mesmo por ser algo que nunca quereria ser. Lembro-me que o Miguel, na altura também ele com o seu blogue, e já sabendo da minha situação, comentou que sabia de uns quantos blogues de pessoas que haviam passado pelo mesmo... Mas houve um que me cativou, inspirou... Não sei. Talvez tenha sido o fundo branco. Aquele fundo branco, com um título pintado a negro, que transmitia luz. Era para mim como que a luz ao fundo do túnel. E cada texto dele, cada palavra que ele escrevia, me fazia ver que o facto de eu ser gay, só era mau se eu e a sociedade fizéssemos disso algo mau. E por enquanto, não estava nas minhas mãos mudar o que a sociedade pensa, mas era livre de decidir o que eu penso. Não, ele não foi o único que me ajudou nesses momentos, mas foi, como eu digo, a luz ao fundo do túnel que me guiou até algo melhor. Se não tivesse sido por ele, não teria criado este blogue, falado do que falei, conhecido aquela pessoa especial que aqui responde pelo nome de K., descoberto coisas e pessoas novas como o fiz.

E isso já o tinha feito subir imenso na minha consideração. É um amigo raro de se encontrar, e uma amizade que gostaria de preservar ;)

Quando eu esperava que ele já havia feito tudo o que podia fazer para me ajudar, heis que me tenta convencer a perseguir esse sonho! E quase me consegue convencer. O que ele diz, deixa-me a pulga atrás da orelha, com a vontade realmente de perseguir esse caminho! Mas... Há sempre um "Mas" em tudo nesta vida... Não me sinto capaz de lutar. Nunca fui. Ele, por outro lado, já trava batalhas neste campo há imenso tempo! Não consigo evitar ficar orgulhoso quando digo que ele vai conseguir, e que terá sempre o meu apoio incondicional. Posso não ser um bom Guerreiro de espada em riste, mas sou um bom Mago, com os seus feitiços que beneficiam os aliados. O meu apoio gosto de dar a quem confio.

E não, não me queria ir deitar! Queria saborear um pouco mais daquela doce sensação de orgulho nele e esperança em mim... E quando dei por ela, era quase uma e meia e eu ainda ali estava na conversa! Acabei por ser eu a dizer que o melhor era continuarmos a conversa hoje.

E hoje? Acordei, oh! se acordei, uma máquina de guerra!! Ao som de Sweet Child of Mine do despertador do meu pai, corria pela casa cantando a letra que mal conheço, mas rockando sempre com uma guitarra imaginária em frente ao espelho, sacudindo o meu cabelo que, para variar!, estava apresentável. E porque fiz eu isso? Ora, porque me sentia bem?! Haha! Lembras-te, Elijah, daquele impulso de auto-estima!? Pois, hoje sinto-me assim ;P A caminho do escola para o exame, dancei pela rua fora ao som de Loser Like Me e Forget You. Quando cheguei a casa, a preparar o almoço, na cozinha eu e o meu irmão, sem nada que o previsse, desatámos em dueto a cantar It's My Life do Bon Jovi. E claro, lembrei-me de um convite que uma outra pessoa me fez para cantar um dueto... Quem sabe, talvez? xP

Quanto ao exame? Correu-me bem.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Para um 200º Post...

Disse o Fernando Pessoa:
"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."

Bom, consigo relacionar-me com isso... x)

Falando em Inconstante?

Pois.... Hoje acordei com bom humor... Uma vontade terrível de saltar pela casa a gritar aos céus, sei lá, um Eye of the Tiger ou Another One Bites The Dust. Dados os acontecimentos dos dois últimos dias, acho que a ordem cronológica do meu organismo me está a pregar partidas. Ontem tinha muito mais razões para acordar de bom humor do que hoje!

Mas enfim... Tomei a decisão de não me preocupar demasiado com certas coisas até elas acontecerem. Claro, isso não inclui os exames. Quando penso que amanhã tenho um, dou em doido... Mas enfim.

Digam adeus! ao James depressivo! Não quero voltar aquele buraco escuro. Não vale a pena para ninguém... E o pai já me carregou o meu telemóvel, o que significa que já vou poder falar com uma quantidade desmesurável de gente sem ter de sair da secretária de trabalho. (Tenho uma para o computador e outra na outra ponta do quarto, virada de costas para a vil máquina... É uma forma fácil de não haver tentações... No entanto, acabo sempre a fazer os trabalhos em frente ao computador...)

Falando em razões para estar feliz... Tive um série de sonhos muito estúpidos, que incluíam a série Glee onde também entrava a minha stôra de Educação Física e o meu colega do lado, o Gui. Depois sonhei com morar na rua, e depois numa casa pequena cheia de tralha onde, vá-se lá saber porquê, o telefone fixo servia de antena da TV... E depois, depois sonhei com algo que... Bom, não fez sentido, ou até fez... Sim, pensando bem no que aconteceu, fez sentido. Foi um sonho um bocado explícito que quero guardar para mim devido aos intervenientes, mas pronto...

Enfim, o que importa é que não estou com paciência para me tornar alguém tristonho, como era quando comecei a escrever o Blogue. Eu agora sinto-me bem com a minha orientação sexual, já não olho para ela como uma espécie de maldição, apesar de ter certas limitações na facilidade com que falo nisso e a quem falo nisso; até agora todos os amigos a quem tenho contado têm aceite muito bem; e tenho pessoas na minha vida realmente preocupadas com a forma como me sinto. Que mais posso pedir? Não ter cometido os erros que cometi. Mas a única coisa que tenho a fazer é seguir em frente, aprender com eles, compensar o mal que fiz. Afinal de contas, errar é mesmo parte da natureza humana e eu também sou humano, também tenho direito à minha quota-parte de erros a cometer. Mas uma coisa é certa - andar a desesperar pelos cantos da casa não é solução para resolver os problemas.

Agora que tenho sms grátis de novo, o primeiro nome que me aparece na lista é o dele... Tenho de lhe contar... Enfim, veremos como corre... Provavelmente o melhor é contar amanhã? Não sei. Já estou como o outro "Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje...". Neste caso é mesmo o que devo fazer hoje...

domingo, 19 de junho de 2011

Cabeça minha que pensas demais, Cabeça minha que não pensaste o suficiente na altura certa...

Retumbante na escuridão dos meus pensamentos encontra-se sempre aquele sentimento. É frio, desconfortável. Um ser que se agiganta para lá das linhas do meu medo, atravessa-me o peito e incapacita-me. Antes ria, mas agora mal consigo fazer um sorriso que não seja melancólico. Antes cantava, mas até as notas me falham na voz já fraca e gasta. Antes desenhava, mas o caderno e o lápis caem-me no chão, tentando escapar dos meus traços escuros e rudes. Antes escrevia, mas agora as letras ficam sem significado. Antes lia, mas as palavras tornam-se disformes e fogem-me dos olhos sem que as consiga interpretar a não ser como adagas que me perfuram o peito, zombando de mim. Zombado daquilo que eu queria e já não tenho, daquilo que finjo ser a melhor opção. Mas eu sei que não é a melhor opção. Para ser franco, não é de todo uma opção. É algo com que me conformo. No entanto, agora, cada fibra dos meus músculos, cada célula do meu corpo, combatem contra mim.

É como um mau presságio que se difunde subtilmente pelas bocas das pessoas, assim é este sentimento que me consome por dentro. Semanas de tentativas frustradas de deitar para o lado os pensamentos caem agora sob os meus ombros. Sinto neles o peso de todos os erros que cometi, magoas que causarei.

Olho para aquela janela de computador com a sua fotografia. Na minha mente cruza-se a imagem da sua face retorcida de dor, raiva, desespero...

O que é feito de mim, que me deixei levar para aquele sítio de que sempre me quis manter longe?

Eu sempre dissera a mim mesmo que não me poderia aproveitar dele. Uma coisa, seria algo sem compromissos, completamente despido de sentimentos líricos. Outra coisa é quando existem sentimentos desses nutridos por uma das partes, e eu continuo em frente.

"Talvez, talvez se a relação for séria, seja melhor. Assim ele fica contente, e eu tenho o que tenho vontade de ter, sem precisar de me preocupar com o poder estar a usá-lo."

Foi isto que disse a mim mesmo. Acreditas!? Eu! uma pessoa que sempre tentou fazer o que está correto, num momento flagrante de estupidez aguda, acabou por ir pelo caminho que magoará o próximo, apenas porque não me queria sentir culpado quando estivesse com ele como nunca antes tinha estado com outro rapaz! E agora?! Agora, monkeyboy, agora tens de arcar com as culpas de teres mentido, de teres magoado!

E que sentimento é este que já não dava a face a conhecer à muito tempo? Desapontamento. Estou completamente desapontado comigo próprio. Merecia que uma multidão me chamasse toda uma gama de nomes execráveis e humilhantes. Fiz o que eu sempre pensei que nunca faria. E o que me sobre agora? Uma panóplia de incapacidades motoras.

Estou a definhar. Dramático? Talvez até esteja a ser um pouco. Mas como seria suposto sentir-me se fiz algo contra o que sempre lutei - mentir a alguém que não merecia?

Tenho exame de Biologia e Geologia esta terça-feira. Provavelmente cruzar-me-ei com ele na escola. Quanto mais depressa der o golpe de misericórdia, mais tempo ele terá para sarar... Ou para me odiar. Mas eu mereço isso, e muito pior...

Aquela caneca...

Às vezes há coisas que me fazem sentir tão bem, e no entanto são tão irrelevantes à primeira vista...

Agora mesmo, com fome para lanchar, mas sem vontade de comer, fui preparar uma caneca de leite com cacau. Fi-la como sempre faço. Peguei numa caneca, pus duas colheres e meia de açúcar, duas e meia de cacau, um pouco de leite e misturei até fazer uma pasta, com a consistência e o sabor de mousse de chocolate. Quando finalmente cheguei à textura desejada, enchi a caneca e misturei. É como que um ritual de preparação que sigo mais ou menos religiosamente, dependendo do tempo que tenho disponível. Sentei-me ao computador, e bebi o leite. A frescura acariciou-me o estômago, deixando-me com uma sensação confortável de satisfação. Foi então que olhei para a caneca e me apercebi qual era. Azul por dentro, amarela por fora, com uma cara sorridente com um nariz e palhaço vermelho, um par de mãos e pés desenhados cumprimentaram-me jovialmente. Era aquela caneca. A caneca que já não usava há anos. Aquela caneca onde eu, quando novo, bebia todas as manhãs o meu leite com chocolate. Era aquela cara sorridente que me cumprimentava no acordar de todos os dias, animando-me para mais um dia de escola, com a companhia dos meus amigos. Era aquela caneca que, na altura, tinha de pegar com as duas mãos em volta dela, pois ainda não tinha habilidade nem força para a segurar pela asa. Na altura, uma das mãos que a segurava passava por dentro da asa, sentido o conforto do leite quente na palma e o contraste da porcelana fria no outro lado da mão. Hoje, já só consigo, a muito custo, pôr três dedos dentro daquele espaço. E já consigo segurá-la apenas pela asa. Acabei o leite. E fiz como eu fazia quando era novo. Peguei nela e espreitei lá para dentro. Sentia o aroma deixado pelo leite achocolatado misturado com a porcelana, numa esperança vã de que o líquido saboroso não tivesse ainda acabado definitivamente. E depois levava-a para o lava-loiça, para ser lavada, pronta a usar no dia a seguir. Mas hoje, ela não vai já para o lava-loiça... Hoje vou arrastar a companhia que ela me faz... Merece que eu lhe dê esse pequeno tributo, para compensar os anos que ficámos sem estarmos em contato.

Um Soco no Estômago...

Foi o que senti hoje...

Acho que as coisas me caíram em cima. Talvez seja só um dia mau? Espero que sim.

Senti um soco no estômago.

Porque tive saudades de algo que tive em tempos, mas que já não tenho.

Porque sei que há coisas na minha vida que não são exatamente o que eu quero.

Porque sei que há coisas na minha vida que são exatamente o que quero, mas que me assusta que as queira.

...

Passaram vinte minutos desde que acabei de escrever a frase acima. Desde então tenho apagado e rescrito o texto.

As palavras já não me saem como eu quero. Que é feito de mim?! Será que perdi a última coisa sobre a qual tinha controlo? Até mesmo as palavras se revoltam contra mim, já não chegava o meu próprio ser revoltar-se contra o que fiz, por saber que o que fiz torna errado o que quero realmente fazer?!

E o que quero eu?! Tenho medo de não saber o que quero. Mas sei. Eu sei bem o que quero. Sei perfeitamente. Mas nem sempre o que quero está de acordo com o que é correto, com o que é bom para mim, com o que não me vai magoar. Tentei agradar a um, pensado que me agradaria a mim. Mas as coisas não foram assim. Porque a tentar agradar a essa pessoa, senti-me deslocado. Senti que as pessoas à minha volta não concordavam com aquilo. E sei que vou sair magoado desta situação. Ou pelo menos um de nós vai. E se for essa pessoa, a culpa vai dominar-me, como sempre fez. Nunca tive problemas em ir contra os preconceitos da ociedade. Mas nunca me senti bem em ir contra os conselhos dos que me são mais próximos.

E porque raios neste mundo o que eu quero é sempre o impossível? Porque raios neste mundo o que eu quero é sempre aquilo que sei que é impossível de ter? E porque raios neste mundo o que eu quero vai sempre contra os ideais da sociedade?

Será que neste mundo há lugar para mim?

Será que eu serei capaz de emendar os meus erros?

Ou será que me vou acobardar e viver para sempre com eles?

...

Não quero... Por um lado, não quero viver com os meus erros para sempre. Por outro, não tenho a coragem de os emendar.

Porque é que tinha de ser agora? Porque é que tinha de me sentir assim tão deslocado neste momento? Porque é que tinha de me sentir tão perdido, sem saber como, ou o que fazer, sem ter nada por garantido? Ou por só ter garantido que vou magoar-me, quer emende os erros, quer não...

Mas será que tenho o direito de emendar os meus erros, sem olhar a quem magoo com isso?
Mas será que tenho o direito de manter os meus erros, sem olhar ao que me deixa neste estado?

...

Estou a desabar. O meu mundo - a escrita -, até mesmo o meu mundo se está a virar contra mim! Aquelas a quem eu chamava minhas súbditas, por expressarem o que eu queria expressar, mesmo que não fosse o que eu sentia, estão  revoltadas. As palavras já não querem expressar exatamente o que sinto... Será que é porque o que sinto é confuso? Irracional?

Nunca fui muito à bola com pessoas inconstantes, que parecia que não sabiam o que queriam.
Agora, não vão muito à bola comigo mesmo, porque me sinto inconstante, apesar de saber o que quero.
E agora sinto compaixão por essas pessoas inconstantes.
Só estando nesta situação é que se consegue compreender o quão avassalador isto se pode tornar.
E arrependo-me de ter sido duro com amigos meus que passaram por isto.
O que eles queriam era o meu apoio e os meus conselhos, não o meu julgamento. Para serem julgados, já lhes bastava a eles próprios...

E sinto um soco no estômago. Uma vontade de desaparecer. Este mundo é cruel para mim.

Pergunto-me que mal fiz eu para merecer isto?

Estúpido. É óbvio que sei o que fiz mal para merecer isto. E isso corrói-me. Porque não estou a ter mais do que o que mereço.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Agora as amigas dele querem ver-nos a beijar xD Enfim, em que raio de mundo me vim eu enfiar...?

domingo, 12 de junho de 2011

Repentino Pensamento Que me Surgiu ao Relembrar

Como é meu habito, fui para a sala e mudei o canal para o Discovery Channel. Estava a dar How it's Made (O Segredo das Coisas, em português). Nesse programa, iriam mostrar como se faziam, entre outras coisas, canetas. Não daquelas esferográficas descartáveis da Bic, mas canetas a sério, com o seu reservatório de tinta que pode ser cheio quando se gasta, com uma ponta aguçada de metal que faz efeitos icónicos no papel... Enfim, uma caneta das que sempre sonhei ter. Comentei isso com o pai, que assistia ao programa comigo. Ele prometeu-me que, quando recebesse o ordenado, me comprava uma caneta dessas.

Relembrar este episódio deu-me uma vontade imensa de pegar numa caneta esferográfica, e escrever no papel. Sim, eu escrevo imenso no computador. Mas deu-me vontade de escrever no papel. Deu-me vontade de voltar às minhas origens da escrita...

Foi esse pensamento repentino que me surgiu.

Voltar às origens

Relembrei como eu era antes, e no que sou agora. Sempre fui uma pessoa muito ponderada, cautelosa, reservada. Embalado pela melancolia dos desamores e das mágoas pelos outros causadas, sempre fui assim, uma sombra despercebida aos olhos de muitos, mas que estava sempre disposta a ajuda o mais próximo. A dada altura, e sinto-o agora, tornei-me algo... impulsivo? O próprio Miguel comentou: "A nossa relação é tão impulsiva... Mas eu gosto". E eu também. Adoro o sabor que me fica nos lábios ao deixar-me levar por aqueles impulsos do corpo, aqueles desejos que tocam o meramente carnal mas que não deixam de ser sentidos pela alma. Nunca eu me senti tão bem em deixar-me levar pela corrente, para onde quer que ela me leve, quem quer que seja que arraste comigo. Houve um qualquer ponto de viragem na minha vida que me fez querer aproveitar todos os segundos dessa chama que não se apaga, dessa labareda que me acaricia o âmago sempre que penso nele e que estou com ele, aquele calor do seu corpo contra a minha pele nua que me faz querê-lo irracionalmente.

Em que criatura me tornei? Em algo que o meu "eu" antigo desprezava, não, que o meu antigo eu temia. Mas apenas tinha medo do desconhecido. Foi aquele primeiro toque, aquele par de mãos nos meus ombros, aquele beijo sedento no pescoço, que me fez mudar completamente, que fez vir ao de cima o que eu sempre aprisionara nos recônditos mais profundos do meu ser, da minha essência. Na luta para ser perfeito aos olhos dos outros, esqueci-me de ser aquilo para que fui feito ser: Humano. O humano não procura infindavelmente não cometer erro algum. O humano comete erros, para aprender com eles e/ou cometê-los de novo. É a natureza humana, é a natureza do meu ser.

Cheguei à conclusão de que não me tornei uma criatura. Apenas me permiti a mim mesmo ser quem sou realmente, sentir o que sempre ansiei secretamente sentir. Aquilo que eu considerava o pecado contra mim mesmo. Mas o ser humano é assim, um ser pecaminoso, que busca pelo perdão em ícones, estátuas, seres invisíveis omnipotentes e omnipresentes, ou não o busca de todo e se resume a aceitar a sua natureza inevitável.

Naquele dia, ele estava com o seu corpo junto ao meu, olhou para a parede, para o crucifixo que lá tenho pendurado e comentou: "Oh, estamos a ser observados". Se há realmente um par de olhos a observar-me do alto, então, não deve estar neste momento a olhar com orgulho para mim, talvez com reprovação.

Mas eu sinto-me bem quando perco o controlo. Que mais posso fazer, senão aproveitar esse agri-doce sentimento que tanto me faz sentir vivo, o sentimento que eu sempre procurei e que, ao mesmo tempo, nunca me permiti a mim mesmo encontrar nessa prisão que tinha formado nas minhas profundezas?

E agora volto às origens, e começo a escrever também no papel. Mas só na escrita é que volto às origens. A evolução pela qual passei é irreversível.

Felizmente que é...

domingo, 5 de junho de 2011

I thought...

Eu pensei... Pensei que conseguiria. Mas não. As coisas mudam. Imenso. Outrora havia coisas que eu nunca fiz, nem nunca pensei que fosse capaz de fazer. Mas hoje... Já não me sinto bem sem lutar... Já não me consigo conformar com as barreiras que a vida me traz. Tentei fazê-lo. Mas com poderei fazê-lo? A cabeça diz-me "tens de o fazer, conforma-te como sempre fizeste.". Mas como posso eu negar-me a lutar, quando o meu coração, o meu instinto, tudo, até mesmo a minha vozinha britânica interior do Jack Whitehall me diz "C'mon, monkeyboy, you can't just leave things like that!". Não quero ser de novo aquele rapaz racional, compreensivo e acanhado que aceita tudo! Não o vou fazer quando desta vez é a minha felicidade que está em jogo. 

The scars of your love remind me of us
They keep me thinking that we almost had it all
The scars of your love they leave me breathless
I can't help feeling
We could have had it all
Rolling in the deep
You had my heart inside of your hand
And you played it
To the beat

Rolling in the deep ; Adele.

É esta música que não me sai da cabeça. E quando uma música não me sai da cabeça, não consigo evitar pensar nela, porque quando isso acontece, é porque reflete o que sinto. As cicatrizes do teu amor recordam-me de nós, fazem-me pensar que quase tivemos tudo. Deixam-me sem folgo, e não consigo evitar pensar que poderíamos ter tudo. E se poderíamos ter tudo, porque não podemos dar oportunidade a que isso aconteça? Nem sempre a vida me foi justa, mas desta vez não vou ficar de braços cruzados, enquanto vejo a minha felicidade escoar-me por entre os dedos... Por entre os meus dedos que anseio por voltar a sentir os teus novamente entrelaçados neles.

Eu sei como é arrepender-me para toda a vida de uma decisão má que tenha feito. E sei que me arrependeria se me deixasse simplesmente reclinar na cadeira e deixar as lágrimas rolar pela minha face, tentando esquecer... Mas eu não consigo, nem quero, esquecer.

E já lá vai um tempo que eu me levanto a meio da noite para ligar o computador e tentar resolver as coisas. Já lá vai um tempo em que tive forças para lutar por algo. Já lá vai um tempo desde que tenho a certeza de que quero algo com todas as minhas forças, com toda a minha alma.

E agora outra parte de uma música me veio à cabeça
Do you wanna surrender, or fight for victory? [Vox Populi; 30 Seconds to Mars]
Não, não me quero render. Quero lutar pela vitória.

Se realmente mereço ser feliz, só o quero ser com uma pessoa.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Bullying

É um assunto que tem vindo imenso à baila. Quantas vezes não soube eu que algum adolescente se suicidou por causa disto?

A mim marca-me, porque já fui gozado durante algum tempo... Quando eu andava na primária, tinha as chamadas "orelhas de abano" gigantescas. Literalmente, quase mais de metade da minha cabeça era orelhas. Enfim... Era de tal maneira ridículo que a minha alcunha era, nada mais, nada menos do que Dumbo. Eu até achava o pequeno elefante fofinho... Mas pronto. Claro, eu sentia, mas não ligava ao que os "insultos" me faziam sentir. Lembro-me perfeitamente de um dia, tinha eu os meus sete/oito anos, uma rapariguinha decidiou meter-se comigo. "olha, olha", dizia ela, "Porque tens as orelhas tão grandes.?". Num lapso momentâneo de genialidade, inspiração e auto-defesa, respondi prontamente, sem refletir: "É para te ouvir melhor, minha netinha!". Ela olhou para mim espantada e eu dei meia volta, rindo-me da situação. Esse pequeno episódio ajudou-me a seguir em frente. Hoje, a cabeça cresceu e as orelhas mantiveram o seu tamanho. O que outrora parecia XXL, agora tem tamanho normal. É tudo relativo... Enfim.

Mas entristece-me, saber que alguém está a fazer sofrer tanto outra pessoa. Dá-me vontade de gritar a todos os Bulliers para se enfiarem num buraco de nunca mais de lá saírem. A falta de poder para fazer tal coisa, apenas me resta oferecer a minha ajuda a quem quer que necessite dela. Já conheci pessoas que pensaram em suicídio, conheço inclusive uma que chegou a ficar hospitalizada depois de se ter tentado matar. (Foi por razões diferentes de bullying, mas ainda assim, mexe comigo.)

Enfim, este é um assunto delicado que tem estado muito presente na minha memória. [Estejam descansados, não estou a pensar em acabar com a minha vida, até porque estou num dos momentos mais felizes da minha história, com o K. Mas é um assunto ultimamente muito badalado e que tem andado aqui a fazer-me comichão por trás da orelha...]

Cheers =D 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

"E é amar-te assim, perdidamente..."

"... e é seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente"

Hoje acordei com esta música na cabeça, em sequência da última conversa que tive com o K.. Nessa conversa, consegui sentir o quanto ele se preocupa com o meu bem estar, ao ponto de às vezes se questionar se ele próprio é capaz de estar à altura de me fazer feliz. Eu diria que ele está muito além de me fazer feliz. A distância é um obstáculo, isso é certo, mas que desafios da ida não estão repletos desses obstáculos? Uns são mais difíceis, outros são mais facilmente ultrapassados, mas estão sempre presentes.
E como posso eu amar perdidamente alguém que está tão longe? Fui-me apaixonando aos poucos, pelo que ele escrevia e ainda escreve, pelo que ele me dizia... Pela forma como ele me fazia sorrir e finalmente pela forma como ele sorri. São as pequenas coisas que foram crescendo, sem o entrave da preocupação da beleza exterior ou inexistência dela na outra pessoa. Apaixonei-me pelo que de mais belo ele tem: o interior, o que ele tem dentro do seu coração. Aquela simpatia, aquele jeito de ser - amável, preocupado, inteligente, divertido. Nunca falha quando me quer fazer sorrir, até porque é algo que me está sempre a fazer. Claro, depois estive com ele. E se já me tinha apaixonado pelo interior, não demorou mais de um segundo a apaixonar-me por aquela figura alta, calma... Aquele sorriso e aqueles olhos que não me deixam a mente.
Se eu sou feliz com ele, apesar da distância? Como nunca fui. Se a distância às vezes me faz acordar com a saudade de o ter junto a mim? Certamente. Se não me importo de esperar um pouco mais por estar de novo com ele? É um baixo preço que tenho a pagar pelo que sinto quando estou com ele. Nada se compara àquele batimento rápido e forte do coração quando estou com ele, aquele sentimento de leveza no peito, como se tivéssemos voado para longe do mundo e só existíssemos nós os dois.

Se eu estaria melhor com alguém aqui perto de mim? Não me parece que fosse tão fácil encontrar alguém como ele na minha vida, não depois de ele me ter marcado de tal forma. E não, não sinto que esta relação me esteja a impedir de viver a minha vida, porque até agora nunca me tinha sentido tão vivo.

E é por isto que quero cantar a toda a gente, que és alma e sangue e vida em mim, e que te amo assim perdidamente :)

Cheers! =D

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O Tiago

O namorado da Jú. Já mencionei de certo estes dois, porque me dou muito com eles. Mas o Tiago tem-me surpreendido imenso pela positiva. Bom, primeiro, foi quando a Jú lhe contou que eu sou gay e que tenho um namorado e ele reagiu bem. Depois foi o poder falar com ele à vontade sobre o assunto sem problemas. E hoje aconteceu algo. Um pequeno momento, que me fez sentir uma grande consideração por aquele rapaz. Uma consideração e um respeito que nunca pensei vir a nutrir por ele.
- Que pulseira é essa? - Perguntou um colega nosso.
Reparei pela primeira vez na pulseira amarela que ele trazia ao pulso.
- É do apoio à luta contra a homofobia e descriminação... - Respondeu.
Eu olhei para ele, surpreendido. Os nossos olhares por pouco não se cruzaram, mas se o tivessem feito, ele receberia uma expressão de gratidão e de encorajamento. A verdade é essa, nunca achei que ele fosse uma pessoa má, só pensei que ele fosse reservado em certos assuntos. Acho que eu caí nas generalizações de que me tanto queixo que a sociedade faz. E acabei a levar um aviso de alarme. Eu já lhe tinha dito que não esperava uma reação tão recetiva da parte dele, mas isto ultrapassou as minhas expetativas largamente. Acho que a atitude dele é realmente louvável e digna de ser tomada como exemplo por todos aqueles que acham que ser homossexual é algo retorcido e anormal. eu sou um rapaz como outro qualquer. De tal maneira que quando a Jú soube, ficou surpreendida. Porquê? Porque não há nada de anormal em mim, nem nada de retorcido, apenas por ser gay. Aliás, a minha orientação sexual não define quem eu sou, a minha personalidade é que o faz. Não deixo de ser bom nem menos bom apenas por gostar de rapazes (e amar um em particular ;P). Só me entristece que haja muito mais gente que não concorda com isso do que gente como o Tiago...

Mas espero que isso mude um dia.

Cheers!! =D

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Ele hoje ligou-me. Soube tão bem voltar a ouvir a sua voz... O meu coração batia desenfreadamente, e eu só conseguia olhar, sonhador, pela janela, imaginando-o junto a mim. Quando desligamos, depois de o ouvir dizer que me ama, e de lhe ter dito o mesmo, sentei-me na cama, a olhar para o tecto, relembrando a tarde que passámos juntos. Quero tanto voltar a fazê-lo... Estar com ele, é o tópico no topo da minha lista de desejos, é tudo o que quero neste momento.

A Jú quis logo que lhe contasse como é que correu. Sim, ela e o namorado já sabem acerca de mim. Eles são um casal surpreendente, e apoiam-me imenso. Até mesmo o Tiago, que eu pensei que me ia tratar de forma diferente, me surpreendeu, porque aceitou tão bem. Aliás, ele até ficou curioso com a situação. É bom saber que tenho amigos assim, que demonstram que são isso mesmo - amigos. A melhor parte é que eu sou a vela oficial deles os dois, porque passo imenso tempo com eles. Bom, costumo passar mais tempo com ela do que com o Tiago, mas ultimamente tenho sentido uma aproximação, provavelmente devido à curiosidade que ele sente em relação ao facto de eu ser gay. Hoje aconteceu um episódio engraçado. Eu estava a comentar isso de eu ser a vela deles, enquanto eles caminhavam de mãos dadas, quando a Jú me sai com uma "oh, queres que eu te dê a mão também, é?". Ela ofereceu-me a mão e eu correspondi, rindo. O Tiago, fingidamente, olhou para mim com uma cara ciumenta, com o olhar do tigre. Eu larguei a mão da Jú e, rindo, comento "Está descansado, que ela não faz o meu género!". Ele sorriu, agitando a cabeça como que dizendo "tirem-me deste filme" e eu e a Jú desatámos a rir. Sabe bem poder ser eu mesmo junto a eles... Enfim. é o que eu chamo "amizade".

Cheers!! =D

Não tenho nada contra irmãos mais novos... que não sejam o meu -.-

O miúdo (que é para não usar um outro termo da gíria menos formosa começado por "p"), é mesmo! Graa! Hoje de manhã, já passava da hora de ir para a escola e ainda estava a jogar na playstation. Mandei-o para a escola.
Ele: Já vou [como sempre diz]
Eu: Não é já vou, é já! [como sempre lhe dizemos]
Ele: Oh, tem calma!
Eu: é por teres calma que chegas sempre tarde ás aulas! Desliga isso!
Ele: ...
Eu: Tenho de te fazer como aos meninos pequenos? Contar até três?
Ele: ...
Eu: Ok! Que assim seja. Vou contra até três, como se faz às criancinhas: se não desligas isso, desligo eu.
Ele: Oh
Eu: Um...
Ele: (olha para mim e depois para o ecrã)
Eu: Dois...
Ele: (levanta-se e olha para mim de braços abertos, revoltado) Oh, Ragdoll!
Eu: Três! (vou até à playstation e desligo-a na tomada)
Ele: Oh! (atira com o comando para cima da mesa)
Eu: Olha lá que isso não é para partir!
Ele: Está calado!
Eu: Olha aí o respeito! Não sou teu pai mas também não tenho a tua idade!
Depois acabei por ter de ir embora, para o teste intermédio de Biologia (que por acaso correu bem). Podem pensar que eu fui demasiado brusco com ele. Mas há anos que os meus pais tentam a mesma coisa: dizer-lhe para fazer as coisas, repetir até ele ficar chateado por estarem sempre a revirarem-lhe o juízo e acaba por fazer. Se a minha Tia estivesse aqui diria "uma semana comigo e a ver se não ficava fino...". Há anos que acontece sempre a mesma rotina. Tenho de estar a dizer-lhe para fazer as coisas vezes sem conta, e acabo por me chatear eu e ele. E porquê? Porque não está habituado a olhar para as horas e perde-se no tempo. A minha mãe passa paninhos quentes "que queres, ele é assim...". Não, ele não é assim, ele está é mal habituado a não gerir o tempo. Comigo, finito, acabou. E a parte mais surpreendente? Foi quando voltei a casa e ele ainda cá estava.
Eu: ainda cá estás?!
Ele: não fui ás aulas da manhã...
Eu: Porquê?
Ele: estou doente, e estou cansado.
Eu: ok, e falaste com a mãe?
Ele (senta-se em frente ao computador já ligado) sim.
Eu: ah! Lindo! E depois ela admira-se! Quem me dera a mim poder não ir às aulas quando estou cansado! Mas para jogares no computador já não estás cansado!
Ele: Estou cansado das pernas! Estou sentado a descansar!
Eu: Das pernas?! E eu que passei a semana passada toda cansado, que tive a visita de estudo na quarta e aulas de Educação Física na terça e na sexta? Passei a semana inteira cansado e fui na mesma às aulas! Essa é boa! E admira-me como a mãe concordou com isso!
Ele: Mas não estou só cansado, estou doente!
Eu: quando estás doente vais é deitar-te para descansar como deve de ser, não é ficar em frente ao computador. E aviso desde já que quando eu disser para ires para a escola é para...
Ele: (começa a falar ao mesmo tempo que eu)
Eu: CALA-TE E DEIXA-ME FALAR! (Já há anos que não usava aquele tom de voz com ninguém... Um tom que eu odeio usar: autoritário, grave... Tal como às vezes o meu pai faz e também não gosta de fazer.)
Ele: Eu estava a responder ao que tinhas dito, depois é que começaste a falar...
Eu: Pois, mas quando eu terminei a frase continuei a falar, porque aquilo que eu disse não era para responderes, era para ouvir e calar. Por isso, quando eu disser para ires para a escola, desligas isso, ou então faço como hoje de manhã e desligo isso na corrente depois de contar até três. Está percebido?
Ele: Não.
Eu: Não percebeste o que aconteceu hoje de manhã?
Ele: sim...
Eu: Então é exatamente o mesmo. 
Ele: Oh!...
Eu: E se tens alguma queixa a fazer, diz ao pai e à mãe, eles que venham falar comigo que eu explico a situação. Se não gostarem, têm bom remédio, que venham eles aturar-te de manhã. O método deles de te azucrinar a paciência até fazeres o que querem não resulta muito bem. Eu passo a dizer uma vez, à segunda ajo.
E assim ficámos. Veremos como ele se porta daqui em diante. Eu sou uma pessoa paciente por natureza, mas quando certas coisas me ficam atravessadas na garganta... Sou do pior. E não gosto disso. Não me sinto bem a ser assim nem as pessoas gostam quando assim sou. Mas quando tem de ser, tem de ser. Se ele não aprende a gerir o seu tempo agora, quando o fará? Quando for morar sozinho e morrer de fome porque esteve tão ocupado no vício do computador que caiu para o lado? (já aconteceu ele ter-se esquecido de ir comer por causa disso...!)

É por isso que digo: "Não tenho nada contra os irmãos mais novos dos outros. O meu é que é um mau exemplo."

Cheers!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Estou aqui sentado à cinco dez minutos a olhar para o meu ecrã, sem saber o que escrever... Hoje acordei meio esquisito. Não sei explicar, só me sinto assim... Como hei-de dizer? Com um mau presságio? Talvez seja o medo a falar mais alto. O medo de perder aquilo por que estou a passar. O medo de o perder a ele. Olho à minha volta e não me sinto em casa. Casa. Isso é onde está o meu coração. É onde ele está, é nos braços dele. Algo que nunca me abandona, felizmente, é a esperança de poder voltar a estar com ele. Dizem que a história tem tendência a repetir-se...

A minha história está a repetir-se. Não completamente, e ainda bem. Mas as linhas básicas são as mesmas, sim, no entanto o resto, isso é tudo completamente diferente. E são essas coisas diferentes, essas coisas que realmente me fazem sentir feliz e não como se eu estivesse a viver uma mentira que me fazem ter força para o seguir em frente. Não ter medo de dizer que o amo, pois sei que não estou a mentir. Mas cometi erros no passado. Não quero cometer os mesmos erros. Não quero voltar a fazer o mesmo que fiz antes. Não quero tornar o que estou a viver agora algo como o que já vivi num passado que me parece agora distante. Por dentro sinto esse medo. Misturado com a alegria que ele me dá.

No passado, aconteceu o que aconteceu porque eu queria esconder de mim mesmo quem eu realmente era. Agora, acontece o que acontece porque tive finalmente a coragem de mostrar quem sou realmente. Mas os fantasmas do passado ainda me assombram à noite, ainda me picam o âmago, tentado apoderar-se de mim. Quando isso acontece, lembro-me do seu sorriso. Dos seus olhos verdes. Da sua voz calma e paciente. Lembro-me do fogo que o sei beijo deixou na minha boca. E os fantasmas do passado fogem. É o amor.

Um amor à distância. É difícil, mas não é impossível.

:)

domingo, 15 de maio de 2011

Visita de Estudo

[Este texto foi escrito no dia 11, no dia da visita de estudo, mas, devido a alguns problemas com o blogger, acabei por publicá-lo depois de umas edições que fiz, e o site assumiu que o queria publicar hoje...]

Não há muito a dizer. Foi uma visita de estudo agradável, mas normal... Para dizer a verdade, não sei se a conseguiria descrever... Digamos apenas que andei pelo mato e fomos a duas praias. Passei bons momentos com a turma. Quando cheguei a casa, constatei que não tinha a chave da porta. Muito bem, hoje é o dia em que o meu irmão sai mais cedo, por isso às cinco e cinquenta, ou seis já devia estar ali a abrir-me a porta... Pensei que tinha de esperar só dez minutos. Para mal dos meus pecados, o meu irmão foi para casa de um colega dele. E os meus pais andaram a passear. Resultado? Dez para as sete e chegam os meus pais à porta do prédio (reconheci a tossidela típica do meu pai). Arrastei-me pelo corredor do edifício, abrindo a porta. Eles olharam para mim surpreendidos, por me verem ali, ainda de mala às costas.
- Duas horas. - Disse, com uma voz grave. - Duas horas de eterna seca.
E eles riram-se! Mas, como lhes disse, a propósito de refilarem que muitas vezes me atraso à procura das chaves, é que eu não gosto de sair de casa sem levar as chaves. O que me vale e o Solitário no meu telem´vel, que sempre vai dando para passar o tempo...
Mas esse tempo foi passado muito dele a divagar (ainda para mais depois de o meu mp4 ter estoirado a bateria... É a acumulação de azares de fim do dia...). E divaguei por pensamentos que preferia não recordar, por serem maus, outros que preferia não ter recordado, porque eram tão bons... E queria tanto que se repetissem... Mas ainda vou ter de esperar algum tempo para que tal aconteça... Claro que o meu pensamento recaiu no K. [primeiro até foi a frustração de não poder estar a falar com ele porque o raio de um adolescente atrasado para a visita de estudo se esqueceu das chaves coma  pressa de chegar à escola a tempo...]. Eu penso muito nele. Ás vezes até inconscientemente. Aquele sorriso, aqueles olhos verdes... São duas das características dele que mais me marcam. Claro, duas das muitas que me marcam. Ele escreveu que eu tinha pedacinhos dele. Assim como ele tem pedacinhos meus. É o amor. Que é que se há-de fazer?