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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Um Dia Inesquecível...

Não vou dar muitos pormenores sobre o tempo que passei com o Elijah, isso farei mais tarde no As Seen From The Stars, já que isso tem tudo a ver com a nossa relação. Resta-me dizer que foi um dia fantástico, e que tenho imensas boas memórias dele.

Quando ao que vou contar aqui... Tem mais a ver com o Pai e a Mãe. Quanto à Mãe, ela pareceu um pouco... como hei-de explicar...? Um pouco acanhada em relação ao Elijah. O Pai, por outro lado, ainda tentou fazer conversa ao jantar. Mas essa tentativa saiu-lhe mais bem sucedida depois, no carro e no Terminal Rodoviário de Sete Rios, onde o Elijah apanhou o autocarro de volta a casa. O Pai perguntou-me como eu o tinha conhecido, e eu contei-lhe muito resumidamente a história: "Na altura andava com aqueles sentimentos de que eu não deveria ser quem sou, e depois encontrei o blogue onde o Elijah (claro que o pai o conhece pelo nome verdadeiro hahaha) escrevia sobre as suas experiências de vida, depois entrei em contacto com ele e daí nasceu uma amizade...". Depois ele perguntou se isso tinha dado em namoro ou se já nos tínhamos conhecido há mais tempo. Foi então que ele nos perguntou à quanto tempo nos conhecíamos e percebemos que já nos conhecemos à cerca de nove meses. Quase um ano, se forem a ver bem. Mas ainda assim, eu e ele estivemos sete meses como amigos, dois como namorados e sempre a contar. E percebi como o tempo passa depressa. Não me parecia assim há tanto tempo. A melhor parte de saber que o tempo passa depressa? Vai custar menos esperar por finalmente o ter de novo nos meus braços, e o ter nos meus braços todos os dias :)

Depois de deixar o Elijah (e de me despedir dele devidamente), eu e o pai fomos andando para o carro. Primeiro fez-se um silêncio um pouco constrangedor. Mas depois o pai acabou por falar. "Eu fui falar com um psicólogo, meu amigo, e expliquei-lhe a situação, para saber se ele poderia ajudar. Ele disse-me que não era a pessoa indicada, mas deu-me o contacto de uma colega dele que se especializa no assunto, em acompanhar pessoas como tu, assumidas a inserir-se na sociedade. Se achares que precisas de apoio, basta dizeres e eu ligo-lhe.". Eu concordei. Agora acho que me caiu ainda mais em cima isso... O ser assumido. Para os meus pais, para os meus amigos e, graças à delicadeza de um certo individuo que conhecem como Miguel, é bem provável que para a escola inteira... Como disse ao meu pai, por enquanto não preciso... Mas depois... Eu sei como não é fácil. O ser gozado por causa disso, os olhares que as outras pessoas nos dão...Se bem que, se querem saber, os olhares são fáceis de ignorar. Apercebi-me disse quando passeava pelas margens do Tejo e pelo Oceanário de mão dada com o Elijah. As pessoas olharam (acho que as que não olharam com estranheza foram só os funcionários do Oceanário hahaha), mas eu simplesmente ignorei... Mas consegui fazê-lo porque sabia que tinha aquela mão quente e macia a envolver a minha, e que me protegeria de tudo. Quando as aulas começarem... Apenas terei a memória dessa mão. Mas acho que será uma boa razão para lutar: para voltar a sentir o meu namorado a dar-me a mão, a acariciar-me o rosto, a beijar-me. Isso, de certeza, dar-me-à forças. E sei que terei o apoio dos meus pais, dos meus amigos, e do Elijah. Mas não nego que às vezes seja sensato pedir o apoio de uma pessoa especializada no assunto... Até porque entre os meus pais e o meus amigos, poucos sabem da situação, e talvez ainda menos saibam que conselhos me dar. e eu sei como é... Ver alguém falar connosco e não saber o que dizer ou fazer... Acaba-se a desejar que a pessoa encontre alguém que saiba como a ajudar. Eu tenho a sorte de ter isso. E nunca tive aversão a ir a um psicólogo. Por enquanto, não sinto que precise, até porque estou numa das fases mais felizes da minha vida. Mas agora que tenho essa oportunidade, não hesitarei em usá-la em caso de necessidade :)

Cheers!! =D

quarta-feira, 9 de março de 2011

Tempo

Tic. Tac. Tic. Tac. Tic. Tac.
O relógio marca as horas compassadamente, quebrando o pesado silêncio que se instala por momentos nas pequena divisão. As horas passam, como sempre passaram por aquelas paredes outrora brancas, mas que são agora amareladas. A atmosfera de melancolia e preguiça começa a pesar-lhe nas pálpebras. Mas não quer adormecer, não quer perder mais tempo do que já perdeu, ali sentado, a olhar para o pêndulo.
Esquerda. Direita. Esquerda. Direita. Esquerda. Direita.
O pêndulo agita-se lentamente de um lado para o outro, num movimento hipnotizante que o faz querer ainda mais fechar os olhos e adormecer. Mas o tempo perdido não é recuperável. Então porque continua ele ali, preso naquela sala, sem ninguém, a observar o tecido antigo e floreado da poltrona onde se senta? Porque continua assim a olhar quieto para o tempo passar. O tempo. Esse que passa sem nos aperceber-mos. Esse de quem nos arrependemos ter deixado passar.
Tic. Tac. Tic. Tac. Tic. Tac.
O relógio continua incessavelmente a marcar os segundos, os minutos, as horas. Os raios de sol começam a perder força, dando lugar a uma luz cada vez mais azulada da lua. O tempo continua a correr, fugindo do domínio das coisas vivas. E atrás do tempo, sempre ele corre, mais lento, mas corre. E observa de novo a mesa de madeira antiga e gasta, com um jarro com flores. Os seus olhos perscrutam o móvel antigo. Observa os copos que vê através dos vidros das portas do armário. O seu olhar pousa de novo no pêndulo.
Esquerda. Direita. Esquerda. Direita. Esquerda. Direita.
Ele deseja que o tempo também pudesse voltar atrás, tal como o pêndulo volta sempre para a direita depois de ter estado à esquerda. Talvez assim não perdesse o tempo da sua vida à espera. Talvez assim conseguisse corrigir os erros do passado. Talvez assim ela ainda estivesse com ele. Uma lágrima desliza pela sua cara, também ela marcada pelo tempo. A saudade aperta-lhe o coração, dá-lhe um nó na garganta, um vazio no estômago. O tempo roubou-lhe tudo. A vida. O amor. A felicidade. Outra lágrima escorre. Mas o relógio não pára para se certificar de que ele está bem. O tempo continua. Ele olha em volta, recordando-se de quando ele e ela se sentavam ali, aconchegados nos braços um do outro, recontando o passado, falando no presente e planeando o futuro. Futuro. Que futuro é este sem ela? Nada do que planeou. Mas ele continua cá vivo, para agradar aos caprichos do tempo. e mais uma lágrima de saudade escorre pela sua face enrugada.
Tic. Tac. Tic. Tac. Tic. Tac.
Ele sente movimento a seu lado. Alguém entra na sala. O seu coração agita-se. É ela. Ela que já não estava entre os vivos, observava-o agora, com os seus cabelos prateados ondulantes. Estende-lhe a mão. Ele olha para o relógio. É chegada a sua hora. A hora de finalmente se juntar a ela, a única que sempre lá esteve. Olha em volta, procurando por mais alguém. Como sempre, está sozinho. Não hesita e dá-lhe a mão. O seu coração já morrera com ela, de qualquer das formas, pois mais ninguém neste mundo lhe deu razões para voltar a amar. Não era só o tempo que o rejeitava. Eram as pessoas. Ela leva-o, guia-o para fora da sala. Ele olha de novo para a divisão, num último olhar de despedida. Na poltrona, vê o seu corpo, com um sorriso melancólico no rosto, de olhos fechados. A expressão da esperança. A esperança que os muitos que sofreram como ele deixem de sofrer. Observa de novo o pêndulo.
E o pêndulo está parado, assim como o seu coração que já não bate, mas que está mais vivo do que nunca.