Foi o que senti hoje...
Acho que as coisas me caíram em cima. Talvez seja só um dia mau? Espero que sim.
Senti um soco no estômago.
Porque tive saudades de algo que tive em tempos, mas que já não tenho.
Porque sei que há coisas na minha vida que não são exatamente o que eu quero.
Porque sei que há coisas na minha vida que são exatamente o que quero, mas que me assusta que as queira.
...
Passaram vinte minutos desde que acabei de escrever a frase acima. Desde então tenho apagado e rescrito o texto.
As palavras já não me saem como eu quero. Que é feito de mim?! Será que perdi a última coisa sobre a qual tinha controlo? Até mesmo as palavras se revoltam contra mim, já não chegava o meu próprio ser revoltar-se contra o que fiz, por saber que o que fiz torna errado o que quero realmente fazer?!
E o que quero eu?! Tenho medo de não saber o que quero. Mas sei. Eu sei bem o que quero. Sei perfeitamente. Mas nem sempre o que quero está de acordo com o que é correto, com o que é bom para mim, com o que não me vai magoar. Tentei agradar a um, pensado que me agradaria a mim. Mas as coisas não foram assim. Porque a tentar agradar a essa pessoa, senti-me deslocado. Senti que as pessoas à minha volta não concordavam com aquilo. E sei que vou sair magoado desta situação. Ou pelo menos um de nós vai. E se for essa pessoa, a culpa vai dominar-me, como sempre fez. Nunca tive problemas em ir contra os preconceitos da ociedade. Mas nunca me senti bem em ir contra os conselhos dos que me são mais próximos.
E porque raios neste mundo o que eu quero é sempre o impossível? Porque raios neste mundo o que eu quero é sempre aquilo que sei que é impossível de ter? E porque raios neste mundo o que eu quero vai sempre contra os ideais da sociedade?
Será que neste mundo há lugar para mim?
Será que eu serei capaz de emendar os meus erros?
Ou será que me vou acobardar e viver para sempre com eles?
...
Não quero... Por um lado, não quero viver com os meus erros para sempre. Por outro, não tenho a coragem de os emendar.
Porque é que tinha de ser agora? Porque é que tinha de me sentir assim tão deslocado neste momento? Porque é que tinha de me sentir tão perdido, sem saber como, ou o que fazer, sem ter nada por garantido? Ou por só ter garantido que vou magoar-me, quer emende os erros, quer não...
Mas será que tenho o direito de emendar os meus erros, sem olhar a quem magoo com isso?
Mas será que tenho o direito de manter os meus erros, sem olhar ao que me deixa neste estado?
...
Estou a desabar. O meu mundo - a escrita -, até mesmo o meu mundo se está a virar contra mim! Aquelas a quem eu chamava minhas súbditas, por expressarem o que eu queria expressar, mesmo que não fosse o que eu sentia, estão revoltadas. As palavras já não querem expressar exatamente o que sinto... Será que é porque o que sinto é confuso? Irracional?
Nunca fui muito à bola com pessoas inconstantes, que parecia que não sabiam o que queriam.
Agora, não vão muito à bola comigo mesmo, porque me sinto inconstante, apesar de saber o que quero.
E agora sinto compaixão por essas pessoas inconstantes.
Só estando nesta situação é que se consegue compreender o quão avassalador isto se pode tornar.
E arrependo-me de ter sido duro com amigos meus que passaram por isto.
O que eles queriam era o meu apoio e os meus conselhos, não o meu julgamento. Para serem julgados, já lhes bastava a eles próprios...
E sinto um soco no estômago. Uma vontade de desaparecer. Este mundo é cruel para mim.
Pergunto-me que mal fiz eu para merecer isto?
Estúpido. É óbvio que sei o que fiz mal para merecer isto. E isso corrói-me. Porque não estou a ter mais do que o que mereço.