domingo, 15 de maio de 2011

Visita de Estudo

[Este texto foi escrito no dia 11, no dia da visita de estudo, mas, devido a alguns problemas com o blogger, acabei por publicá-lo depois de umas edições que fiz, e o site assumiu que o queria publicar hoje...]

Não há muito a dizer. Foi uma visita de estudo agradável, mas normal... Para dizer a verdade, não sei se a conseguiria descrever... Digamos apenas que andei pelo mato e fomos a duas praias. Passei bons momentos com a turma. Quando cheguei a casa, constatei que não tinha a chave da porta. Muito bem, hoje é o dia em que o meu irmão sai mais cedo, por isso às cinco e cinquenta, ou seis já devia estar ali a abrir-me a porta... Pensei que tinha de esperar só dez minutos. Para mal dos meus pecados, o meu irmão foi para casa de um colega dele. E os meus pais andaram a passear. Resultado? Dez para as sete e chegam os meus pais à porta do prédio (reconheci a tossidela típica do meu pai). Arrastei-me pelo corredor do edifício, abrindo a porta. Eles olharam para mim surpreendidos, por me verem ali, ainda de mala às costas.
- Duas horas. - Disse, com uma voz grave. - Duas horas de eterna seca.
E eles riram-se! Mas, como lhes disse, a propósito de refilarem que muitas vezes me atraso à procura das chaves, é que eu não gosto de sair de casa sem levar as chaves. O que me vale e o Solitário no meu telem´vel, que sempre vai dando para passar o tempo...
Mas esse tempo foi passado muito dele a divagar (ainda para mais depois de o meu mp4 ter estoirado a bateria... É a acumulação de azares de fim do dia...). E divaguei por pensamentos que preferia não recordar, por serem maus, outros que preferia não ter recordado, porque eram tão bons... E queria tanto que se repetissem... Mas ainda vou ter de esperar algum tempo para que tal aconteça... Claro que o meu pensamento recaiu no K. [primeiro até foi a frustração de não poder estar a falar com ele porque o raio de um adolescente atrasado para a visita de estudo se esqueceu das chaves coma  pressa de chegar à escola a tempo...]. Eu penso muito nele. Ás vezes até inconscientemente. Aquele sorriso, aqueles olhos verdes... São duas das características dele que mais me marcam. Claro, duas das muitas que me marcam. Ele escreveu que eu tinha pedacinhos dele. Assim como ele tem pedacinhos meus. É o amor. Que é que se há-de fazer?

O rapaz é inteligente...

Ontem, eu e um rapaz de oito anos estávamos a jogar um jogo no PC em que tínhamos de caçar umas bolas gelatinosas tipo lesmas para apanhar um material que servia para criar poções de cura.
Eu: Pois... Acho que precisamos de mais poções...
Ele: Sim, mas vamos precisar de caçar lesmas, então!
Eu: pois... Mas não encontro nenhuma agora...
Ele: Então tens de encontrar depressa, precisamos mesmo da proteína dada pelas lesmas para fazermos as poções!

Fiquei surpreendido. Um rapazinho de oito anos a dizer uma coisa daquelas, confiante de que fazia sentido, é incrível porque, de facto, faz sentido, apesar de estar integrado num jogo um pouco afastado do realismo. Só resta dizer que ele é uma mente promissora ;)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Vox Populi & Closer to The Edge

30 Seconds To Mars. São estas duas músicas deles que tenho andado a ouvir vezes sem conta. Acho simplesmente épico o início da Vox Populi (já o estou a imaginar na cabeça, as pessoas a marcarem o ritmo "stomp stomp clap, stomp stomp clap, stomp stomp clap stomp stomp stomp clap This is a call to arms, gather soldiers, time to go to war. This is a battle song, brothers and sisters time to go to war." *.*). Claro, depois a parte em que o público brilha na Closer to The Edge é simplesmente linda e cheia de significado para mim "No no no no, I will never forget, No No, I will never regret, No No I will live my life, No No No No".

Mas hoje, lembrei-me de uma parte de um refrão de uma música que me fez lembrar o K. ...

Sorrow lasts trough this night
I'll take this piece of you
And hold for all eternety
For just one second I felt whole
As you flew right through me
Flyleaf - Sorrow

Acho que não preciso de dizer muito mais x)

Enfim, mas o dia não foi mau de todo.

(Outra música que descobri que me agrado [até eu me surpreendi por gostar disto...], foi uma cover da Umbrella que uma banda de rock fez, os All Time Low. A letra da música e o ritmo são os originais, mas os instrumentos mudam completamente. Mas agradou-me ;P )

terça-feira, 10 de maio de 2011

Desejo Apertado no Meu Âmago

É algo que sempre me está presente, que quero deixar de lado até ao dia... Até ao dia em que volte a ser de novo um só com ele. é o desejo de sentir nos meus lábios o toque morno dos seus, aquele doce sabor que tanto persegue os meus sonhos e que não me deixa descansar sem pensa nele. Aquele desejo de voltar a sentir de novo o toque da sua mão na minha. Aquele desejo de sentir novamente o seu corpo quente apertado contra o meu naquele abraço que já transcende o "especial". Aquele desejo de ouvir a sua voz formar a palavra "amo-te". Aquele desejo de pousar a minha mão na sua perna casualmente, ou no seu ombro para o confortar. Aquele desejo que tento reprimir para não o fazer sentir-se triste. Aquele desejo que já não consigo reprimir e que me deixa ansioso. Ansioso por voltar a estar com ele. Ansioso por voltar a tocá-lo. Ansioso por voltar a beijá-lo. Ansioso por voltar a dizer-lhe "Amo-te, K.".

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Mmm... Que há para dizer? Oh sim! Laugh!

Hoje, tive momentos bons e momentos menos bons... Até tive um momento misto! Confuso? Passo a explicar ;) Ora, na aula de química, eu e a Jú rimos a bom rir, com recordações de infância, como aquilo que dizíamos mal quando éramos crianças. Na minha lista encontra-se "Lua" em vez de "Rua", "Tubarão" em vez de "Camarão" [É o que dá, porem um puto de quatro anos a ver o Discovery Só pensa em tubarões xD], e "Frijerífico" em vez de "Frigorífico". E depois a tentarmos ler o que tínhamos de fazer na aula, para a Jú, as coisas deram para o torto. Primeiro, a ler "chuvas ácidas", sabe-se lá como a rapariga fez tal coisa, leu em voz alta "ácidas chuvas". E pouco depois, em vez de ler "Desflorestação", leu, "desfloração". Coitada... desde que foi desflorada não pensa noutra coisa... xD Depois da aula de química, fui meter-me um pouco no campo de futebol. Erro! Foi aqui que aconteceu aquele momento misto entre bom e mau. Bom porque fez rir, mau porque o motivo de risota foi o facto de eu sentir as minhas nozes estalar com uma bolada em cheio entre as pernas! xD Mas estou bem, não se preocupem, passou depressa. Mas nunca mais volto a aproximar-me daquele meu colega quando ele tiver uma bola nos pés... xD

O momento mau foi com o Miguel. Vamos resumir, ele fez-me sentir mal comigo mesmo, fez-me pensar que às vezes se calhar não me devia importar tanto com os outros... Mas enfim, é algo que faço por gosto, faz parte de mim e não consigo evitar fazer. E pelo que dizem, é algo que faço bem, por isso não vou deixar de ajudar aqueles que procurarem a minha ajuda por causa dos caprichos de uma vil criatura que mais valia não ter entrado na minha vida... Enfim, coisas que acontecem...

Mas tenho esperanças de ainda dar umas boas gargalhadas e, inclusive, de fazer alguém rir. ;)

Cheers! =D

domingo, 8 de maio de 2011

Por Vezes...

Por vezes esqueço. Esqueço o que passei, esqueço o que sofri. Mas as coisas voltam ao de cima. Agora não passam de recordações, e sinto-me grato por tal acontecer. Sinto-me grato por ter encontrado a minha felicidade. Mas o passado é algo que não se esquece completamente, apenas por vezes. Os Fantasmas do passado ainda me atormentam. Ainda sinto o medo de voltar de novo ao que era antes e que não é agora. Mas quando relembro, é porque sei que ainda há pessoas a passar por aquilo que eu passei, por aquilo que tanto me deitou abaixo, tanto me amargurou, por aquilo que me tornava por fora alguém sorridente mas que por dentro me tornava uma criatura amargurada, que se sentia abandonada, perdida neste mundo. E depois lembrei-me de uma música dos My Chemical Romance. Uma música que é uma das minhas preferidas. E cujo refrão me ajudava a continuar.

I am not afraid to keep on living
I am not afraid to walk this world alone
Honey if you stay, you'll be forgiven,
Nothing you can say can stop me going home.
My Chemical Romance - Famous Last Words

É isso que é preciso. Não ter medo de viver, não ter medo de caminhar sozinho num mundo cruel, porque nada nos impedirá de chegar a casa, àquele local, momento e/ou pessoa que nos faz sentir bem. Claro, as palavras do refrão ajudavam-me a encarar a vida porque eu tinha medo de continuar viver, o que significava sofrer, tinha medo de caminhar sozinho, o que significava sentir-me abandonado aos elementos erosivos do mundo e da sociedade. Mas nada me podia impedir de ir para casa. E quem quer que ficasse lado a lado comigo, como referido no verso "Honey if you stay you'll be forgiven", seria meu amigo, alguém a quem eu perdoaria qualquer erro, desde que me apoiasse incondicionalmente. Claro, esta era a minha interpretação da música, cada um terá a sua. Mas se na altura eu já sabia que havia mais pessoas a passar pelo mesmo que eu, agora sei melhor do que ninguém o que é o alívio de ver esses dias para trás das minhas costas. No entanto, a lembrança desses dias continua cá...

E por isso, digo a todos os que passam pelo que eu passei, que têm de enfrentar os obstáculos como algo que vos fortalece. Têm de perder o medo de viver e de caminhar neste mundo, quer seja sozinho, quer acompanhado, e acima de tudo não podem deixar que nada, nada, nem mesmo pessoas, situações, locais, momentos, recordações, mágoas passadas, vos impeçam de encontrar o vosso caminho para "casa".

sábado, 7 de maio de 2011

Aquela sensação de satisfação...

... quando sei que sou uma das únicas quatro pessoas que consegue fazer rir o meu "primo emprestado" SEMPRE que ele nos vê...

Ele é um rapazinho de quatro meses, que foi batizado hoje. Os meus pais foram os padrinhos. Já conhecemos o casal há mais de um ano, penso? São amigos da família. E o pequerrucho já é como um primo aos meus olhos. Por isso digo que é Primo Emprestado. E hoje estive a brincar com ele. A fazê-lo rir-se, quando ele estava deitado em cima da mesa. Naquele momento, quando aquele bebé me fez aquele sorriso, o mais genuíno que se pode encontrar, eu soube que o amava. Parece estranho? Mas sim, ele é para mim como um membro da família. Aqueles olhos expressivos, que quando os vi pela primeira vez eram de um preto-azulado, estão agora castanhos escuros, orlados por aquela cor que tinham quando nasceu. E foi nesse momento que tive uma prova de que eu seria capaz de amar uma criança como sendo meu filho, mesmo que não fosse sangue do meu sangue. Não é tão difícil como possa parecer a alguns. Eu sempre pensei em ter filhos, e já referi isso antes no blogue. Mas desde que me assumi, que tive umas ligeiras mudanças sobre o assunto. Para mim deixou de fazer sentido ter um filho sangue do meu sangue, porque isso significaria ter de pagar a uma barriga de aluguer. E com tantas crianças que precisam de ser adotadas por pais dispostos a amá-las, acho que seria simplesmente desnecessário no meu caso, já que o facto de eu não poder ter filhos com a pessoa que amo se deve à minha sexualidade e não a alguma doença que me impossibilite de o fazer.

E digam lá se não é impossível não nos apaixonar-mos por um sorriso como o deste bebé...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O que o meu nome diz sobre mim.

Eu estava cético, a ler aquele quadro antigo que tinha o meu nome e o seu significado e a minha personalidade consoante o nome. E nele podia-se ler, nos traços de personalidade:

Oscila durante muito tempo entre dois pólos: asolidão e avida em sociedade (Humm... Check.), a dúvida e a confiança [Totally me O.O], o essencial e o supérfluo [Nãão... Para mim "somente o necessário, o extraordinário é demais"! E daí... Ás vezes tenho umas pancas um bocado para o supérfluas... Check]. Tem um temperamento criativo e grande força de vontade. [Bom, ás vezes não parece, mas sim, tenho uma força de vontade, leia-se teimosia, de invejar. E criativo? Bom, you tell me. Mas acho que sim, que sou criativo.]
No fundo é um apaixonado que tenta dominar-se, um individualista que tenta adaptar-se. [Ceck aaaand check...] O tempo é o seu aliado e joga a seu favor. [Há uns tempos eu não diria isso... Mas temos de dar tempo ao tempo, e ele pode trazer-nos coisas fantásticas ;)]

quinta-feira, 5 de maio de 2011

J.T.

Ultimamente a minha vida tem girado à volta de pessoas. Costuma ser à volta dos sentimentos, mas as coisas estão diferentes. Hoje eu perguntei ao J.T., sendo ele da mesma turma que a Bia, se lhe podia pedir para ela vir ter comigo, que eu precisava de falar urgentemente com ela sobre um assunto. Esse assunto era o Miguel, mas enfim. Agora à pouco, ele perguntou-me o que queria eu falar com a Carolina. Disse-lhe de que se tratava. E depois ele perguntou: "E porque é que tens essa data no teu nick: 30/4/11?". O meu coração começou a bater mais depressa. "Porque tive um dia bom...". Mas ele não se deu por satisfeito.
- E porque é que foi um dia bom?
- Porque fui ter com uma pessoa, e depois fui ao Karaoke com o meu pai...- Informo.
- Uma pessoa?
- Sim...
- Porque é que tu e a Bia me contam sempre as coisas em último?
- Não é uma questão disso, é só que eu não sei se reagirias bem ou mal...
- Porque é que havia de reagir mal?
- Porque eu namoro com essa pessoa... E essa pessoa é um rapaz... Não te contei antes porque não sei qual a tua opinião...
E então, fiquei preocupado. Eu acabara de dizer ao meu melhor amigo que sou gay, e não fazia a mínima ideia de como ele iria reagir.
- A minha opinião sobre as outras pessoas? Não importa. Tu és o meu melhor amigo à 11 anos, não é por causa disso que me ia afastar de ti.
Senti-me aliviado. Ele acrescentou que não queria servir de vela. Eu respondi que não tinha intenções de ter velas ao meu redor quando estiver de novo com o K.. xD. Acabei por lhe pedir desculpa por ter tido receio de lhe contar. Mas ele parece ter aceite bem e de forma compreensiva. :) Mais uma boa surpresa para o dia de hoje. Sinto-me bem com todo este apoio por parte das pessoas a quem contei, e espero que muitos tenham a mesma sorte que eu tive de ter amigos compreensivos e de mente aberta, que vos apoiem incondicionalmente.

Cheers =D

C.

É uma letra curta. Bom, eu já falei nas gémeas. A I. é a tal rapariga que gosta de raparigas x) E a C. é a irmã gémea dela. E ela é uma pessoa carinhosa e, surpreendentemente, uma ativista em relação aos direitos LGBT. Bom, não é assim tão surpreendente quando ela sabe a situação em que a sua irmã está, mas, ainda assim, isso demonstra que ela é uma pessoa corajosa de caráter louvável. Ela contou-me que ainda há pouco tempo, na disciplina de Português, fez uma apresentação oral sobre os direitos LGBT. Ela comentou que não gostou da reação da turma e até mesmo da da professora. Entristeceu-me saber que assim aconteceu, apesar dos esforços dela por mostrar um ponto de vista nobre. Quando lhe contei que tenho um namorado, ela não ficou nem confusa, nem surpreendida. A primeira coisa que ela me disse foi "Awww *.* Tão fofos! Fico feliz por ti :)". Isto arrancou-me um sorriso da cara, mas o que ela me disse a seguir, ainda me fez ficar mais feliz por ter amigos destes.
- Estás na escola? - Pergunta, por sms.
- Não, já estou em casa... Mas querias falar pessoalmente comigo, era? - Respondo, um pouco receoso.
- Não era isso, é que queria dar-te um abraço!
- Um abraço, porquê? - Interrogo, com um sorriso na cara.
- Porque estou feliz por ti!
E ela deu-me hoje esse abraço. Ela sempre foi uma pessoa afetuosa, mas nunca me tinha dado um abraço tão longoo x) [K., está descansado, que não troco os teus abraços por nada deste mundo, a não ser por um beijo teu ;)]. E foi mesmo em frente à minha turma. Só reparei nisso pouco depois de ela me ter soltado. Sentia-me constrangido e feliz ao mesmo tempo. Estou mesmo carente! x)

Devo admitir que o abraço fez-me o dia. E depois de ter tido o teste intermédio de Química... Por acaso até me correu bem, valha-me isso.

Do Miguel, nem sinal. Pela primeira vez depois desta situação, não me enviou nenhuma sms nem me falou. Cruzámo-nos na escola, senti o ambiente de gelar o sangue, mas nada mais. Já está a evoluir para um caminho mais agradável, se é que esta situação se pode tornar nisso...

Cheers!! =D 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Quando é que isto acaba..?

O rapaz é pior que as lapas, não me larga. Sempre a mandar sms, como se eu fosse responder! Refiro-me ao Miguel, como devem calcular... A penúltima sms que ele me enviou foi a dizer "Não aguento que fiquemos de costas voltadas, não vou deixar as coisas assim, vou lutar para te reconquistar". Enfim, não lhe respondi. Uma vez que eu tinha bloqueado o seu contato no msn, ele resolveu-se a usar o mail antigo! É manhoso, o bicho, hun? Enfim. O meu nick do msn era a tradução de uma frase que eu adorei por me ter feito rir, e diz o seguinte: "A rapariga casou com o príncipe, e o homem mau morreu. Esta semana deve ter sido patrocinada pela Disney xD". Ele entrou no msn com a sua conta antiga e disse "o homem mau pode fazer muito pior do que morrer". Eu detetei imediatamente a mensagem subliminar daquelas palavras, mas não fiz caso, e apenas disse "Miguel, o que é que queres? É que não sei se percebeste, pelo facto de eu não te responder às sms, que não quero falar contigo.". Ao que ele responde: "Pois, mas eu não ligo a isso!". Acabou de admitir que não liga ao que eu faço, que boooom.. -.- Bloqueei o seu antigo contato, para evitar ter de o ouvir mais. Mas nem assim... Voltou a mandar uma sms, mas desta vez muito mais explicita, dizendo: "agora vais ver como o homem pode ser mau". Estive para lhe enviar uma sms a perguntar: "Isso é uma ameaça?!". Mas acabei por não o fazer. Se ele acha que me pode atingir, tudo bem, que faça o que bem entender. Eu só sei de uma coisa - ele não tem forma de me atingir. Tenho tudo o que quero e preciso: amigos que me apoiam tal e qual como sou e em quem posso confiar, um namorado que amo e que sente o mesmo por mim. Tenho a meu lado as pessoas mais importantes da minha vida. Como apoio delas, sei que consigo superar qualquer obstáculo que o Miguel queira criar. E o que farei contra isso? Absolutamente nada. Não lhe vou dar a importância que ele não merece. Esta amizade já há muito que está a cair aos bocados e, desta vez, não há meio de a reparar.

No meio desta batalha toda, ainda luto para conseguir estudar... Mas acabo sempre a divagar da matéria... Maldita química... Enfim.

Falando em divagar...

Quero estar assim contigo, K. ;)

A pain in the neck...

Ontem teu e a Bia começámos a falar do Miguel. Ele contou-lhe que eu estava chateado com ele. E ela tentou defendê-lo. Mas parece que ele omitiu convenientemente as palavras duras que me tinha dirigido... Até porque a Bia ficou surpreendida quando lhe contei as coisas frívolas que ele me havia dirigido, e deixou de estar tanto do lado dele. Ela chegou a dizer inclusive que ele gostava era de mim, e não do namorado dele. Enfim, se o que ele faz é a sua maneira de demonstrar que gosta de mim, realmente não quero ver quando ele me odiar... E ontem recebi uma outra sms dele. Disse que tinha acabado com o namorado. Lindo, mais uma vítima colateral que fica magoado por causa dele. Sinceramente, acho que ele queria que eu tivesse pena dele, mas conseguiu exatamente o oposto. Tenho é pena do ex-namorado dele, que se deve estar a sentir usado como um objeto, tal como eu me senti. Por mais que eu queira esta história acabada de vez, parece que estou condenado a que ela me persiga para onde quer que eu vá... E depois eu também recebo danos colaterais, porque sinto-me culpado pela magoa que o ex-namorado dele possa estar a passar. Se eu não tivesse cortado relações com o Miguel, ele nunca teria acabado com o rapaz... Mas que posso eu fazer?! Nada. Até porque nem o conheço. E se voltasse a perdoar o Miguel por causa disso, só estaria a tornar as suas palavras verdadeiras: "Tu só me perdoas-te por pena!". Ele disse isto porque eu comentei: "Se não tivesse sido por eu ter conhecido o K., acho que não te daria outra oportunidade". Talvez até soe como se eu o tivesse perdoado por pena, mas isso fui eu que não me fiz entender bem. O que eu senti foi que a vida me tinha dado uma oportunidade e pensei que, já que eu tinha tido essa mesma oportunidade, talvez pudesse dar uma ao Miguel. Escusado será dizer que aprendi com o erro...

terça-feira, 3 de maio de 2011

Cansado... e apaixonado :)

Cruzei-me com o Miguel... Acusou-me de estar a agir como uma criança de cinco anos por estar a reagir assim às palavras dele. Ótimo. O mais engraçado é que ele só o fez já por sms, depois de termos falado cara a cara. Ele já nem foi capaz de me acusar de nada frente a frente depois de eu o ter feito ver o que me tinha dito. Enfim, esse é um assunto em que quero deixar de pensar.

Andei o resto da tarde com a vontade de ser abraçado pelo K. ... Tenho de me habituar a controlar esses desejos, pelo menos até voltarmos a estar juntos. Corri para casa, ao fim do dia, para poder falar com ele. O K. tanto é capaz de me fazer rir com as suas palavras, como fazer-me derreter. É um rapaz simpático e carinhoso, ele :)

Pouco mais há a dizer acerca do meu dia de aulas. Foi um dia normal, leia-se que foi um tédio... Anyway, nem sempre as aulas podem ser do nosso agrado. Mas as de hoje forma mesmo passadas a passo de Caracol. E não me saia da cabeça aquele primeiro toque quando demos as mãos, aquele tímido primeiro beijo... Mal posso esperar por repetir... :)

Tenho andado com vontade de cantar. Cantar a plenos pulmões. Dançar como se não houvesse amanhã. Mas como não sei cantar, e caio em vez de dançar... Lá me contento a ouvir música x)

Cheers! =D

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Como Nunca Antes...

O dia passou-se bem. Com a Jú é sempre a rir. Relembrámos sexta-feira, quando ela comprou uma maçã e me disse:
- Gosto das maçãs como gosto de ti. Duras.
- Elá! - Rio, surpreendido. - Isso em inglês ficaria algo como... I like apples just like you: Hard.
Mas prontos, coitada, ela, para além de já ter namorado, não faz muito o meu género... E sim, ainda há o pormenor que eu também já estou comprometido x) Mas isso ela não precisa de saber...

Mas hoje aconteceu algo que nunca antes eu tinha feito. No fim das aulas, caminhava rua acima, em direção a casa. O Sol do fim de tarde bateu-me nos olhos. Olhava em frente, observando os reflexos que a luz fazia. Fechei os olhos e respirei fundo, imaginando o K., junto a mim. A rua estava vazia, e começo a cantar a Jungle Drum da Emiliana Torrini. Sinto-me tão bem. Como nunca antes. Como nunca pensei ser possível. Quando terminei, ouvi o silêncio, quebrado apenas por um ou outro carro a passar. E no silêncio, ouvia a sua voz, calma, conversando comigo, naquele banco em frente ao Mondego imaginário... Quero gritar ao mundo o quanto o amo, o quanto quero estar com ele neste momento e nos que se aproximam. Mas o mundo, não, as pessoas do mundo, não me deixam fazê-lo, com essas mentes ignorante e fechadas, que desprezam tudo o que foge às regras por elas inventadas.

Por sorte, nem toda a gente é assim, e tenho alguns amigos com quem contar. Por exemplo, ontem, contei ao M. que tenho um namorado. O M. é um rapaz em quem sempre confiei. Pervertido, mas que surpreende com os valores que defende. Eu sabia que ele tinha uma amiga bissexual e que, para ele, isso não era motivo para deixar de ser amigo dela. Ele perguntou:
- Tens namorada?
- Não... - Respondo.
- Então como me vais explicar o teu nick [do msn] a dizer aquela data e a terminar no "amo-te"?- Então, não há muito a dizer... Gosto de uma pessoa... E estive ontem com essa pessoa. - Informo.
- E posso saber quem é a menina? - Interroga.
- Não é uma menina. - Comento.
- Ah, então quem é o rapaz? xD - Graceja.
- Mora perto do Porto, não conheces... - Digo.
- Não sabias arranjar mais longe? - Pergunta.
- Olha, quando não consegui arranjar cá... - Respondo.
- Mas estás a falar a sério, bro? - Inquire, surpreendido.
- Sim.
- Oh... Apanhaste-me um bocado de surpresa. Mas sabes que por mim isso não é problema, e terás sempre o meu apoio no que quer que faças.
Ele sempre foi alguém que enfrentava a vida com um bom senso de humor (que algumas vezes tocava o macabro), e sempre se caracterizou por alguém com uma mente bastante aberta a novas ideias e muito pouco preconceituoso. Eu digo que muitas vezes as pessoas surpreendem-nos, porque nunca saberemos como é suposto elas agirem em determinada circunstância até estarem a passar por ela. O M. já tinha passado por uma situação semelhante e tinha reagido bem, por isso senti-me confortável a contar-lhe.

Ontem, descobri também que uma amiga de longa data, que tem uma irmã Gémea e se chama I. também é homossexual. Quando ela me contou, também lhe confessei qual a minha verdadeira orientação sexual. Ambos ficámos surpreendidos, porque nenhum de nós fazia a mínima ideia desse facto acerca do outro...

Enfim, até agora, tem sido sempre boas notícias, sem contar com aquele desentendimento (permanente) com o Miguel, e com o facto de a Bia achar que o B. está a agir de forma estranha...

Staring at the Ceiling for Another Reason

Hoje de manhã acordei com o telemóvel a  tocar. Era a mãe. Coisas do costume: Ver se eu estava a pé, se o meu irmão se estava a despachar a ir para a escola... Quando desliguei, deitei-me na cama, olhando para o tecto branco. Isto fez a minha mente viajar de novo ao passado. Lembre-me de algo que tinha escrito aqui... 

"Já não vivo por aquele sonho, não vivo por aquele sopro, aquele toque, aquele beijo, aquele momento. Vivo apenas para estar vivo quando esse sonho, esse sopro, esse toque, esse beijo, esse momento chegar. Se não chegar? Morrerei à espera"

E esse sonho, esse sopro, esse toque, esse beijo... Todos chegaram contigo, K.

E relembro o quão mal eu estava no passado. Cheguei mesmo a repreender-me a mim próprio, a ser duro comigo mesmo. Porquê? Porque eu não queria ser homossexual! Não queria ter de enfrentar os problemas que isso poderia causar. Credo, cheguei inclusivamente a dizer a mim mesmo "Tu tens de ser normal.". Mas depressa percebi a ignorância nas minhas palavras. Eu sou normal, só amo de forma diferente. E claro, sempre tive aquele sentimento de frustração por ter de enfrentar os problemas que a etiqueta "gay" poderia trazer. Mas hoje, não posso desejar por mais nada. Foi por ser quem sou, que conheci aquela pessoa especial, foi por ser quem sou, que conheci o amor. Foi por ser quem sou que o amor também me conheceu a mim. Desde do dia 21, quando te enviei aquela "carta" onde dizia "Quando as pessoas perguntarem se há alguém especial, gostava e poder responder orgulhoso: Sim, chama-se K. e é o meu namorado. Que te parece?", já vão exatamente dez dias. Os dez primeiros dias de namoro. E aquela sensação que sinto no peito quando digo para mim mesmo "tenho um namorado que amo" já não é uma sensação de estranheza, é uma sensação de alegria, liberdade e saudade.

Como tu não te cansas de fazer, eu agradeço-te, K., porque se não fosse por ti, eu ainda estaria a pensar que ser homossexual era algo que apenas me dificultaria a vida. Se não fosse por ti, eu não teria ninguém por quem viver.

No fundo, às vezes sinto-me mal, porque sei que há muita gente que gostaria de ter o que eu tenho, mas está como eu antes de o ter conhecido. Não quero despoletar neles os ciúmes ou a inveja, como a mim me acontecia. Na altura, cada casal que eu via - gay ou hetero -, enchia-me de ciúmes, claro,  mas havia algo mais. Algo que eu não conseguia explicar, mas que sei hoje o que é. Esse algo mais, essa pitada quase imperceptível de um sentimento aconchegante, era a esperança. A esperança de um dia ter o mesmo. E é isso que eu quero transmitir aos outros, a Esperança de um dia encontrarem a sua cara metade, porque acredito que todos temos no mundo aquele alguém especial à nossa espera. E se não for perto de vocês, será longe, tal como eu e o K. estamos separados por quatro horas de comboio.

Como eu sei que gostavas de me levar à praia...

domingo, 1 de maio de 2011

Um nome a ser riscado.

Pouca gente me consegue pôr fora do sério. Uma dessas pessoas é o B., o namorado da Bia. A outra é o Miguel. E este último conseguiu de novo fazê-lo. É uma longa história... Vamos resumir-nos ao facto de que ele me acusou de certas coisas que não gostei e acabou, finalmente, a dizer "Estou me nas tintas, já não preciso de ti". Senti-me um objecto. Um casaco que ele ira quando já não está a chover. E a verdade é que dói quando alguém diz tal coisa. Ele acusou-me ainda de eu não fazer nunca nada por ele. Que mais posso eu fazer, um comum mortal, que nem sequer andava na mesma escola que ele durante a maioria da nossa amizade, e pouco estava fisicamente com ele para além de conversar com ele sobre o que ele quisesse? Que esperava ele? Que eu movesse montanhas? Ainda por cima depois de ter ouvido palavras duras vindas dele como "Tenho nojo de ti" ?! Não. Mover montanhas, não o faço por qualquer um, muito menos por alguém que me magoou de todas as oportunidades que proporcionei para que voltasse a entrar na minha vida. O K. comentou que, por esta altura, ele já teria impedido que o Miguel o magoasse, cortando relações com ele. Eu tinha medo de o fazer. Sabia que a primeira coisa que ele me diria era: "Tu fazes sempre isso. Se não queres a nossa amizade, mais valia teres acabado agora". Quer dizer, primeiro ataca-me, obrigando-me a tomar medidas estremas para me proteger das palavras dele, depois acusa-me de eu ser um extremista que não quer a amizade dele para nada. Provavelmente um especialista em Psicologia saberá melhor que eu, mas a mim, isto parece-me Psicologia Invertida no seu estado mais macabro e retorcido... Acabei por lhe dizer que não valia a pena tentar novamente falar comigo, porque com paciência para receber acusações já não estou eu há muito tempo. E estou farto de me deixar ir abaixo com o que ele me diz. Estou farto, farto, farto. Ele consegue-me pôr com medo de ser alguém como ele, porque me acusa de ser idêntico a ele. E se ele tem razão? Se eu sou diferente daquilo que idealizo? Afinal, ele diz que não é aquela pessoa ruim que eu vejo... Se ele não consegue ver em si os seus piores traços, conseguirei eu ver os meus? Não. Não vou pensar mais assim. Eu tenho certos valores e defendo-os porque são os valores que sigo. Se o ideal que tenho de mim próprio é moldado em função desses mesmos valores, e se sou capaz de identificar os meus defeitos, como o ser preguiçoso, teimoso e ás vezes invejoso, então seria capaz de perceber se tenho os mesmos defeitos que o Miguel. Sempre senti dificuldades em julgar-me. Afinal, é mais fácil julgar os outros do que a nós mesmos. Mas há algo que sei que sou. Sou perfecionista, toda a gente se queixa dessa minha faceta. E há uma pessoa para a qual o sou de tal maneira, que chego a ser demasiado exigente. Comigo mesmo. Eu sou o meu pior inimigo. O Miguel está a fazer concorrência comigo próprio. Mas também tenho espírito preserverante, e não vou deixar que ele consiga atingir-me mais. Hoje, Miguel é um nome a ser riscado da minha vida.

O Dia de Ontem

Foi um dia preenchido. Saí de casa às dez e voltei à uma da manhã. Nos quatro posts anteriores, está descrito o meu dia com o K. Quis escrever, não só para ter isto registado em algum lado, já que a minha memória é uma treta no que toca a alguns pormenores, mas também para partilhar com os leitores, com intuito de dar esperança. Eu era uma pessoa que sempre fora muito pessimista no que tocava ao amor. Sempre sonhei em encontrar a minha cara metade, mas sempre pensei que isso nunca passaria de um sonho. Mas acredito que eu, um otimista por natureza, conseguiu dar a volta no único assunto onde era capaz de ser um pessimista de primeira categoria, então, todos conseguirão encontrar, mais cedo ou mais tarde, aquele ou aquela que os fará felizes.

Depois de ter estado com o K., fui com o meu pai ao Karaoke. Eu e o meu pai cantámos juntos a Sweet Carolin, do Neil Daimond, e o meu pai cantou sozinho a Don't Stand So Close to Me, dos Police. Eu estava a escolher a música, e, de repente lembrei-me que, com tantos clássicos que ali encontrei, eu teria de reclamar se não encontrassem aquele épico hino dos lutadores, aquele meu tema preferido. Corri as linhas e finalmente encontrei.
- É esta! - Digo ao meu pai, apontando com o dedo a linha, sorrindo imenso.
- De certeza? - Pergunta, com uma mistura de surpresa e de confiança.
- Sim.
Pouco depois, eles vêm a minha inscrição. O senhor afasta a cabeça do papel surpreendido. Olha para mim. Eu sorrio, encolhendo-me.
- É esta? - Interroga com o microfone em frente à boca.
- Sim. - Respondo.
- Élá, esta é que é! Mas vais mesmo cantá-la ou é só à experiência?
- Vou mesmo cantar, acho eu... - Digo, tremendo.
- Então pronto, temos aqui o Ragdoll - Apresenta ele. - E ele vai cantar uma música mesmo... Grande. Ora vamos lá a ver.
Ponho-me no palco improvisado. Os homens ao balcão do café ficam curiosos e espreitam para o papel. Ficam de olhos abertos e olham para mim, encorajando-me.
- Olha, fecha os olhos e em três minutos isto passa! - Graceja um.
Eu sorrio, depois de ele me fazer um gesto de encorajamento. Enganam-se a pôr a música.
- Não me parece que seja esta... - Comenta o anfitrião.
- Pois, também não me parece que seja esta, não. - Respondo, já para o microfone.
Finalmente põe a música certa. Oiço os incentivos dos que assistiam. Já parecia no ecrã o título da música. Já todos sabiam qual eu ia cantar. E aqueles que não tinham visto o título, reconheceriam de certeza a batida, que eu já acompanhava a bater o pé. E canto finalmente a música, aquele épico hino dos lutadores como o Rocky. Eye of The Tiger, dos Survivor. Começo um pouco nervoso, mas após alguns incentivos, e de ecoarem na minha cabeça as palavras do K. "Vês, tu até sabes cantar!", liberto a voz para aquele refrão.
It's the eye of the tiger, it's the thrill of the fight, riing up, for the challenge of our rival, and the last known survivor stalks his prey in the night, and he's watching us all in the... E chega a nota mais alta, dou o meu melhor... eeeeeeeeeeeeeeye of the Tiger. O Anfitrião acena com a cabeça, mostrando que lhe agradou a performance. Lá continuo a cantar a música, atrapalhando-me numa parte onde já me esquecia da letra. Quando acabou, aplaudiram-me.
- Aplausos, que ele merece por ter estado aqui a cantar isto!
Enfim, foi um dia bem passado com os dois homens da minha vida: o meu pai e o meu namorado.

K. (Parte 4/4) - A Partida

Valido o bilhete. É o que marca o fim do dia prestes a chegar. O comboio está parado, de portas abertas, pronto para partir.
- Então aquele é o teu comboio... Temos de dar um daqueles abraços. - Diz ele, convidativo.
Eu aproximo-me dele, e envolvo-o com os meus braços. Com o queixo pousado no seu ombro, sinto ainda mais vontade de rebentar em lágrimas. Contenho-me, cerrando os olhos por momentos.
- E não chegámos a dar nenhum beijo... - Comenta. - Achas que devemos arriscar...?
- Por mim sim. - Respondo rindo.
- Credo, até parece mal falar disto assim, arriscar a dar um beijo...
Hesitamos um pouco, depois aproximo-me dele, ainda com uma mão no seu ombro. As nossas bocas tocam-se. Sinto-me na lua. O aroma da sua boca deixa-me louco. Uma onda de sentimentos inunda-me o ser. Receio, por estar a fazer aquilo mal; frustração, por não ter feito aquilo antes; prazer, por estar a beijar o meu namorado; carinho, por estar a demonstrar o amor que sinto por ele.
Depois do beijo, damos um abraço rápido.
- Tens de ir, ou ainda perdes o comboio. - Avisa.
- Está bem... amo-te. - Digo, com a voz mais trémula do que nunca, dos nervos, e da nostalgia.
- Eu também.
Quando entro no comboio, sinto os olhares das pessoas que tinham estado a espreitar pela janela. Olhares frios e calculistas. Mas já nada me importa. Na minha cabeça ainda flutua o sabor dos seus lábios. Lembro-me de algo que ele tinha escrito na carta. "Os deuses deram-me a provar a sua Ambrósia". E nunca aquela frase tinha feito mais sentido para mim. Sento-me no comboio, recordando os seus olhos verdes... Sinto-me sortudo, por ter um namorado com a cor de olhos que mais gosto. Sorrio com este pensamento, enquanto o vejo pela janela, a descer as escadas de telemóvel na mão. E na sua cara, estava aquele sorriso. Aquele sorriso que não me sai nunca da cabeça, aquele sorriso que me deixa atordoado sempre que vejo. Dou um salto ao ouvir o meu telemóvel tocar. "Argh, deve ser o Miguel, mas que será que ele quer agora?" penso, esperando que ele não estrague o momento. Afinal não é o Miguel. Quando vejo o nome do K. no mostrador, carrego apressado no botão verde.
- Estou!? - Digo.
- Estou. Olha eu avisei que não sabia dar beijos... - Comenta.
- Oh, eu também não sei, mas adorei. E sei que quero repetir. Amo-te.
- Sim, eu hei-de cá voltar outra vez. Mas agora vou desligar. Adeus. Beijos.
- Beijos. Adeus.
Encosto o telemóvel ao peito, sentindo o meu coração bater por ele. Por aquele rapaz. Pelo K.. Faço a viagem toda de cabeça encostada à janela, num estado entre o dormir e o estar acordado. Aquilo a que muitos chamam "sonhar acordado". De tal maneira que quase passo a estação onde tenho de fazer o transbordo. Chego a casa. O silêncio do prédio pesa-me. Queria estar a entrar ali com ele. Mas não posso. Encosto-me à parede, deslizando por ela abaixo, até ficar sentado no chão. Contenho as lágrimas de saudade que tanto lutam para sair pelos meus olhos. Ergo-me, e bato à porta. O meu irmão abre-ma e eu entro com um sorriso no rosto, como se tivesse sido uma saída normal com um amigo. Mas foi muito mais do que isso. Foi um dia passado com o meu namorado, um dos melhores dias da minha vida e um que me vai ficar para sempre na memória. Como o K. escreveu: "É o último dia do mês, mas o primeiro em que nos vemos". Para mim, não foi só o fim do mês, foi o fim de uma espera de anos por aquele que me fizesse pensar nele o dia inteiro.

K., amo-te como a Terra deve amar a Lua...

K. (Parte 3/4) - De Mãos Dadas

Quando chegamos à estação do Oriente, já sinto em mim o peso da partida. Falta tão pouco tempo... E ainda não tive a coragem de o abraçar, de lhe dar um beijo... Penso nisto enquanto andamos às voltas, à procura de lugar e dos horários dos comboios. Compro o meu bilhete e, finalmente, decidimo-nos a entrar numa daquelas "salas de espera" com paredes de vidro que estava mais ou menos vazia. Sentamo-nos no banco, ainda a conversar, mas já sentimos no ar a nostalgia. As pausas começam a ficar maiores. Não, não é por falta de motivo de conversa, é porque hesito, não sei o que fazer. Ele volta a fazer o comentário que tenho mãos de pianista, por ter as unhas curtas. Eu sorrio, dizendo que não tenho treino. Quando dou por mim, observo a sua mão, aberta, pousada em cima do seu joelho. Respiro fundo, o meu coração bate que nem um louco. É o agora ou nunca. Entrelaço os meus dedos nos seus, acariciando-lhe a mão, olhando para ele. Ele hesita durante um pouco, olhando para as nossas mãos dadas, e acaba por pousar a sua cabeça no meu ombro. Solta um suspiro, dizendo o meu nome. Sinto um arrepio de prazer percorrer-me a espinha e pouco a minha cabeça no seu cabelo. Faz-me lembrar uma daquelas mantas fofas de penas. E assim ficamos, a conversar. A dada altura, entra um grupo de três raparigas e um rapaz. Eu e o K. apercebemo-nos que no estão a observar. O rapaz tem o telemóvel a tocar a Telephone da Lady Gaga. O K. surpreende-me começando a cantar, olhando para elas, desafiando-as. Por esta altura, já estamos sentados direitos. Acabamos por nos sentir desconfortáveis com os mirones e ele pergunta-me se quero ir para outro sítio. Aceno afirmativamente, e saímos dali. Procuramos por mais algum tempo lugar, sem conseguirmos. Quando ficamos um pouco a olhar para a estação de autocarros, acabamos por descobrir um sítio com bancos, que estava praticamente vazio. Um dos bancos estava livre, e tinha vista sobre a estações dos autocarros. Sentamo-nos, e eu acabo por pousar a minha cabeça no seu ombro, entrelaçando de novo os meus dedos nos seus. Comento que não quero que o dia acabe. E ele diz algo que me faz derreter. Há uns dias, quando fui a Penacova, atravessei uma ponte de madeira sobre o Mondego. Comentei com o K. que gostava de estar lá com ele, sentado na beira da ponte, com as pernas suspensas sobre o rio, com a cabeça no seu ombro e o meu braço envolvendo-lhe a cintura.
- Olha, estás a ver lá ao fundo? - Comenta. - Aquilo é o Mondego, temos aqui a ponte de madeira.
Eu sorrio, olho para ele. Tenho vontade de o beijar mas, de novo, tenho medo ao mesmo tempo. Eu nunca tinha beijado ninguém até então. E se algo corria mal? Ficámos assim por algum tempo. Comecei a sentir a voz tremer de vez em quando, as lágrimas ameaçarem a cair. Estava tão perto de o ter tão longe de mim... Contenho-me e continuo a conversa com ele. Apercebo-me, pelo som e pelo reflexo no vidro À nossa frente que há um grupo de quatro jovens que se senta atrás de nós, a um canto, no chão. Rezo para que não sejam as mirones de antes. Mas acabo por não fazer caso e continuar a falar com ele. Finalmente, o meu relógio marca a hora prevista para o meu comboio. Hesitamos em levantar-nos, sem querer separar as nossas mãos. Eu levanto-me, ainda com os dedos entrelaçados nos seus. Ele levanta-se e solta-me para pegar na mala. Caminhamos, passando pelo grupo de jovens. O K. comenta que tinha receio que fossem as raparigas da "sala de espera". Eu sorrio com o comentário, e ele revela que já tinha tido vontade de me dar a mão, mas que tinha receio de eu não o querer.

K. (parte 2/4) - Troca de Cartas

Quando finalmente conseguimos dar a volta ao cercado que tinham posto para uma corrida que estavam a fazer, procurámos por acentos (ou bancos) que não estivessem molhados. O K. corrige-me quando faço comentário de que os bancos estão molhados. "Vamos o usar o termo mais adequado", diz, "os bancos estão encharcados.". Mas lá encontrámos um banquinho de madeira que estava seco. Ou relativamente seco. Dou-lhe aquele papel, escrito à mão, que ele tanto pediu. Era o post Ele é aquele que... com uma dedicatória simples. Mas ele gostou, isso é que importa. ele dá-me a dele, dizendo-me para eu ler quando nos formos embora. Tento resistir a olhar, enquanto dobro o papel e guardo na carteira. Depois disso conversamos sobre os nossos melhores amigos. Começa a chover, e acabamos por ter de nos retirar para dentro do centro comercial. Após termos encontrado um banco vazio, sentamo-nos, frente a frente. Ele acaba por não resistir e lê, de novo, o papel que lhe dei. Observo-o atentamente, soltando de vez em quando um sorriso, fazendo-me a mim sorrir. Aperto a boina nas minhas mãos, nervoso, temendo a sua reação. A minha letra, comparada com a dele, são rabiscos. Ele olha-me, os nossos olhares cruzam-se ele comenta que está a tentar conter-se para não chorar. Eu respondo que não é minha intenção fazê-lo chorar. Finalmente, ele dá-me autorização para eu ler a carta dele. Sinto-me dividido entre o meu desejo de ler o texto, e o meu desejo de seguir o pedido inicial dele de esperar. Mas o primeiro acaba por vencer. Leio atentamente a carta. Não consigo evitar sorrir. Ele pede-me para não chorar, eu apenas consigo responder que estou sem palavras e que ele tem muito jeito para escrever. Chego ao fim, ainda sem conseguir descrever o que sinto. Não dá para descrever o amor. Volto a dizer que estou sem palavras. Apetece-me encostar-me a ele, pousar a minha mão na sua perna, que estava tão próxima de mim. Mas o medo domina-me, e resumo-me a aproximar-me um pouco dele, e comentar que ele tem imenso jeito para escrever, e que essa tinha sido uma das razões que me tinham levado a começar a falar com ele. Aí sentados, conversamos sobre tudo: família, amigos, estudos... Finalmente, parece-me que já não chove. Mas apanho uma desilusão, quando chegamos à entrada, quando constato que afinal as nuvens ainda não acabaram de aliviar a sua carga. Damos uma volta pelo centro, procurando acentos, sem sucesso. Acabamos por entrar na Fnac e falamos um pouco sobre gostos musicais, cinematográficos e de livros. Acabo por comprar um para as minhas aulas de inglês (O Dracula, escrito em inglês) e compro um em francês para oferecer à minha mãe pelo dia da mãe. Depois disso, finalmente a chuva acalma e encontramos uns bancos livres e secos. Ele oferece-me bolachas para o lanche e um iogurte. As bolachas aceito, ou não fosse eu conhecido como monstro das bolachas, mas tento recusar o iogurte. Depois de ele insistir, acabo por aceitar agradecendo. Eu já tinha passado um bocado mal ao almoço, ao deixar cair bocados de salada do hambúrguer, mas aquilo foi o cúmulo. Eu estava calmamente a beber o iogurte, quando, de repente, verto aquilo para cima de mim. Só consigo rir, de vergonha, inclinando-me para a frente com o iogurte a escorrer-me pelo queixo. Ele comenta o quão desastrado sou, e oferece-me um lenço, como antes tinha comentado que andava sempre com pacotes de lenço na mochila. Depois de me limpar, conversamos um pouco mais, antes de a chuva nos obrigar a voltar lá para dentro. O K. sugere que eu guarde o saco dos livros dentro da sua mala, para não se molharem, e eu agradeço-lhe. Depois, damos umas voltas ao Vasco da Gama sem encontrarmos lugar onde nos sentarmos. Finalmente, optamos por nos dirigir à estação, uma vez que faltam pouco mais de duas horas para a partida. Foi a primeira vez que olhei para o relógio, e desejei que ele parasse de contar o tempo.