sábado, 7 de maio de 2011

Aquela sensação de satisfação...

... quando sei que sou uma das únicas quatro pessoas que consegue fazer rir o meu "primo emprestado" SEMPRE que ele nos vê...

Ele é um rapazinho de quatro meses, que foi batizado hoje. Os meus pais foram os padrinhos. Já conhecemos o casal há mais de um ano, penso? São amigos da família. E o pequerrucho já é como um primo aos meus olhos. Por isso digo que é Primo Emprestado. E hoje estive a brincar com ele. A fazê-lo rir-se, quando ele estava deitado em cima da mesa. Naquele momento, quando aquele bebé me fez aquele sorriso, o mais genuíno que se pode encontrar, eu soube que o amava. Parece estranho? Mas sim, ele é para mim como um membro da família. Aqueles olhos expressivos, que quando os vi pela primeira vez eram de um preto-azulado, estão agora castanhos escuros, orlados por aquela cor que tinham quando nasceu. E foi nesse momento que tive uma prova de que eu seria capaz de amar uma criança como sendo meu filho, mesmo que não fosse sangue do meu sangue. Não é tão difícil como possa parecer a alguns. Eu sempre pensei em ter filhos, e já referi isso antes no blogue. Mas desde que me assumi, que tive umas ligeiras mudanças sobre o assunto. Para mim deixou de fazer sentido ter um filho sangue do meu sangue, porque isso significaria ter de pagar a uma barriga de aluguer. E com tantas crianças que precisam de ser adotadas por pais dispostos a amá-las, acho que seria simplesmente desnecessário no meu caso, já que o facto de eu não poder ter filhos com a pessoa que amo se deve à minha sexualidade e não a alguma doença que me impossibilite de o fazer.

E digam lá se não é impossível não nos apaixonar-mos por um sorriso como o deste bebé...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O que o meu nome diz sobre mim.

Eu estava cético, a ler aquele quadro antigo que tinha o meu nome e o seu significado e a minha personalidade consoante o nome. E nele podia-se ler, nos traços de personalidade:

Oscila durante muito tempo entre dois pólos: asolidão e avida em sociedade (Humm... Check.), a dúvida e a confiança [Totally me O.O], o essencial e o supérfluo [Nãão... Para mim "somente o necessário, o extraordinário é demais"! E daí... Ás vezes tenho umas pancas um bocado para o supérfluas... Check]. Tem um temperamento criativo e grande força de vontade. [Bom, ás vezes não parece, mas sim, tenho uma força de vontade, leia-se teimosia, de invejar. E criativo? Bom, you tell me. Mas acho que sim, que sou criativo.]
No fundo é um apaixonado que tenta dominar-se, um individualista que tenta adaptar-se. [Ceck aaaand check...] O tempo é o seu aliado e joga a seu favor. [Há uns tempos eu não diria isso... Mas temos de dar tempo ao tempo, e ele pode trazer-nos coisas fantásticas ;)]

quinta-feira, 5 de maio de 2011

J.T.

Ultimamente a minha vida tem girado à volta de pessoas. Costuma ser à volta dos sentimentos, mas as coisas estão diferentes. Hoje eu perguntei ao J.T., sendo ele da mesma turma que a Bia, se lhe podia pedir para ela vir ter comigo, que eu precisava de falar urgentemente com ela sobre um assunto. Esse assunto era o Miguel, mas enfim. Agora à pouco, ele perguntou-me o que queria eu falar com a Carolina. Disse-lhe de que se tratava. E depois ele perguntou: "E porque é que tens essa data no teu nick: 30/4/11?". O meu coração começou a bater mais depressa. "Porque tive um dia bom...". Mas ele não se deu por satisfeito.
- E porque é que foi um dia bom?
- Porque fui ter com uma pessoa, e depois fui ao Karaoke com o meu pai...- Informo.
- Uma pessoa?
- Sim...
- Porque é que tu e a Bia me contam sempre as coisas em último?
- Não é uma questão disso, é só que eu não sei se reagirias bem ou mal...
- Porque é que havia de reagir mal?
- Porque eu namoro com essa pessoa... E essa pessoa é um rapaz... Não te contei antes porque não sei qual a tua opinião...
E então, fiquei preocupado. Eu acabara de dizer ao meu melhor amigo que sou gay, e não fazia a mínima ideia de como ele iria reagir.
- A minha opinião sobre as outras pessoas? Não importa. Tu és o meu melhor amigo à 11 anos, não é por causa disso que me ia afastar de ti.
Senti-me aliviado. Ele acrescentou que não queria servir de vela. Eu respondi que não tinha intenções de ter velas ao meu redor quando estiver de novo com o K.. xD. Acabei por lhe pedir desculpa por ter tido receio de lhe contar. Mas ele parece ter aceite bem e de forma compreensiva. :) Mais uma boa surpresa para o dia de hoje. Sinto-me bem com todo este apoio por parte das pessoas a quem contei, e espero que muitos tenham a mesma sorte que eu tive de ter amigos compreensivos e de mente aberta, que vos apoiem incondicionalmente.

Cheers =D

C.

É uma letra curta. Bom, eu já falei nas gémeas. A I. é a tal rapariga que gosta de raparigas x) E a C. é a irmã gémea dela. E ela é uma pessoa carinhosa e, surpreendentemente, uma ativista em relação aos direitos LGBT. Bom, não é assim tão surpreendente quando ela sabe a situação em que a sua irmã está, mas, ainda assim, isso demonstra que ela é uma pessoa corajosa de caráter louvável. Ela contou-me que ainda há pouco tempo, na disciplina de Português, fez uma apresentação oral sobre os direitos LGBT. Ela comentou que não gostou da reação da turma e até mesmo da da professora. Entristeceu-me saber que assim aconteceu, apesar dos esforços dela por mostrar um ponto de vista nobre. Quando lhe contei que tenho um namorado, ela não ficou nem confusa, nem surpreendida. A primeira coisa que ela me disse foi "Awww *.* Tão fofos! Fico feliz por ti :)". Isto arrancou-me um sorriso da cara, mas o que ela me disse a seguir, ainda me fez ficar mais feliz por ter amigos destes.
- Estás na escola? - Pergunta, por sms.
- Não, já estou em casa... Mas querias falar pessoalmente comigo, era? - Respondo, um pouco receoso.
- Não era isso, é que queria dar-te um abraço!
- Um abraço, porquê? - Interrogo, com um sorriso na cara.
- Porque estou feliz por ti!
E ela deu-me hoje esse abraço. Ela sempre foi uma pessoa afetuosa, mas nunca me tinha dado um abraço tão longoo x) [K., está descansado, que não troco os teus abraços por nada deste mundo, a não ser por um beijo teu ;)]. E foi mesmo em frente à minha turma. Só reparei nisso pouco depois de ela me ter soltado. Sentia-me constrangido e feliz ao mesmo tempo. Estou mesmo carente! x)

Devo admitir que o abraço fez-me o dia. E depois de ter tido o teste intermédio de Química... Por acaso até me correu bem, valha-me isso.

Do Miguel, nem sinal. Pela primeira vez depois desta situação, não me enviou nenhuma sms nem me falou. Cruzámo-nos na escola, senti o ambiente de gelar o sangue, mas nada mais. Já está a evoluir para um caminho mais agradável, se é que esta situação se pode tornar nisso...

Cheers!! =D 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Quando é que isto acaba..?

O rapaz é pior que as lapas, não me larga. Sempre a mandar sms, como se eu fosse responder! Refiro-me ao Miguel, como devem calcular... A penúltima sms que ele me enviou foi a dizer "Não aguento que fiquemos de costas voltadas, não vou deixar as coisas assim, vou lutar para te reconquistar". Enfim, não lhe respondi. Uma vez que eu tinha bloqueado o seu contato no msn, ele resolveu-se a usar o mail antigo! É manhoso, o bicho, hun? Enfim. O meu nick do msn era a tradução de uma frase que eu adorei por me ter feito rir, e diz o seguinte: "A rapariga casou com o príncipe, e o homem mau morreu. Esta semana deve ter sido patrocinada pela Disney xD". Ele entrou no msn com a sua conta antiga e disse "o homem mau pode fazer muito pior do que morrer". Eu detetei imediatamente a mensagem subliminar daquelas palavras, mas não fiz caso, e apenas disse "Miguel, o que é que queres? É que não sei se percebeste, pelo facto de eu não te responder às sms, que não quero falar contigo.". Ao que ele responde: "Pois, mas eu não ligo a isso!". Acabou de admitir que não liga ao que eu faço, que boooom.. -.- Bloqueei o seu antigo contato, para evitar ter de o ouvir mais. Mas nem assim... Voltou a mandar uma sms, mas desta vez muito mais explicita, dizendo: "agora vais ver como o homem pode ser mau". Estive para lhe enviar uma sms a perguntar: "Isso é uma ameaça?!". Mas acabei por não o fazer. Se ele acha que me pode atingir, tudo bem, que faça o que bem entender. Eu só sei de uma coisa - ele não tem forma de me atingir. Tenho tudo o que quero e preciso: amigos que me apoiam tal e qual como sou e em quem posso confiar, um namorado que amo e que sente o mesmo por mim. Tenho a meu lado as pessoas mais importantes da minha vida. Como apoio delas, sei que consigo superar qualquer obstáculo que o Miguel queira criar. E o que farei contra isso? Absolutamente nada. Não lhe vou dar a importância que ele não merece. Esta amizade já há muito que está a cair aos bocados e, desta vez, não há meio de a reparar.

No meio desta batalha toda, ainda luto para conseguir estudar... Mas acabo sempre a divagar da matéria... Maldita química... Enfim.

Falando em divagar...

Quero estar assim contigo, K. ;)

A pain in the neck...

Ontem teu e a Bia começámos a falar do Miguel. Ele contou-lhe que eu estava chateado com ele. E ela tentou defendê-lo. Mas parece que ele omitiu convenientemente as palavras duras que me tinha dirigido... Até porque a Bia ficou surpreendida quando lhe contei as coisas frívolas que ele me havia dirigido, e deixou de estar tanto do lado dele. Ela chegou a dizer inclusive que ele gostava era de mim, e não do namorado dele. Enfim, se o que ele faz é a sua maneira de demonstrar que gosta de mim, realmente não quero ver quando ele me odiar... E ontem recebi uma outra sms dele. Disse que tinha acabado com o namorado. Lindo, mais uma vítima colateral que fica magoado por causa dele. Sinceramente, acho que ele queria que eu tivesse pena dele, mas conseguiu exatamente o oposto. Tenho é pena do ex-namorado dele, que se deve estar a sentir usado como um objeto, tal como eu me senti. Por mais que eu queira esta história acabada de vez, parece que estou condenado a que ela me persiga para onde quer que eu vá... E depois eu também recebo danos colaterais, porque sinto-me culpado pela magoa que o ex-namorado dele possa estar a passar. Se eu não tivesse cortado relações com o Miguel, ele nunca teria acabado com o rapaz... Mas que posso eu fazer?! Nada. Até porque nem o conheço. E se voltasse a perdoar o Miguel por causa disso, só estaria a tornar as suas palavras verdadeiras: "Tu só me perdoas-te por pena!". Ele disse isto porque eu comentei: "Se não tivesse sido por eu ter conhecido o K., acho que não te daria outra oportunidade". Talvez até soe como se eu o tivesse perdoado por pena, mas isso fui eu que não me fiz entender bem. O que eu senti foi que a vida me tinha dado uma oportunidade e pensei que, já que eu tinha tido essa mesma oportunidade, talvez pudesse dar uma ao Miguel. Escusado será dizer que aprendi com o erro...

terça-feira, 3 de maio de 2011

Cansado... e apaixonado :)

Cruzei-me com o Miguel... Acusou-me de estar a agir como uma criança de cinco anos por estar a reagir assim às palavras dele. Ótimo. O mais engraçado é que ele só o fez já por sms, depois de termos falado cara a cara. Ele já nem foi capaz de me acusar de nada frente a frente depois de eu o ter feito ver o que me tinha dito. Enfim, esse é um assunto em que quero deixar de pensar.

Andei o resto da tarde com a vontade de ser abraçado pelo K. ... Tenho de me habituar a controlar esses desejos, pelo menos até voltarmos a estar juntos. Corri para casa, ao fim do dia, para poder falar com ele. O K. tanto é capaz de me fazer rir com as suas palavras, como fazer-me derreter. É um rapaz simpático e carinhoso, ele :)

Pouco mais há a dizer acerca do meu dia de aulas. Foi um dia normal, leia-se que foi um tédio... Anyway, nem sempre as aulas podem ser do nosso agrado. Mas as de hoje forma mesmo passadas a passo de Caracol. E não me saia da cabeça aquele primeiro toque quando demos as mãos, aquele tímido primeiro beijo... Mal posso esperar por repetir... :)

Tenho andado com vontade de cantar. Cantar a plenos pulmões. Dançar como se não houvesse amanhã. Mas como não sei cantar, e caio em vez de dançar... Lá me contento a ouvir música x)

Cheers! =D

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Como Nunca Antes...

O dia passou-se bem. Com a Jú é sempre a rir. Relembrámos sexta-feira, quando ela comprou uma maçã e me disse:
- Gosto das maçãs como gosto de ti. Duras.
- Elá! - Rio, surpreendido. - Isso em inglês ficaria algo como... I like apples just like you: Hard.
Mas prontos, coitada, ela, para além de já ter namorado, não faz muito o meu género... E sim, ainda há o pormenor que eu também já estou comprometido x) Mas isso ela não precisa de saber...

Mas hoje aconteceu algo que nunca antes eu tinha feito. No fim das aulas, caminhava rua acima, em direção a casa. O Sol do fim de tarde bateu-me nos olhos. Olhava em frente, observando os reflexos que a luz fazia. Fechei os olhos e respirei fundo, imaginando o K., junto a mim. A rua estava vazia, e começo a cantar a Jungle Drum da Emiliana Torrini. Sinto-me tão bem. Como nunca antes. Como nunca pensei ser possível. Quando terminei, ouvi o silêncio, quebrado apenas por um ou outro carro a passar. E no silêncio, ouvia a sua voz, calma, conversando comigo, naquele banco em frente ao Mondego imaginário... Quero gritar ao mundo o quanto o amo, o quanto quero estar com ele neste momento e nos que se aproximam. Mas o mundo, não, as pessoas do mundo, não me deixam fazê-lo, com essas mentes ignorante e fechadas, que desprezam tudo o que foge às regras por elas inventadas.

Por sorte, nem toda a gente é assim, e tenho alguns amigos com quem contar. Por exemplo, ontem, contei ao M. que tenho um namorado. O M. é um rapaz em quem sempre confiei. Pervertido, mas que surpreende com os valores que defende. Eu sabia que ele tinha uma amiga bissexual e que, para ele, isso não era motivo para deixar de ser amigo dela. Ele perguntou:
- Tens namorada?
- Não... - Respondo.
- Então como me vais explicar o teu nick [do msn] a dizer aquela data e a terminar no "amo-te"?- Então, não há muito a dizer... Gosto de uma pessoa... E estive ontem com essa pessoa. - Informo.
- E posso saber quem é a menina? - Interroga.
- Não é uma menina. - Comento.
- Ah, então quem é o rapaz? xD - Graceja.
- Mora perto do Porto, não conheces... - Digo.
- Não sabias arranjar mais longe? - Pergunta.
- Olha, quando não consegui arranjar cá... - Respondo.
- Mas estás a falar a sério, bro? - Inquire, surpreendido.
- Sim.
- Oh... Apanhaste-me um bocado de surpresa. Mas sabes que por mim isso não é problema, e terás sempre o meu apoio no que quer que faças.
Ele sempre foi alguém que enfrentava a vida com um bom senso de humor (que algumas vezes tocava o macabro), e sempre se caracterizou por alguém com uma mente bastante aberta a novas ideias e muito pouco preconceituoso. Eu digo que muitas vezes as pessoas surpreendem-nos, porque nunca saberemos como é suposto elas agirem em determinada circunstância até estarem a passar por ela. O M. já tinha passado por uma situação semelhante e tinha reagido bem, por isso senti-me confortável a contar-lhe.

Ontem, descobri também que uma amiga de longa data, que tem uma irmã Gémea e se chama I. também é homossexual. Quando ela me contou, também lhe confessei qual a minha verdadeira orientação sexual. Ambos ficámos surpreendidos, porque nenhum de nós fazia a mínima ideia desse facto acerca do outro...

Enfim, até agora, tem sido sempre boas notícias, sem contar com aquele desentendimento (permanente) com o Miguel, e com o facto de a Bia achar que o B. está a agir de forma estranha...

Staring at the Ceiling for Another Reason

Hoje de manhã acordei com o telemóvel a  tocar. Era a mãe. Coisas do costume: Ver se eu estava a pé, se o meu irmão se estava a despachar a ir para a escola... Quando desliguei, deitei-me na cama, olhando para o tecto branco. Isto fez a minha mente viajar de novo ao passado. Lembre-me de algo que tinha escrito aqui... 

"Já não vivo por aquele sonho, não vivo por aquele sopro, aquele toque, aquele beijo, aquele momento. Vivo apenas para estar vivo quando esse sonho, esse sopro, esse toque, esse beijo, esse momento chegar. Se não chegar? Morrerei à espera"

E esse sonho, esse sopro, esse toque, esse beijo... Todos chegaram contigo, K.

E relembro o quão mal eu estava no passado. Cheguei mesmo a repreender-me a mim próprio, a ser duro comigo mesmo. Porquê? Porque eu não queria ser homossexual! Não queria ter de enfrentar os problemas que isso poderia causar. Credo, cheguei inclusivamente a dizer a mim mesmo "Tu tens de ser normal.". Mas depressa percebi a ignorância nas minhas palavras. Eu sou normal, só amo de forma diferente. E claro, sempre tive aquele sentimento de frustração por ter de enfrentar os problemas que a etiqueta "gay" poderia trazer. Mas hoje, não posso desejar por mais nada. Foi por ser quem sou, que conheci aquela pessoa especial, foi por ser quem sou, que conheci o amor. Foi por ser quem sou que o amor também me conheceu a mim. Desde do dia 21, quando te enviei aquela "carta" onde dizia "Quando as pessoas perguntarem se há alguém especial, gostava e poder responder orgulhoso: Sim, chama-se K. e é o meu namorado. Que te parece?", já vão exatamente dez dias. Os dez primeiros dias de namoro. E aquela sensação que sinto no peito quando digo para mim mesmo "tenho um namorado que amo" já não é uma sensação de estranheza, é uma sensação de alegria, liberdade e saudade.

Como tu não te cansas de fazer, eu agradeço-te, K., porque se não fosse por ti, eu ainda estaria a pensar que ser homossexual era algo que apenas me dificultaria a vida. Se não fosse por ti, eu não teria ninguém por quem viver.

No fundo, às vezes sinto-me mal, porque sei que há muita gente que gostaria de ter o que eu tenho, mas está como eu antes de o ter conhecido. Não quero despoletar neles os ciúmes ou a inveja, como a mim me acontecia. Na altura, cada casal que eu via - gay ou hetero -, enchia-me de ciúmes, claro,  mas havia algo mais. Algo que eu não conseguia explicar, mas que sei hoje o que é. Esse algo mais, essa pitada quase imperceptível de um sentimento aconchegante, era a esperança. A esperança de um dia ter o mesmo. E é isso que eu quero transmitir aos outros, a Esperança de um dia encontrarem a sua cara metade, porque acredito que todos temos no mundo aquele alguém especial à nossa espera. E se não for perto de vocês, será longe, tal como eu e o K. estamos separados por quatro horas de comboio.

Como eu sei que gostavas de me levar à praia...

domingo, 1 de maio de 2011

Um nome a ser riscado.

Pouca gente me consegue pôr fora do sério. Uma dessas pessoas é o B., o namorado da Bia. A outra é o Miguel. E este último conseguiu de novo fazê-lo. É uma longa história... Vamos resumir-nos ao facto de que ele me acusou de certas coisas que não gostei e acabou, finalmente, a dizer "Estou me nas tintas, já não preciso de ti". Senti-me um objecto. Um casaco que ele ira quando já não está a chover. E a verdade é que dói quando alguém diz tal coisa. Ele acusou-me ainda de eu não fazer nunca nada por ele. Que mais posso eu fazer, um comum mortal, que nem sequer andava na mesma escola que ele durante a maioria da nossa amizade, e pouco estava fisicamente com ele para além de conversar com ele sobre o que ele quisesse? Que esperava ele? Que eu movesse montanhas? Ainda por cima depois de ter ouvido palavras duras vindas dele como "Tenho nojo de ti" ?! Não. Mover montanhas, não o faço por qualquer um, muito menos por alguém que me magoou de todas as oportunidades que proporcionei para que voltasse a entrar na minha vida. O K. comentou que, por esta altura, ele já teria impedido que o Miguel o magoasse, cortando relações com ele. Eu tinha medo de o fazer. Sabia que a primeira coisa que ele me diria era: "Tu fazes sempre isso. Se não queres a nossa amizade, mais valia teres acabado agora". Quer dizer, primeiro ataca-me, obrigando-me a tomar medidas estremas para me proteger das palavras dele, depois acusa-me de eu ser um extremista que não quer a amizade dele para nada. Provavelmente um especialista em Psicologia saberá melhor que eu, mas a mim, isto parece-me Psicologia Invertida no seu estado mais macabro e retorcido... Acabei por lhe dizer que não valia a pena tentar novamente falar comigo, porque com paciência para receber acusações já não estou eu há muito tempo. E estou farto de me deixar ir abaixo com o que ele me diz. Estou farto, farto, farto. Ele consegue-me pôr com medo de ser alguém como ele, porque me acusa de ser idêntico a ele. E se ele tem razão? Se eu sou diferente daquilo que idealizo? Afinal, ele diz que não é aquela pessoa ruim que eu vejo... Se ele não consegue ver em si os seus piores traços, conseguirei eu ver os meus? Não. Não vou pensar mais assim. Eu tenho certos valores e defendo-os porque são os valores que sigo. Se o ideal que tenho de mim próprio é moldado em função desses mesmos valores, e se sou capaz de identificar os meus defeitos, como o ser preguiçoso, teimoso e ás vezes invejoso, então seria capaz de perceber se tenho os mesmos defeitos que o Miguel. Sempre senti dificuldades em julgar-me. Afinal, é mais fácil julgar os outros do que a nós mesmos. Mas há algo que sei que sou. Sou perfecionista, toda a gente se queixa dessa minha faceta. E há uma pessoa para a qual o sou de tal maneira, que chego a ser demasiado exigente. Comigo mesmo. Eu sou o meu pior inimigo. O Miguel está a fazer concorrência comigo próprio. Mas também tenho espírito preserverante, e não vou deixar que ele consiga atingir-me mais. Hoje, Miguel é um nome a ser riscado da minha vida.

O Dia de Ontem

Foi um dia preenchido. Saí de casa às dez e voltei à uma da manhã. Nos quatro posts anteriores, está descrito o meu dia com o K. Quis escrever, não só para ter isto registado em algum lado, já que a minha memória é uma treta no que toca a alguns pormenores, mas também para partilhar com os leitores, com intuito de dar esperança. Eu era uma pessoa que sempre fora muito pessimista no que tocava ao amor. Sempre sonhei em encontrar a minha cara metade, mas sempre pensei que isso nunca passaria de um sonho. Mas acredito que eu, um otimista por natureza, conseguiu dar a volta no único assunto onde era capaz de ser um pessimista de primeira categoria, então, todos conseguirão encontrar, mais cedo ou mais tarde, aquele ou aquela que os fará felizes.

Depois de ter estado com o K., fui com o meu pai ao Karaoke. Eu e o meu pai cantámos juntos a Sweet Carolin, do Neil Daimond, e o meu pai cantou sozinho a Don't Stand So Close to Me, dos Police. Eu estava a escolher a música, e, de repente lembrei-me que, com tantos clássicos que ali encontrei, eu teria de reclamar se não encontrassem aquele épico hino dos lutadores, aquele meu tema preferido. Corri as linhas e finalmente encontrei.
- É esta! - Digo ao meu pai, apontando com o dedo a linha, sorrindo imenso.
- De certeza? - Pergunta, com uma mistura de surpresa e de confiança.
- Sim.
Pouco depois, eles vêm a minha inscrição. O senhor afasta a cabeça do papel surpreendido. Olha para mim. Eu sorrio, encolhendo-me.
- É esta? - Interroga com o microfone em frente à boca.
- Sim. - Respondo.
- Élá, esta é que é! Mas vais mesmo cantá-la ou é só à experiência?
- Vou mesmo cantar, acho eu... - Digo, tremendo.
- Então pronto, temos aqui o Ragdoll - Apresenta ele. - E ele vai cantar uma música mesmo... Grande. Ora vamos lá a ver.
Ponho-me no palco improvisado. Os homens ao balcão do café ficam curiosos e espreitam para o papel. Ficam de olhos abertos e olham para mim, encorajando-me.
- Olha, fecha os olhos e em três minutos isto passa! - Graceja um.
Eu sorrio, depois de ele me fazer um gesto de encorajamento. Enganam-se a pôr a música.
- Não me parece que seja esta... - Comenta o anfitrião.
- Pois, também não me parece que seja esta, não. - Respondo, já para o microfone.
Finalmente põe a música certa. Oiço os incentivos dos que assistiam. Já parecia no ecrã o título da música. Já todos sabiam qual eu ia cantar. E aqueles que não tinham visto o título, reconheceriam de certeza a batida, que eu já acompanhava a bater o pé. E canto finalmente a música, aquele épico hino dos lutadores como o Rocky. Eye of The Tiger, dos Survivor. Começo um pouco nervoso, mas após alguns incentivos, e de ecoarem na minha cabeça as palavras do K. "Vês, tu até sabes cantar!", liberto a voz para aquele refrão.
It's the eye of the tiger, it's the thrill of the fight, riing up, for the challenge of our rival, and the last known survivor stalks his prey in the night, and he's watching us all in the... E chega a nota mais alta, dou o meu melhor... eeeeeeeeeeeeeeye of the Tiger. O Anfitrião acena com a cabeça, mostrando que lhe agradou a performance. Lá continuo a cantar a música, atrapalhando-me numa parte onde já me esquecia da letra. Quando acabou, aplaudiram-me.
- Aplausos, que ele merece por ter estado aqui a cantar isto!
Enfim, foi um dia bem passado com os dois homens da minha vida: o meu pai e o meu namorado.

K. (Parte 4/4) - A Partida

Valido o bilhete. É o que marca o fim do dia prestes a chegar. O comboio está parado, de portas abertas, pronto para partir.
- Então aquele é o teu comboio... Temos de dar um daqueles abraços. - Diz ele, convidativo.
Eu aproximo-me dele, e envolvo-o com os meus braços. Com o queixo pousado no seu ombro, sinto ainda mais vontade de rebentar em lágrimas. Contenho-me, cerrando os olhos por momentos.
- E não chegámos a dar nenhum beijo... - Comenta. - Achas que devemos arriscar...?
- Por mim sim. - Respondo rindo.
- Credo, até parece mal falar disto assim, arriscar a dar um beijo...
Hesitamos um pouco, depois aproximo-me dele, ainda com uma mão no seu ombro. As nossas bocas tocam-se. Sinto-me na lua. O aroma da sua boca deixa-me louco. Uma onda de sentimentos inunda-me o ser. Receio, por estar a fazer aquilo mal; frustração, por não ter feito aquilo antes; prazer, por estar a beijar o meu namorado; carinho, por estar a demonstrar o amor que sinto por ele.
Depois do beijo, damos um abraço rápido.
- Tens de ir, ou ainda perdes o comboio. - Avisa.
- Está bem... amo-te. - Digo, com a voz mais trémula do que nunca, dos nervos, e da nostalgia.
- Eu também.
Quando entro no comboio, sinto os olhares das pessoas que tinham estado a espreitar pela janela. Olhares frios e calculistas. Mas já nada me importa. Na minha cabeça ainda flutua o sabor dos seus lábios. Lembro-me de algo que ele tinha escrito na carta. "Os deuses deram-me a provar a sua Ambrósia". E nunca aquela frase tinha feito mais sentido para mim. Sento-me no comboio, recordando os seus olhos verdes... Sinto-me sortudo, por ter um namorado com a cor de olhos que mais gosto. Sorrio com este pensamento, enquanto o vejo pela janela, a descer as escadas de telemóvel na mão. E na sua cara, estava aquele sorriso. Aquele sorriso que não me sai nunca da cabeça, aquele sorriso que me deixa atordoado sempre que vejo. Dou um salto ao ouvir o meu telemóvel tocar. "Argh, deve ser o Miguel, mas que será que ele quer agora?" penso, esperando que ele não estrague o momento. Afinal não é o Miguel. Quando vejo o nome do K. no mostrador, carrego apressado no botão verde.
- Estou!? - Digo.
- Estou. Olha eu avisei que não sabia dar beijos... - Comenta.
- Oh, eu também não sei, mas adorei. E sei que quero repetir. Amo-te.
- Sim, eu hei-de cá voltar outra vez. Mas agora vou desligar. Adeus. Beijos.
- Beijos. Adeus.
Encosto o telemóvel ao peito, sentindo o meu coração bater por ele. Por aquele rapaz. Pelo K.. Faço a viagem toda de cabeça encostada à janela, num estado entre o dormir e o estar acordado. Aquilo a que muitos chamam "sonhar acordado". De tal maneira que quase passo a estação onde tenho de fazer o transbordo. Chego a casa. O silêncio do prédio pesa-me. Queria estar a entrar ali com ele. Mas não posso. Encosto-me à parede, deslizando por ela abaixo, até ficar sentado no chão. Contenho as lágrimas de saudade que tanto lutam para sair pelos meus olhos. Ergo-me, e bato à porta. O meu irmão abre-ma e eu entro com um sorriso no rosto, como se tivesse sido uma saída normal com um amigo. Mas foi muito mais do que isso. Foi um dia passado com o meu namorado, um dos melhores dias da minha vida e um que me vai ficar para sempre na memória. Como o K. escreveu: "É o último dia do mês, mas o primeiro em que nos vemos". Para mim, não foi só o fim do mês, foi o fim de uma espera de anos por aquele que me fizesse pensar nele o dia inteiro.

K., amo-te como a Terra deve amar a Lua...

K. (Parte 3/4) - De Mãos Dadas

Quando chegamos à estação do Oriente, já sinto em mim o peso da partida. Falta tão pouco tempo... E ainda não tive a coragem de o abraçar, de lhe dar um beijo... Penso nisto enquanto andamos às voltas, à procura de lugar e dos horários dos comboios. Compro o meu bilhete e, finalmente, decidimo-nos a entrar numa daquelas "salas de espera" com paredes de vidro que estava mais ou menos vazia. Sentamo-nos no banco, ainda a conversar, mas já sentimos no ar a nostalgia. As pausas começam a ficar maiores. Não, não é por falta de motivo de conversa, é porque hesito, não sei o que fazer. Ele volta a fazer o comentário que tenho mãos de pianista, por ter as unhas curtas. Eu sorrio, dizendo que não tenho treino. Quando dou por mim, observo a sua mão, aberta, pousada em cima do seu joelho. Respiro fundo, o meu coração bate que nem um louco. É o agora ou nunca. Entrelaço os meus dedos nos seus, acariciando-lhe a mão, olhando para ele. Ele hesita durante um pouco, olhando para as nossas mãos dadas, e acaba por pousar a sua cabeça no meu ombro. Solta um suspiro, dizendo o meu nome. Sinto um arrepio de prazer percorrer-me a espinha e pouco a minha cabeça no seu cabelo. Faz-me lembrar uma daquelas mantas fofas de penas. E assim ficamos, a conversar. A dada altura, entra um grupo de três raparigas e um rapaz. Eu e o K. apercebemo-nos que no estão a observar. O rapaz tem o telemóvel a tocar a Telephone da Lady Gaga. O K. surpreende-me começando a cantar, olhando para elas, desafiando-as. Por esta altura, já estamos sentados direitos. Acabamos por nos sentir desconfortáveis com os mirones e ele pergunta-me se quero ir para outro sítio. Aceno afirmativamente, e saímos dali. Procuramos por mais algum tempo lugar, sem conseguirmos. Quando ficamos um pouco a olhar para a estação de autocarros, acabamos por descobrir um sítio com bancos, que estava praticamente vazio. Um dos bancos estava livre, e tinha vista sobre a estações dos autocarros. Sentamo-nos, e eu acabo por pousar a minha cabeça no seu ombro, entrelaçando de novo os meus dedos nos seus. Comento que não quero que o dia acabe. E ele diz algo que me faz derreter. Há uns dias, quando fui a Penacova, atravessei uma ponte de madeira sobre o Mondego. Comentei com o K. que gostava de estar lá com ele, sentado na beira da ponte, com as pernas suspensas sobre o rio, com a cabeça no seu ombro e o meu braço envolvendo-lhe a cintura.
- Olha, estás a ver lá ao fundo? - Comenta. - Aquilo é o Mondego, temos aqui a ponte de madeira.
Eu sorrio, olho para ele. Tenho vontade de o beijar mas, de novo, tenho medo ao mesmo tempo. Eu nunca tinha beijado ninguém até então. E se algo corria mal? Ficámos assim por algum tempo. Comecei a sentir a voz tremer de vez em quando, as lágrimas ameaçarem a cair. Estava tão perto de o ter tão longe de mim... Contenho-me e continuo a conversa com ele. Apercebo-me, pelo som e pelo reflexo no vidro À nossa frente que há um grupo de quatro jovens que se senta atrás de nós, a um canto, no chão. Rezo para que não sejam as mirones de antes. Mas acabo por não fazer caso e continuar a falar com ele. Finalmente, o meu relógio marca a hora prevista para o meu comboio. Hesitamos em levantar-nos, sem querer separar as nossas mãos. Eu levanto-me, ainda com os dedos entrelaçados nos seus. Ele levanta-se e solta-me para pegar na mala. Caminhamos, passando pelo grupo de jovens. O K. comenta que tinha receio que fossem as raparigas da "sala de espera". Eu sorrio com o comentário, e ele revela que já tinha tido vontade de me dar a mão, mas que tinha receio de eu não o querer.

K. (parte 2/4) - Troca de Cartas

Quando finalmente conseguimos dar a volta ao cercado que tinham posto para uma corrida que estavam a fazer, procurámos por acentos (ou bancos) que não estivessem molhados. O K. corrige-me quando faço comentário de que os bancos estão molhados. "Vamos o usar o termo mais adequado", diz, "os bancos estão encharcados.". Mas lá encontrámos um banquinho de madeira que estava seco. Ou relativamente seco. Dou-lhe aquele papel, escrito à mão, que ele tanto pediu. Era o post Ele é aquele que... com uma dedicatória simples. Mas ele gostou, isso é que importa. ele dá-me a dele, dizendo-me para eu ler quando nos formos embora. Tento resistir a olhar, enquanto dobro o papel e guardo na carteira. Depois disso conversamos sobre os nossos melhores amigos. Começa a chover, e acabamos por ter de nos retirar para dentro do centro comercial. Após termos encontrado um banco vazio, sentamo-nos, frente a frente. Ele acaba por não resistir e lê, de novo, o papel que lhe dei. Observo-o atentamente, soltando de vez em quando um sorriso, fazendo-me a mim sorrir. Aperto a boina nas minhas mãos, nervoso, temendo a sua reação. A minha letra, comparada com a dele, são rabiscos. Ele olha-me, os nossos olhares cruzam-se ele comenta que está a tentar conter-se para não chorar. Eu respondo que não é minha intenção fazê-lo chorar. Finalmente, ele dá-me autorização para eu ler a carta dele. Sinto-me dividido entre o meu desejo de ler o texto, e o meu desejo de seguir o pedido inicial dele de esperar. Mas o primeiro acaba por vencer. Leio atentamente a carta. Não consigo evitar sorrir. Ele pede-me para não chorar, eu apenas consigo responder que estou sem palavras e que ele tem muito jeito para escrever. Chego ao fim, ainda sem conseguir descrever o que sinto. Não dá para descrever o amor. Volto a dizer que estou sem palavras. Apetece-me encostar-me a ele, pousar a minha mão na sua perna, que estava tão próxima de mim. Mas o medo domina-me, e resumo-me a aproximar-me um pouco dele, e comentar que ele tem imenso jeito para escrever, e que essa tinha sido uma das razões que me tinham levado a começar a falar com ele. Aí sentados, conversamos sobre tudo: família, amigos, estudos... Finalmente, parece-me que já não chove. Mas apanho uma desilusão, quando chegamos à entrada, quando constato que afinal as nuvens ainda não acabaram de aliviar a sua carga. Damos uma volta pelo centro, procurando acentos, sem sucesso. Acabamos por entrar na Fnac e falamos um pouco sobre gostos musicais, cinematográficos e de livros. Acabo por comprar um para as minhas aulas de inglês (O Dracula, escrito em inglês) e compro um em francês para oferecer à minha mãe pelo dia da mãe. Depois disso, finalmente a chuva acalma e encontramos uns bancos livres e secos. Ele oferece-me bolachas para o lanche e um iogurte. As bolachas aceito, ou não fosse eu conhecido como monstro das bolachas, mas tento recusar o iogurte. Depois de ele insistir, acabo por aceitar agradecendo. Eu já tinha passado um bocado mal ao almoço, ao deixar cair bocados de salada do hambúrguer, mas aquilo foi o cúmulo. Eu estava calmamente a beber o iogurte, quando, de repente, verto aquilo para cima de mim. Só consigo rir, de vergonha, inclinando-me para a frente com o iogurte a escorrer-me pelo queixo. Ele comenta o quão desastrado sou, e oferece-me um lenço, como antes tinha comentado que andava sempre com pacotes de lenço na mochila. Depois de me limpar, conversamos um pouco mais, antes de a chuva nos obrigar a voltar lá para dentro. O K. sugere que eu guarde o saco dos livros dentro da sua mala, para não se molharem, e eu agradeço-lhe. Depois, damos umas voltas ao Vasco da Gama sem encontrarmos lugar onde nos sentarmos. Finalmente, optamos por nos dirigir à estação, uma vez que faltam pouco mais de duas horas para a partida. Foi a primeira vez que olhei para o relógio, e desejei que ele parasse de contar o tempo.

K. (parte 1/4) - Primeiros Momentos

São nove e meia da manhã. Ergo-me da cama, aflito, olhando para o despertador. Sim. Nove. Acordei a mais do que tempo. Fico mais meia hora na cama, para fazer tempo. Depois vou tomar o pequeno almoço, vestir-me, fazer um pouco de mais tempo. Dez e meia. Ora bem, é altura de fazer os últimos preparativos e zarpar para a estação de comboios. A mãe aconselha-me a trocar de comboio no Cacém. Apesar de preferir fazê-lo em Benfica, sigo o conselho dela. Constato aterrorizado, que não há comboios com destino a Alverca ou ao Oriente que passem por aquela estação. E tenho de esperar mais meia hora pelo próximo comboio com destina a Lisboa-Rossio, para poder trocar em Benfica. Enquanto amaldiçoo os conselhos da mãe, envio uma sms ao K., a avisá-lo do atraso. Fiquei com medo que ele pensasse mal de mim. Parvo que sou. Finalmente, lá apanhei o comboio, troquei em Benfica e finalmente fui para o Oriente. Duas estações antes de lá chegar, o meu coração já batia depressa, e recebo uma sms dele a dizer que já tinha chegado, que lhe desse um toque para ele depois me ligar quando eu chegasse. "bum-bum, bum-bum, bumbum, bubum" cada vez mais rápido... "Próxima paragem: Oriente" diz a voz mecânica da mulherzinha. Reconheço a estação. Já lá tive imensas vezes. Mas é a primeira vez que o K. lá está. Saio do comboio e ligo-lhe. Vou caminhando, e ele desliga e volta-me a ligar. "olá", cumprimenta aquela voz que eu nunca tinha ouvido, mas que já me prendia ao aparelho. Uma voz que transmite uma personalidade paciente, inteligente, cautelosa. "olá", respondo em pânico, "Já cá estou, mas tens de me dizer onde estás, eu já estou a descer". Ele diz que vê os logótipos de várias lojas, mas a chamada vai abaixo. Treta do ecrã tátil do meu telemóvel! Grr. Quando dou por mim, tenho um portão de ferro branco a barrar-me o caminho. "What the hell?", murmuro, "Obviously this is the wrong way...". Volto a subir as escadas e vejo então a indicação do sítio onde eu me tinha enfiado: "Saída de Emergência". Rio-me de mim mesmo, e do que os nervos me podem fazer. Lá encontro o caminho, comentando para mim mesmo como é irónico que o K. nunca tendo estado naquela estação, sabe melhor como lá andar do que eu. Finalmente, depois de ter recuperado a chamada, pergunto-lhe onde está. 
- Consigo ver o sinal da C&A, da Vobis... - Comenta.
- Ah sim, já sei, estás a ver o Vasco da Gama, eu também já o estou a ver. - Respondo.
- Já me estás a ver?
- Não, vejo o centro, mas não te vejo a ti... Deves estar perto de outra plataforma... Vejo as escadas para a rua, na entrada da estação. Olha, fazemos assim, procura pela entrada e desce as escadas.
- Sim, descemos ao nível da rua.
- Estou a descer.
- Ah, já te estou a  ver!
As suas palavras põe-me o coração aos pulos e os sentidos alerta. Eu não o vejo! Oh, espera. Sim, é ele. Um casaco preto, uma camisola verde e umas calças de ganga escura. Desço finalmente, desligando. Estávamos a descer cada um em frente ao lance de escadas que o outro descia. Mais tarde, comento que aquela até foi uma entrada poética. Ficamos assim, um em frente ao outro, por momentos em silêncio. Ele pergunta-e para onde vamos. 
- Talvez ao centro, que é onde há os restaurantes, tipo Mc, e assim. - Respondo.
Ragdoll, vá lá, faz qualquer coisa! Não sei, abraça-o ou assim! Mas e se ele não quiser isso já... é melhor... Bolas, as minhas pernas já me começaram a arrastar para a passadeira, que já conta os segundos até o sinal para os peões ficar vermelho. Finalmente, depois de lá chegarmos e termos feito o nosso pedido no McDonald's, sentamo-nos numa mesa. Eu gostava de ter ido lá para fora, já que é uma vista que dá gozo ver, mas as mesas estavam molhadas por causa da chuva.
- Que romântico, McDonald's! - Graceja ele, enquanto abre o invólucro da palhinha.
- Ao menos é comida, não?! - Respondo, sorrindo.
Conversamos um pouco, comentando o tempo, enquanto comemos. Ele faz menção ao facto de eu estar sempre a comer. Finalmente, levanto-me da mesa, sem ter acabado as minhas batatas.
- Então, tu comes tanto e não acabas as batatas?  - Pergunta, incrédulo.
- Eu posso comer muitas vezes ao dia, mas é pouco de cada vez. - Informo.
O K. pergunta-me se deixamos os tabuleiros em cima da mesa. Faço o comentário que, apesar de não gostar muito disso, sim, podemos deixá-los lá, que alguém os tirará. De seguida, interroga-me acerca do nosso próximo destino. Digo-lhe que gostaria de ir até perto to Tejo, que é um sitio giro para se passear. 

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Coisas que me dão cabo do juízo...

Ainda não voltei a falar com a Bia, mas falei com o J.T., que ficou surpreendido por lhe contar que ela e o namorado estavam com problemas. Ao que parece, como o J.T. é da turma deles, viu-os já bem um com o outro, agarradinhos como nada se tivesse passado. Isso dá-me nervos! como é que aquela rapariga consegue sofrer tanto por causa dele e, ainda assim, deixar que ele lhe dê a volta, que haja como se nada se tivesse passado! É por isso que ele não aprende a mudar para melhor, porque acha que pode fazer o que quer e bem lhe apetece com ela, que a Bia vai continuar a comer-lhe da mão. E o mesmo serve para ela, que não aprende de vez que o tipo lhe faz mais mal do que bem. Até agora eu fiquei calado, melhor, calado não fiquei, mas não me impus. Neste momento, é a única coisa que vou fazer. Não vou pedir-lhe para escolher entre a minha amizade e a relação que tem com o namorado (Vamos chamar-lhe B., que é o melhor.). No entanto, vou expressar de uma vez por todas o desagrado com que vejo a relação deles. Ela disse-me que só queria morrer! E no dia a seguir, já está tudo bem?! Isso, a meu ver, não é nada saudável! Apetece-me torcer o pescoço ao B.. Como costumo dizer: "Ele que se ponha manso, ou corto-lhe o ganso!". E fico frustrado ao ver que ela só vê nele o que quer ver. O problema é que o que ela quer ver não corresponde à realidade. Estou de rastos com isto.

O que me vale é que amanhã vou estar com o K.... Sempre vai dar para desanuviar um bocado... Ou muito, enfim x). Sobre o dia de amanhã, estou com uma ansiedade enorme! E como já referi, medo de não estar à altura das expetativas dele. Mas bom, ele já disse que são medos infundados. O tempo é que não está no seu melhor... Quem diria que ontem esteve um calor abrasador. Hoje esteve trovoada, chuva... Mas pronto, não há mesmo bela sem senão. Para ser sincero, no clima já não confio, com estas mudanças súbitas...

Ansioso e na expetativa do dia de amanhã.

Cheers! =D

Tic-Tac(-Toe)

Na minha cabeça soa-me o Tic Tac do relógio, contando os minutos para estar com ele. Faltam exatamente vinte e três horas e trinta e oito minutos (no momento em que escrevo isto). Quanto ao título do post... Agora, sempre que me lembro do tic-tac de um relógio, acrescento sempre o "-toe"... É o nome inglês para o jogo do galo ;)

Estou ao mesmo tempo ansioso e assustado que o dia de amanhã chegue. Mais ansioso do que assustado, para dizer a verdade, mas tenho medo de não estar à altura dele... Bom, à altura dele não vou estar de certeza, que ele tem mais dez centímetros que eu... Enfim... x) Mas o que quero dizer é que tenho receio de não corresponder às expetativas dele... Mas ele arriscou ao enviar-me o mail onde confessava o que sentia por mim, por isso, sinto-me bem em arriscar amanhã. Aliás, sinto-me muito bem... Tão elétrico que até a stôra de Inglês comentou que eu estava muito agitado. "Ragdoll, hoje tirou o dia para se portar mal, foi?!", disse ela, naquele seu tom de repreensão maternal que nos faz, ao mesmo tempo, encolher de medo e sorrir de agrado. Acho que o K. não se vai sentir um namorado lá muito orgulhoso quando ler isto, não é...? xD

Que mais aconteceu? Ontem a Bia teve uns problemas com o namorado. Só para verem como aquele tipo é execrável, quando ela precisava do apoio dele, por andarem a difamá-la sem fundamento, ele ainda lhe atirou coisas à cara que não eram verdade. Para além de ele dar mais valor às palavras dos outros do que às dela, ainda teve uma cena de ciúmes. Ela estava tão mal que disse algo que me deu pesadelos... Ela disse que só tinha era vontade de morrer. E esta noite, sonhei que estava com o K., no parque das nações, e estávamos a conversar quando me ligam. Era a minha mãe, a dizer-me que a Bia se tinha matado. Eu fiquei em estado de choque, e deixei cair o telemóvel. O K. aproximou-se de mim, preocupado a perguntar-me o que se tinha passado. Gaguejei-lhe o que tinha acontecido e atirei-me nos seus braços a chorar com a cabeça enterrada no seu peito. Acordei a chorar. Bah, há exatamente oito anos que não acordava de um pesadelo a chorar... E quando acordei, só queria sentir aquele abraço... Felizmente, a Bia está bem, graças a Deus... Voltei a adormecer pouco antes da hora de acordar, e assim que o fiz, mandei uma sms ao K...

Tenho de ir almoçar. Depois sou capaz de postar qualquer coisa sobre como correu o resto da tarde.

Cheers!! =D

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Pesadelos

O meu subconsciente prega-me umas partidas um bocado loucas, como já devem ter reparado. Mas há anos que isto não me acontecia... BOm, vejamos, o primeiro filme de ficção científica que vi, foi Signs, sobre E.T. Eu era novinho, e estava cheio de medo. No entanto, sempre adorei o assunto do sobrenatural, ficção científica, coisas desse género. E andava sempre a pedir aos meus pais para me deixarem ver filmes de terror, coisa que eles recusavam. Nesse dia, o meu ai mostrou-me porque é que não queria que eu visse aqueles filmes. A primeira cena onde se vê um E.T., é quando o Tio do rapazito vê umas imagens nas notícias de um vídeo amador. O homem estava dentro de um armário, a ver a TV. Eu corri para o meu quarto cheio de medo. O meu coração bombeava a adrenalina, e eu pensava "não quero ver mais, não quero ver mais!". Mas depois, percebi que gostava da sensação do medo puro, e voltei a caminhar lentamente para a sala. Andei o filme inteiro assim, a fugir para o quarto e a voltar. Isto acontece porque sou uma pessoa que se assusta com dificuldade, se bem que há raras vezes em que tenho a guarda em baixo e me assusto de forma ridícula, enfim... Mas é um facto que é raro eu sentir aquele medo que me dá adrenalina. Os filmes de terror, pareceram-me uma boa forma de atingir esse estado que tanto gosto e desgosto ao mesmo tempo. Mas nem todos os filmes de terror me proporcionam isso. E desde o Signs, que nenhum outro filme me tinha dado pesadelos. Isso foi até ver o Paranormal Activity. Muita gente pode dizer que o filme nem era nada de especial, mas nunca, nunca, se viu a entidade que assombra aquela casa, o que torna a pressão psicológica maior. Como poderia o espetador enfrentar algo que nunca viu? Tive pesadelos com a tal entidade, mas nada que me tivesse assustado muito. Acordei com o pensamento "ora bolas... estava a ter uma sessão cinematográfica gratuita e acabei a sair da sala antes de tempo...". Mas ontem, encontrei o trailer de um filme chamado Grave Encounters. Nunca vi o filme, apenas o trailer, mas as imagens que mostraram, deixaram-me ansioso por ver o filme. E sonhei com isso. Sonhei que estava num antigo hospital, escuro, com fantasmas a perseguirem-me, a tentarem matar-me. Uns olhos negros como o breu a espiarem-me nos recantos escuros. E lembro-me de pouca coisa. Vultos, apenas, mas há uma parte desse sonho que não me sai da mente. Lembro-me de estar numa sala vazia, apenas adornada por uma cama velha, deitada ao chão. Apercebo-me que está alguém lá por trás. Caminho de novo para a porta, mas depois, ele levanta-se e reconheço-o. Ele olha para mim, assustado, perguntando se sou real. Eu corro para ele, dizendo que sim. Era o K.. Depois senti movimento atrás de mim, e vejo uma mulher de cabelos negros, coberta de sangue, a caminhar para dentro da sala. Ela arrasta os pés, soltando grunhidos. Depois olha-me. Os tais olhos negros. E grita, saltando-me para cima. Eu desequilibro-me, batendo contra a janela que estava por trás de mim. Os vidros partem-se, mas consigo agarrar-me a tempo. A mulher tinha desaparecido. O K. ajuda-me novamente a subir para dentro da sala. Caminhamos depois pelo corredor, e, de repente, ele pára. Eu fico a observá-lo, para descobrir o que se passa. Ouço correntes a arrastar. Olho para trás. É o Pyramid Head, do Silent Hill. Ele agita a sua espada no ar, e atinge-me. Grito de dor, e oiço o K. a gritar o meu nome. Quando olho para o chão, vejo o meu braço ainda agarrado a parte do meu tronco. Começo a sentir-me a sufocar com o sangue que me enche os pulmões. O Pyramid Head volta a dar-me um golpe, desta vez do outro lado do meu corpo. Caio de joelhos no chão, tentando respirar, sem conseguir. E depois acordo com falta de ar. O sonho não deve ter durado mais de meia hora, porque era uma e meia, e eu adormecera por volta da uma. Mas como sempre, enfrentei aquilo com sentido de humor. A primeira frase que pensei foi: "Otário, ao menos corrias assim que viste o monstrengo, ficaste parado para quê? É normal que te tenha desfeito aos pedaços -.-". Voltei a adormecer, e desta vez sonhei que estava a andar de avião. Mas desse sonho, é a única coisa que me lembro.

Aconselho àqueles que são mais sensíveis a não assistir a este trailer.

Pyramid Head

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ansioso

É assim que ando. Ansioso, sem conseguir estar quieto um segundo que seja. Sei bem porque estou assim. Estou apenas a três dias do Dia-D. Estou elétrico. Literalmente. Quando hoje a Jú me tocou sem querer no braço apanhou um choque. xD
Ouço na minha cabeça o relógio a fazer "tic-tac". Mal me consegui concentrar nas aulas! Mas acho que isso também se deve ao facto de o dia estar abafado como o Sahara. Mas estou mesmo ansioso para que chegue o dia, que se aproxima rapidamente. O dia em que finalmente o poderei abraçar, poderei ouvir a sua voz, o dia em que finalmente lhe poderei dizer o quanto o amo. Aquele sorriso, aqueles olhos, enfim, aquele que ele é.
Provavelmente paralisarei por instinto. Apenas o observarei, testando a sua reação. Depois sim, conseguirei fazer as minhas pernas obedecer-me e caminhar na sua direção, envonlvê-lo naquele abraço especial e sentido que ele tanto merece por me fazer o rapaz mais feliz do planeta. Só um abraço, só um beijo, não chegarão, quase de certeza. Muitos mais darei sem dúvida. O que mais quero é caminhar lado a lado com ele, de mão dada, à beira do rio, admirar o quão bela a natureza se torna aquando da sua presença. Sim, eu já admirava aquele lugar. É o meu lugar preferido cá da zona. Mas, com ele presente, tornar-se-á um pequeno Universo que me atrai com a sua gravidade incontrolável. É com alguns receios que vivo a ansiedade de me sentir ainda melhor do que já sinto, se isso for possível. Fazes-me experimentar coisas novas que nunca sonhei sentir, ou pelo menos, não por outro rapaz. Mas é por ti que nutro esse sentimento de quatro letras, uma pequena palavra para descrever tamanho sentimento. Um nome como muitos outros destaca-se da multidão, faz o meu coração agitar-se, pedindo pelo calor do teu corpo num daqueles abraços por que tanto anseio. 
Dizer que te amo não parece suficiente para descrever literalmente o que sinto, mas é o melhor que consigo encontrar no dicionário.

Arriscar

Iniciei o dia com um exercício de matemática. Lindo. Estou mesmo a ver que vai ser dose, apesar de o período ser só mês e meio... Enfim.

Entre sonhos estranhos, acabei por não dormir muito... Mas ainda assim consegui descansar.

Lembrei-me de um momento ontem que me deixou um bocado nervoso, durante a tarde. Fui com a Jú ao Lidl, como sempre costumamos fazer no intervalo do lanche. A caminho de lá, a conversa recaiu sobre o namorado dela, o Tiago. Depois ela fez uma pergunta que me deixou um bocado aparvalhado. "Então e quando e que me apresentas a namorada?". E eu respondi, hesitante: "Namorada? Não te posso apresentar a minha namorada porque não tenho nenhuma...". Estive para acrescentar "Mas se quiseres que te apresente o meu namorado também é um bocado complicado...". No entanto, contive-me. Decidi que não contaria aos meus amigos da turma enquanto não estiver com o K. (Por acaso, faltam três dias... :P).

Gostava tanto de poder sem medos contar às pessoas, gritar ao mundo o que sinto. Mas isso não é possível, pelo simples facto de que eu e ele somos dois rapazes. Agravado um pouco pela distância, mas essa pode ser facilmente vencida nos dias de hoje. Sonho ainda com um tempo em que as pessoas se deixem de preconceitos infundados e inúteis, não só em relação aos homossexuais, mas a tudo no mundo. Por enquanto, para além de quem tenha vivido na pele o sofrimento causado por esses dogmas, pouca gente há que é compreensivo e tolerante em relação a estes assuntos. O pior, é que, por mais justa que uma pessoa possa ser, nunca saberemos realmente o que pensa, e resta-nos ter receio que as nossas expectativas possam não corresponder à verdade.

Mas eu sempre disse ao K., e a outras pessoas, tal como também disse a minha professora de Português: "Como tudo na vida, temos de correr riscos.". Se não arriscarmos, nunca saberemos. E cruzei-me com uma frase que também reflete isso: "Um barco pode estar seguro se ficar no porto, mas não foi para isso que ele foi construído.". Podemos sentir-nos seguros na nossa esfera pessoas, dentro de nós, mas se não dermos um passo em frente para fora dela, para conhecer os outros e as situações da vida, não saberemos o que nos espera.

Cheers!! =D

terça-feira, 26 de abril de 2011

Hoje falei com o Miguel. Não consigo entender pessoas como ele, apesar de tentar. Agora que conheci o amor, e que sei o quão bom é esse sentimento, apenas desejo que todos pudessem passar por ele. Incluindo o Miguel. Ontem, ele disse-me que tinha arranjado um namorado. Quando me falou nele, a primeira coisa que disse não foi o nome dele, não foi o quanto ele o fazia feliz. A primeira coisa que me disse sobre ele foi: "É rico e mora perto da praia, ganhei o totoloto *.*". Em contraste, quando lhe falei no K., a primeira coisa que disse foi: "Gosto de um rapaz, cujo nome é K., e ele faz-me sentir tão bem...". Comparei. Tirei conclusões. Mas mantive-me calado até certo ponto. Hoje confrontei-o. Perguntei-lhe se gostava do namorado dele. Ele diz que sim. Disse-lhe a que conclusões tinha chegado. Ele replicou que não andava atrás do namorado por causa do dinheiro. E depois acrescentou: " Desde que peno que sonho ser rico. O amor não paga as contas, nem viagens, nem nada.". Senti-me triste por ele pensar assim. E pareceu-me óbvio os motivos que o levavam a namorar com o pobre rapaz. Ao que ele me disse, respondi-lhe sinceramente: "o amor pode não pagar as contas, nem viagens, nem nada, mas é o amor que me traz a felicidade, o aconchego de um abraço quando preciso, os carinhos à lareira num dia de inverno. O dinheiro não te faz isso."

Surpreende-me a capacidade das pessoas de pensar desta forma. Claro, já me imaginei a ser rico, mas alcancei esse estatuto por mim mesmo, com luta. E depois, que me serviria ter dinheiro, se não é o que me faz feliz? São as pessoas que me fazem felizes, ou tristes. Tanto faz. O dinheiro? Apenas papeis coloridos e rochas da terra a que o homem deu valor para complicar a vida aos mais fracos. Apenas preciso do amor para me sentir feliz. Para ter aquele aconchego de um abraço especial quando preciso, de trocar carinhos à lareira num dia de Inverno. Para estar com o K.. Enfim, todo esse tipo de coisas que uns podem achar lamechas, mas que a mim faz o coração bater mais depressa.

O dinheiro não te compra isto...

Páscoa!

Fui passar o fim de semana a Penacova, perto de Coimbra. A casa onde fiquei tinha uma vista espetacular sobre o Rio Mondego e os campos verdejantes. Passei um óptimo fim-de-semana, no meio de amigos e de tradições seculares. Mas a internet fez-me falta, devo dizer, e não consegui resistir a tentar apanhar sinal com o meu telemóvel para responder às muitas cartas (leia-se e-mails a que eu e o K. fantasiosamente chamamos cartas) que o meu namorado me enviou. Enfim, o amor não conhece fronteiras.

Gostava de poder dar um relato detalhado do que se passou, mas a minha mente é um bocado... Estranha? Sim, eu não tenho muito boa memória a curto prazo, no entanto, sou óptimo a relembrar coisas que já aconteceram há muito tempo, algumas coisas que as pessoas tenham dito e caras. Reconheço as pessoas ao fim de imenso tempo mesmo que elas não me reconheçam a mim... Lembro-me de termos tirado fotos, de termos explorado um pouco o Rio, de termos ido ao miradouro, de termos ido ao ponto mais alto com vista fantástica (e tenho umas fotos minhas tiradas lá pelo meu pai que estão mesmo giras)... Fiz tanta coisa que tenho a mente toldada. Relembro-me dos melhores momentos de jogar Party & Co e ler e-mails no telemóvel às escuras, deitado no colchão de ar.

Às vezes releio o blogue e penso: "Credo, eu falo tanto no K., e de estar apaixonado por ele, que os leitores se devem fartar...". E peço desculpa por isso, mas é algo que não posso evitar. Eu criei o blogue para escrever sobre a minha vida, e neste momento, ele é uma grande parte da mina vida, como devem imaginar... Mas pronto.

Só para que saibam, estou vivo e de boa saúde, mas já cansado das aulas... E ainda agora começaram... Enfim. Agora tenho de ir almoçar e não vou ter tempo, mas quando chegar a casa, logo à tarde, tenho de ver os novos posts que há nos blogues que sigo. E já reparei que há imensas publicações novas... x)

Cheers! =D

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Fim de Semana fora

Yap, como já tinha dito, vou passar o fim de semana fora. Não sei se vou poder vir ao blogue, mas já agendeu mais três capítulos da história O Rapaz da Casa Amarela para serem publicados automaticamente, cada um num dia, às 10h e 30m.

Enfim, logo verei se posso vir ou não à net.

Cheers to you all, and a nice weekend! =D

P.S. I love you, K. ;)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Trocar cartas...

...mesmo que sejam electrónicas, tem sido uma experiência inimaginável...

Manias! x)

É sempre e invariavelmente assim! Quando cá vem alguém a casa, ou quando vamos passar férias a algum lado, a minha mãe têm a mania de arrumar a casa de uma ponta à outra. Como vamos passar o fim-de-semana fora e partimos amanhã, também hoje não foi exceção. Claro, eu e o meu irmão somos preguiçosos (aliás, eu em vês de me levantar um pouco para ir apanhar um papel que tinha caído no chão enquanto a minha mãe aspirava o quarto, agarrei na régua para o puxar mais para mim e consegui alcança-lo do meu lugar... É como diz o K.: a comer assim e a ficar sentado o dia todo, ainda fico um balofo! xD). Mas por acaso costumo ser eu a aspirar o quarto, só que hoje acabei por me esquecer (lembram-se daquele meu problema da distração? Pois... E ainda à pouco, fui fechar a janela e quando dei por mim estava a baixar os estores em vez disso -.-), e a minha mãe agarrou no aspirador e fez ela o serviço.

Ontem um amigo meu viu um dos meus desenhos de Pc. Ele é um artista genial, e adoro conversar com ele sobre isso, porque me ensina imensas coisas. Enfim, quem me dera ter um terço da metade de um quinto do talento dele... E ele aconselhou-me um programa chamado Manga Studio EX (e nisto, lembrei-me da dorkably-silva que também gosta de mangás, segundo o que sei... ;) ), que é um programa próprio para desenhar esse estilo de banda desenhada japonês. Agora que já tenho o programa, vou experimentá-lo e ver no que dá. No papel eu já me fartava de desenhar mangás (sabia desenhar o Rock Lee a Sakura, do Naruto... Sabia.), agora veremos o que consigo fazer neste programa ;)

Cheers! =D



Distraído...

Antes eu sempre fora uma pessoa que se distraía com facilidade quando aquilo em que se devia concentrar não lhe agradava. Mas agora ainda me torno mais distraído. Ora, peguei no meu telemóvel de manhã, mas quando dei por mim, já não o tinha na mão e não me lembrava onde o tinha posto. Procurei-o por todo o lado. Como não encontrei, decidi ir-me vestir enquanto pensava onde o poderia ter deixado. Conforme tiro a camisola do pijama e aponho na cama, ela cai, fazendo um estrondo ridículo. Eu fiquei especado a olhar para a peça de roupa, que não me parecia ser assim tão pesada. Foi então que me lembrei que tinha posto o telemóvel no bolso do pijama quando fora à casa-de-banho, pouco depois de ter agarrado no aparelho. Outra semelhante sucedeu-se pouco depois. No fim do pequeno almoço, fui comer uma pastilha (eu como imensas pastilhas...), e agora, precisamente antes de começar a escrever este post, reparei que já não tinha a pastilha na boca... Ainda não sei se a engoli sem querer, se a deitei no lixo... Não me lembro de nenhuma das duas situações ocorrerem, mas provavelmente pu-la no lixo...

Agora imaginem-me assim a tentar fazer exercícios de matemática... Troquei umas coisas, mas lá revi os meus apontamentos e reparei o que tinha feito mal. Enfim, que é que se há de fazer?

[Estou a olhar para a forma verbal do verbo haver no parágrafo anterior... "Há de" sempre se escreveu "há-de", mas agora com o novo acordo ortográfico isso já não é assim... gostava mais da forma com o hífen...]

Depois de acabar os exercícios pus-me a ouvir Hardstyle, novamente. Veio-mo à cabeça a imagem de uma discoteca... Ia ser lindo, eu a bombar na disco... Credo, um momento memorável de tão ridículo que seria.

O meu pai convidou-me para ir com ele no último fim-de-semana de Abril, depois de jantar, a uma sessão de Karaoke. Eu a-d-o-r-o karaoke *.* Eu adoro cantar, podemos começar por aí... É sempre uma fonte de diversão, ver as outras pessoas cantar. É por causa disso que nunca consigo resistir a jogar uma partida de Sing Star. Lembro-me que uma vez fomos a casa de um casal amigo da família e a música onde fiz o melhor score foi na música Bring Me To Life dos Evanescence. Eu estava a jogar com a nossa amiga... Ela ficou-se para trás porque não sabia bem a letra, mas pronto... Ainda por cima não admite a derrota, humpf! x) Mas é verdade que também me acontece isso, não conseguir cantar por não saber a letra. Mas logo de seguida, ao ouvir-me cantar sem o microfone, comentou que eu tinha uma voz bonita, mas que isso era uma característica difícil de notar nas pessoas durante o karaoke. Eu cá, odeio o som da minha voz... Gosto de cantar, mas odeio o som da minha voz, principalmente devido ao facto de não se equiparar à dos meus cantores preferidos (The Fray, Lifehouse e... bom, obviamente que a minha voz nem se compara à Amy Lee, a vocalista dos Evanescence). Mas cantar é algo que não consigo evitar fazer. Dá-me prazer fazê-lo, e continuarei a cantar até não ter voz.


Cheers! =D

Não me perguntem porquê...

Com os meus novos ténis, sinto-me uma estrela de rock. Com eles calçados, vanglorio-me pela casa, dançando e cantando ao som da música. Salto, finjo tocar guitarra, imagino-me com um microfone nas mãos. Salto da All in dos Lifehouse para a Who We Are, passando de seguida para a Teenage Dream. Canto animado: "You make me feel like I'm living a teenage dream, the way you turn me on, I can't sleep, let's run away and don't ever look back, don't ever look back.".  Quando chega a Firework, canto a plenos pulmões: " You just gotta ignite the light and let it shine, just own the night, like the Fourth of July, ‘cause baby, you're a firework come on show 'em what you're worth, make ‘em go, "Aah, aah, aah", as you shoot across the sky, baby, you're a firework come on let your colors burst, make ‘em go, "Aah, aah, aah", you're gonna leave them all in awe, awe, awe". Depois lembro-me que ter ténis não me faz uma estrela de Rock...

Que se dane, estou a viver o sonho da minha vida, deixem-me sonhar um pouco mais!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Precipitado? Talvez. Feliz? Como nunca.

Pediste-me para falarmos de outra coisa, para não corrermos o risco de deprimir.

Mas não consigo evitar pensar. Pensar em ti. Pensar em ti aqui. Pensar em ti aqui comigo. Dizes que sou bom com as palavras, mas sinto-as enrolarem-se na minha língua. Já nenhuma delas me faz sentido. Já nenhuma palavra faz sentido se não conjugada a pensar no teu nome. Era para mim um nome comum. O nome do meu pai. O nome de um colega meu. O nome do amigo do meu irmão. O nome de um amigo da família. O nome do filho desse amigo da família. Sim, todas essas personagens têm o mesmo nome que tu. E era para mim um nome como qualquer outro, até tu apareceres na minha vida. Até esse nome ser associado a ti, à tua personalidade, e, finalmente, ao teu sorriso que tanto resiste a sair da minha mente. Mas não, não quero que saia da minha mente, porque é o sorriso que mais gosto neste mundo, é o sorriso que mais vezes quero ver na minha vida.

E penso naquele abraço que tanto me prometes e que eu tanto desejo. Aquele abraço que, por certo, viria acompanhado, melhor, virá acompanhado de tantos outros. Sempre que me falas nisso, sinto o meu coração derreter, afundo-me na cadeira, fantasioso, desejoso, esperançoso.

Antes, eu afastava quem eu realmente era. Dizia que tinha de gostar de raparigas. Finalmente, deixei-me disso. Mas sempre me surgia a pergunta: Será que me apaixonaria por outro rapaz? E se sim, será que era possível que ele me retribuísse esse sentimento. Hoje sei a resposta a estas perguntas. Sei que é uma resposta afirmativa a ambas. Sei também que não queres pensar na distância que nos separa. Sei que também não o quero fazer. E pode parecer que estou a ser infantil, precipitado, sonhador. Talvez até seja. Mas não posso negar o que o meu Coração me diz, nem o que a minha cabeça confirma. É raro estes dois estarem em sintonia e isso deve significar algo. 

Não posso negar que estou apaixonado pelas coisas que conheço de ti - como o teu sorriso - e pelas coisas que não conheço, mas que estou ansioso por conhecer - como aquele abraço.

Não posso negar que estou apaixonado por ti, K..

O teu sorriso que não me sai da cabeça...

Dancing Till The World Ends

Okeeey... Eu sei que o post tem o título de uma música da Britney Spears, comecemos por aí... Não significa que eu aprecie esta cantora, só que essa frase transmite muito do que eu quero fazer neste momento. Agora que estão esclarecido, procedo à explicação do que é que me leva a usar palavras da Britney...

Não sei se são muito de ver Televisão, principalmente a RTP 2, mas aos Domingos (quer-me parecer, embora não tenha a certeza se é esse o dia...), passam dois filmes seguidos, numa rubrica chamada "Sessão Dupla". Pois esta noite tive uma sessão dupla. 

Começámos com Harry Potter e o Rapazinho Desaparecido, conto nunca antes visto e só em exibição numa mente de Ragdoll perto de si! Sonhei que eu era tal como o Harry Potter, e podia fazer feitiços (mas vejam bem o quão avançado eu estou em relação aos outros feiticeiros do mundo, porque eu consigo lançar feitiços com os dedos e sem precisar de dizer as palavras mágicas!). O melhor é que, depois de um feitiço ter um efeito imprevisível, eu viro-me para o velhote que vem comigo, que não sei de onde apareceu, e pergunto-lhe qual o efeito que o meu feitiço teve e ele mostrava um espelho, que apontava para a vítima enfeitiçada e assim lhe dizia os efeitos que a minha conjuração tinha sobre o meu adversário. Enfim, tudo isto para procurar por um rapazinho cujos pais estava desesperados para encontrar e me culpavam a mim por ele ter desaparecido, porque eu não sabia tomar conta dele (Isso é uma referência do meu subconsciente ao medo que eu tenha que isso aconteça sempre que tomo conta de crianças e a um episódio da minha vida familiar que se sucedeu, de os meus pais me culparem por não saber tomar conta do meu irmão.. Enfim, talvez conte iso melhor noutro post). Depois de procurar pelo rapazinho por um museu ao estilo Jurassic Park. Estou numa sala, e oiço uma voz num walkie-talkie dizer-me: ele está perto, segundo o GPS. Cristo! Que ridículo, se sou um feitiçeiro para que preciso de walkie-talkies para comunicar e GPS para me orientar? Enfim, sonhos parvos. Lá procurei pela sala, e comentei para quem tinha falado comigo que não encontrava o rapazinho. É então que vejo um elevador escondido, muito antigo. "Oh, ele está perto na horizontal... Mas não o encontro porque está longe na vertical.". Again, se o rapazinho tinha um receptor de GPS, o aparelho não devia indicar a que altura ele se encontrava? Bah, só para dificultar. E depois, aparecem o pai do Draco Malfoy e o Severus Snape. Eu escondo-me atrás de umas caixas e rastejo até chegar à sala onde estava o velhote que antes me seguia (que se parecia com o Moody Olho-Louco). Mas então aparece um duende, que está prestes a avisar os meus inimigos. Lancei-lhe um feitiço e ele calou-se. Ok, lá fui ter com o velhote. Ele guiou-me para uma sala e disse que tínhamos de beber a poção Polissuco para passarmos pelo Snape e pelo Malfoy sem que fossemos apanhados. Bebi a poção e depois acordei. Nunca soube se encontrei o miúdo que eu procurava...

Quando voltei a adormecer sonhei uma segunda vez. Desta vez o sonho fez um bocadinho de mais sentido... E bastante agradável, diga-se de passagem... Bom, eu estava em pé, na estação de comboios, de costas para a zona de embarque. Entretanto, o K. apareceu, e tocou-me no ombro. Eu virei-me e fiquei surpreso, escondendo os olhos por trás da pala da minha boina. Depois ele envolveu-me com os seus braços e ficámos assim durante uns momentos. A seguir, ele soltou-me, e ficou de frente para mim, olhando-me de alto abaixo. Sorriu e deu-me a mão. E assim ficámos a caminhar pela rua. Entretanto, chegámos a um pequeno local de lazer, com alguns bancos de jardim, mesas e cadeiras. Entrámos e eu comecei a contar-lhe sobre a primeira vez que eu tinha visto aquele sítio. Ele ouvia atentamente e quando me calei, fez-me uma caricia no braço. Eu sorri-lhe. Depois acordei. Não queria que o sonho acabasse... Mas o relógio já contava as horas e tive de me levantar, para não estar a dormir quando chegassem as visitas... Hoje um amigo meu vem cá. Já não falávamos há imenso tempo, por isso aproveitamos as férias... Mas queria mesmo que aquele sonho não acabasse... Queria que fosse mais do que um sonho... É uma esperança que tenho, de um dia estar com ele. "all I want now is to be with"... Tudo o que quero agora é estar contigo...

Tenho vontade de gritar ao mundo o que sinto.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Funhouse!

Os jantares da minha família, de vez em quando são meeeesmo hilariantes, apesar de tudo. Eu, o meu pai e o meu irmão comemos arroz com atum, mas a minha mãe preferiu comer queijo fresco acompanhado com banana às rodelas. O meu pai, que se senta ao lado dela, começou a tirar-lhe bocadinhos da banana. Quando finalmente acabam de comer, a minha mãe diz:
- Agora vais buscar outra, que é para castigo! É de eu comer muito, tiras-me a fruta.
- Eu agora dizia-te uma coisa... - Comenta o meu pai, no seu tom pervertido e olhando para a minha mãe de uma forma duvidosa.
Eu contive o meu comentário de "pai, por favor, estamos à mesa!". Ela levanta-se e vai buscar uma maçã.
- Então agora já não é uma banana? - Pergunta o meu pai porcamente. - Uma maçã... O fruto proibido, hun?
- Cala-te... É para cá não vires pôr as mãos!
E ela começa a partir e a descascar a maçã com garfo e faca. Eu olho para ela, fingindo escândalo e revolta. É que há uma pequena mania minha de não sujar as mãos. Eu odeio sujar as mão enquanto estou a comer. Não consigo comer frango com as mãos, tenho sempre de comer com garfo e faca.
- Mãe... - Rosno calmamente. - Nunca mais comentes "ai, que fino que tem de comer de garfo e faca" porque nunca vi ninguém partir e descascar uma maçã com garfo e faca! Até eu! Isso é com a mão, e nem se descasca, que a casca é o que faz melhor!
- Mas olha, tens de aprender!
- Não! - Queixa-se o meu irmão.
- A sério, é assim que se faz nos restaurantes chiques! - Argumenta ela, rindo-se.
- Oh, mãe, por favor, até parece que sou rico e fino para estar a fazer isso! - Digo
- Sabe-se lá o teu futuro! - Exclama.
E de facto, nem eu tenho a mania, passo a expressão, suficiente para fazer aquilo. Ainda se eu fosse fino e rico, tudo bem, mas agora, faço como o meu irmão: "não sou rico nem fino, e se vier a ser rico, não me vou armar em fino".
E assim percebo eu, de onde vem a minha perversidade e a minha mania de não sujar as mãos enquanto como. Não viriam do nada, não é? Quem sai aos seus...

Aparte

A propósito do meu post "Things Change" mudei o visual do Blogue, uma vez mais, desta vez para um template mais simples, mas ainda assim, como eu gosto. Fi-lo com o meu próprio, como diria o Camões, "engenho e arte", com as ferramentas de personificação de que o Blogger dispõe. Hope you like it.

Cheers! =D

Things change

Como diz a música Upside Down do Jack Johnson, com que muito me identifico: "I can feel the change in everything, and as the surface breaks reflections fade, but in some ways they remain the same." - Consigo sentir a mudança em tudo, e enquanto a superfície se altera os reflexos esbatem-se, mas de algumas formas mantém-se iguais. É isso mesmo, sinto a mudança em algumas coisas que, no entanto se mantém iguais de alguma forma. Há uns tempos eu sentia-me assim, com vontade para escrever e com muita inspiração, mas sem conseguir escrever nada! E isso devia-se ao facto de eu me sentir abatido, sozinho, não sabia como expressar esses sentimentos de forma fiel mas diferente do costume. Hoje, sinto-me assim, com vontade e inspiração para escrever, mas sem conseguir escrever nada, mas por razões completamente diferentes: estou a sentir muita coisa ao mesmo tempo e não sei por onde começar a exprimir-me. Desde que conheci o K., e desde que estes últimos acontecimentos com ele tiveram lugar, senti-me muito bem, aliás, já não me sentia assim tão bem há uns tempos. E ele faz-me sentir tantas coisas... Primeiro, feliz por ele sentir o mesmo, depois, com receio de que ele se farte de mim, ou que se sinta pressionado por algo que eu faça, enfim, com receio de cometer algum erro que me faça perdê-lo. Finalmente, sinto saudades dele, a falta dele aqui perto de mim. Mas isso, dependendo do rumo que a vida tomar, poderá ser algo que não se mantenha para sempre assim. Acima de tudo, também, tenho medo de perder o que tenho com ele, que isto não dê certo, porque o que mais quero neste mundo é que as coisas entre nós dêem certo. Ele é uma pessoa fantástica: tem sentido de humor, é simpático, preocupado, compreende-me... E não quero perder alguém como ele, porque sei que é raro encontrar gente assim. Mas tenho medo de me agarrar tanto a isto que temos que isso cause o seu afastamento. O mais estranho disto tudo é que apesar dos medos e receios que tenho, só me apetece aproveitar o momento, cantar a plenos pulmões, só penso na felicidade que ele me traz...

E como ele disse: "I can't help falling in love"


I want his special hug :3

Aparte

Lembram-se de eu ter dito que escrevia as histórias muito antes de as publicar, para ter uma margem para mudanças? Pois, o stock de capítulos está a ficar demasiado reduzido. tem acontecido tanta coisa no entretanto, que não tenho arranjado tempo para escrever. Tenho de aproveitar agora... Apesar de a minha fonte de inspiração estar de momento incontactável, ainda me sinto capaz de escrever imensoo >.< Só para quem estiver interessado em saber as razões por trás de uma possível demora nos próximos capítulos. :P

Temos escritor!

Bom, hoje estava a navegar aqui pelos blogues, quando vi que havia uma nova publicação num blogue que me chamou a atenção desde início. É um blogue do Fentustengerstein, onde ele escreve algumas histórias. Espero que ele não se importe, mas eu gostei tanto do blogue, e senti-me tão inspirado pela forma como ele escreve, que tive de falar sobre o assunto. Eu podia pedir-lhe permissão para divulgar o site, mas sejamos realistas, mesmo que ele não deixasse, eu não ia conseguir ficar sem partilhar este seu talento! xD [Sinto-me rebelde ao escrever isto *.* Loool]. E pronto, agora que já fiz publicidade, já não há nada a fazer. Enfim, aconselho vivamente a todos a ler os textos a autoria do Fentustengerstein, pois ele é de facto um escritor talentoso. E já agora aproveito a deixa para fazer publicidade ao outro blogue do mesmo autor, que também é um óptimo blog.

Termino o post com um pedido de desculpas ao Fentustengerstein por não o ter avisado disto, e espero que ele me perdoe por tal invasão de privacidade.. x)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Something I'm listening to

Esta é uma música dos Lifehouse que eu ouvi, e que retrata muito bem uma das formas como me sinto neste momento. A música é By Your Side. O primeiro verso tem um significado muito grande: "All I want now is to be with you". Nem mais nem menos o que quero. Estar contigo.


E esta música, que ele me mostrou, e que não em sai da cabeça e que também é linda x) : Break Me Out, dos The Rescues. Esta música foi incluída na banda sonora de Anatomia de Grey, no episódio 20 da quinta temporada.


Bia

Como já contei, anteontem, revelei à minha melhor amiga, Bia, que sou gay. Ela pareceu apoiar-me. Na sequência de uma conversa onde ela me perguntou se eu ia contar aos meus pais eu disse que para já ainda não, porque era algo para o que tinha de me preparar. E ela respondeu, transcrevo as suas palavras:
"Não é uma coisa que se conte do dia para a noite, e tens de ter a certeza das coisas. É como te digo, tu ainda és novo, podes apenas estar confuso, mas se achas que não, então eu apoio-te, obviamente. Não é por gostares de pessoas do mesmo sexo que tu, que vais ser menos do que os outros, porque não és. Para mim serás sempre o meu melhor amigo, gay, hetero, bi, whatever, o que intressa é o que és por dentro. Mas, tal como os hetero, tens de saber fazer as tuas escolhas e nao te deves inibir, porque tens direito a ser feliz e, se estar ao lado de um homem é o que te faz feliz, então força, nao te deves privar de nada, principalmente de seres feliz. E, sim, tens de ter a certeza de que as coisas com ele vao dar certo, porque é complicado, podes vir-te a arrepender e ninguém quer que isso aconteça. Pensa best, tens muito tempo, a tua vida ainda agora começou, e o que está em jogo é a tua felicidade, e é mesmo como te digo, NUNCA deixes que ninguém te diga o que deves fazer ou o que é melhor para ti. Isso cabe a cada um de nos decidir, e se tu te sentes melhor a ter um relacionamento com um homem, qual é o problema? Todos temos direito à felicidade e devemos lutar por ela. Não vais estar com uma mulher só porque fica bem na sociedade, não te deixo :c . Tens de escolher o que queres. E eu vou estar sempre aqui, e ninguém te vai recriminar por isso... estamos no século 21 -.- já ninguém liga a isso, até já se podem casar :b. E comigo podes sempre contar, OBVIAMENTE :P sou a tua best, para sempreeee +.+ e a mulher da tua vida ahaha. E fico muito feliz, e bastante lisonjeada por me teres confiado esta espécie de segredo :) ."

Passei a fase de estar confuso sobre mim mesmo. Mas agora tenho a certeza de quem sou. E tenho a certeza do que sinto por ele, e isso é uma das melhores coisas que já me aconteceu na vida. Este discurso da Bia tocou-me imenso. Infelizmente, ainda há gente que não pensa como ela. Mas fico feliz por saber que afinal sempre há pessoas neste mundo que usam a cabeça para pensar, e não para inventar desculpas para repudiar outras pessoas.

Cheers! =D (and special hugs... :3)



Ontem, quando me fui deitar, senti-me leve. Adormeci pouco depois. Tive um sonho parvo. Só sei disso, porque não me lembro do que sonhei, apenas sei que sonhei. Ainda me estou a a tentar lembrar, mas a única coisa que me vem à cabeça é uma série de imagens enevoadas e imperceptíveis. Por isso, acabei por desistir de tentar descobrir que sonho tive e levantei-me. Fiquei sentado na cama, com as pernas à chinês, como às vezes faço quando estou pensativo. Os meus olhos pousaram na secretária à minha frente. Bom, lá tinha eu de ir fazer o meu exercício de matemática diário. Pelo menos ontem fui capaz de fazer um de manhã e outro à tarde.

Foi um exercício bastante fácil, com produtos entre vectores e soma de vectores... Em fim, básico. Se todos fossem assim... Sei o que há de diferente. Sinto-me mais motivado a subir as notas. Quanto mais depressa me vir livre da escola, melhor! Fiz o exercício ao som de música Hardstyle. É um género de música dificil de explicar... Sei que é ao som deste género de música que se dança o Shuffle, uma dança que o J.T. me mostrou. Quando alguém dança isto, parece que esta a arrastar os pés pelo chão (daí o nome shuffle) a uma velocidade variável. Claro, é uma ilusão de óptica que requer muita prática para fazer efeito. Enfim, acho piada a isso.

Quando finalmente acabei o exercício, vim para o computador. Novos comentários aqui no blogue, por parte da KarenB, que me fez ter uma maratona matinal de resposta a comentários... Não gosto de deixar os comentários sem resposta... sinto-me como se a pessoa estivesse a tentar falar-me e eu estivesse a fazer ouvidos de mercador...

E depois fui ler o blogue dele. Escreveu sobre como se sentia, em resposta ao meu post "Ele é aquele que...". Disse-me que achava que não conseguia um texto à altura do meu. Eu afirmei que ele conseguia um ainda melhor. E eu estava certo x) Fiquei sem palavras para as suas frases. Apenas me conseguia sentir noutro mundo. Adorei, era o verbo que me veio à cabeça. Mas não faz justiça ao que achei daquele texto. Enfim, fiquei sem palavras, pela positiva.

E demorei imenso a escrever este post porque entretanto pus-me a fazer outras coisas. Lol. Estou numa altura em que divago facilmente das tarefas que estou a fazer... x)

Cheers!! =D (and special hugs :P)