domingo, 20 de fevereiro de 2011

Staring at the ceiling

Deitei-me. Liguei o mp3 na última música que tinha tocado. Observei o tecto branco. All night, staring at the ceiling, counting the minutes I'm feeling this way, so far away and so alone... Foram as únicas palavras que me ficaram na cabeça da música All in, dos Lifehouse. Tinha tudo a ver com o momento. Fiquei à espera. O tecto branco, sem manchas. Sem nada. Continuava imutável. E eu continuava a olhar para lá, já sem prestar atenção às palavras das canções seguintes. Algo me atraía para aquela visão, tão nua e desinteressante, mas tão significativa para mim. Sim. Porque é assim que a minha vida corre neste momento: desinteressadamente. A minha vida apenas decorre por decorrer, vivo apenas para me manter vivo: já não vivo por aquele sonho, não vivo por aquele sopro, aquele toque, aquele beijo, aquele momento. Vivo apenas para estar vivo quando esse sonho, esse sopro, esse toque, esse beijo, esse momento chegar. Se não chegar? Morrerei à espera. Tempo perdido a olhar para o tecto. Quando dou por mim, a cor começa a deixar de ser branca, passa a um amarelado, depois a um azul claro, um azul mais escuro. Negro. Adormeci. Acordo horas depois, ao som da Na Na Na, dos My Chemical Romance. Subitamente, essa música dá-me vontade de dançar, abanar o capacete, acompanhar a letra tão simples e, no entanto, tão animadora. Na na na na na na... No meio disto, pergunto-me o que está errado comigo. Estou instável. Não sou o mesmo rapaz que era antes: decidido, determinado, positivo, alegre. Este pensamento provoca-me um pequeno sorriso cínico. Claro que não sou o mesmo rapaz. Já não sou ingénuo e já me conheço a mim próprio bem demais. Está tudo tão diferente... Anseio pelos tempo de infância onde tudo era mais fácil. Eu era um miúdo esperto. Quando a maioria dos meus amigos diziam: "Eu quero ser grande para poder fazer as coisas que as pessoas grandes fazem"; eu respondia: "Eu quero ser pequenino para sempre, para não ter de lidar com os problemas com que a gente grande lida: trabalho, contas, família. Eu quero ser pequenino para sempre, para ter a vida fácil e alegre.". Eu quero ser pequenino... Apagar todos os erros que cometi, recomeçar de novo... Dar cor a este tecto branco sem sentido...

6 comentário(s):

Mark disse...

Quem não queria voltar a ser criança... Eu adorava... ^^

Unknown disse...

Eu também, e creio que a esmagadora maioria dos seres humanos que caminham pela terra gostariam de voltar a ser crianças. Aquela sensação de descobrir algo novo. Bom, hoje em dia ainda tenho essa curiosidade em estar sempre a aprender coisas novas, mas há muito mais responsabilidades com que tenho de me preocupar. Responsabilidade. É uma palavra que me causa arrepios sempre que penso nela. Dá trabalho ser responsável. E eu sou preguiçoso, por isso custa muito ser responsável... xD

Mark disse...

Somos parecidos, então. (: Eu também sou preguiçoso e odeio responsabilidades. O que vale é que não tenho muitas.

Unknown disse...

Lo. Tens irmãos mais novos? Essa é a pior das minhas responsabilidades. Tenho depois outras como os estudos (e cozinhar quando estou sozinho, mas sou um tipo dado a experiências de laboratório, por isso, até gosto de testar novas receitas :D) A bom ver, não tenho muitas, mas tenho as que menos gosto -.- (lol)

Mark disse...

Não, só tenho irmãos mais velhos, felizmente. (: A maior das minhas responsabilidades são os estudos, claro... Quanto a cozinhar, nunca fiz absolutamente nada na cozinha. Ahahahah :D

Unknown disse...

Hahaha. Essa é outra coisa que tens de experimentar ;p É sempre uma sensação satisfatória de prazer quando vemos a comida acabada de fazer por nós a ser apreciada por outra pessoa (nomeadamente o meu irmão). De momento ando a tentar aperfeiçoar a minha técnica com as panquecas *.* (Só me falta conseguir que fiquem redondas e não com uma forma elíptica por não as conseguir virar...) Mas proporciona-me a mim tanto divertimento como receber prendas no natal. Aliás, cozinhas é como receber uma prenda: nunca sabes o que vai sair dali xD

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