domingo, 12 de junho de 2011

Repentino Pensamento Que me Surgiu ao Relembrar

Como é meu habito, fui para a sala e mudei o canal para o Discovery Channel. Estava a dar How it's Made (O Segredo das Coisas, em português). Nesse programa, iriam mostrar como se faziam, entre outras coisas, canetas. Não daquelas esferográficas descartáveis da Bic, mas canetas a sério, com o seu reservatório de tinta que pode ser cheio quando se gasta, com uma ponta aguçada de metal que faz efeitos icónicos no papel... Enfim, uma caneta das que sempre sonhei ter. Comentei isso com o pai, que assistia ao programa comigo. Ele prometeu-me que, quando recebesse o ordenado, me comprava uma caneta dessas.

Relembrar este episódio deu-me uma vontade imensa de pegar numa caneta esferográfica, e escrever no papel. Sim, eu escrevo imenso no computador. Mas deu-me vontade de escrever no papel. Deu-me vontade de voltar às minhas origens da escrita...

Foi esse pensamento repentino que me surgiu.

Voltar às origens

Relembrei como eu era antes, e no que sou agora. Sempre fui uma pessoa muito ponderada, cautelosa, reservada. Embalado pela melancolia dos desamores e das mágoas pelos outros causadas, sempre fui assim, uma sombra despercebida aos olhos de muitos, mas que estava sempre disposta a ajuda o mais próximo. A dada altura, e sinto-o agora, tornei-me algo... impulsivo? O próprio Miguel comentou: "A nossa relação é tão impulsiva... Mas eu gosto". E eu também. Adoro o sabor que me fica nos lábios ao deixar-me levar por aqueles impulsos do corpo, aqueles desejos que tocam o meramente carnal mas que não deixam de ser sentidos pela alma. Nunca eu me senti tão bem em deixar-me levar pela corrente, para onde quer que ela me leve, quem quer que seja que arraste comigo. Houve um qualquer ponto de viragem na minha vida que me fez querer aproveitar todos os segundos dessa chama que não se apaga, dessa labareda que me acaricia o âmago sempre que penso nele e que estou com ele, aquele calor do seu corpo contra a minha pele nua que me faz querê-lo irracionalmente.

Em que criatura me tornei? Em algo que o meu "eu" antigo desprezava, não, que o meu antigo eu temia. Mas apenas tinha medo do desconhecido. Foi aquele primeiro toque, aquele par de mãos nos meus ombros, aquele beijo sedento no pescoço, que me fez mudar completamente, que fez vir ao de cima o que eu sempre aprisionara nos recônditos mais profundos do meu ser, da minha essência. Na luta para ser perfeito aos olhos dos outros, esqueci-me de ser aquilo para que fui feito ser: Humano. O humano não procura infindavelmente não cometer erro algum. O humano comete erros, para aprender com eles e/ou cometê-los de novo. É a natureza humana, é a natureza do meu ser.

Cheguei à conclusão de que não me tornei uma criatura. Apenas me permiti a mim mesmo ser quem sou realmente, sentir o que sempre ansiei secretamente sentir. Aquilo que eu considerava o pecado contra mim mesmo. Mas o ser humano é assim, um ser pecaminoso, que busca pelo perdão em ícones, estátuas, seres invisíveis omnipotentes e omnipresentes, ou não o busca de todo e se resume a aceitar a sua natureza inevitável.

Naquele dia, ele estava com o seu corpo junto ao meu, olhou para a parede, para o crucifixo que lá tenho pendurado e comentou: "Oh, estamos a ser observados". Se há realmente um par de olhos a observar-me do alto, então, não deve estar neste momento a olhar com orgulho para mim, talvez com reprovação.

Mas eu sinto-me bem quando perco o controlo. Que mais posso fazer, senão aproveitar esse agri-doce sentimento que tanto me faz sentir vivo, o sentimento que eu sempre procurei e que, ao mesmo tempo, nunca me permiti a mim mesmo encontrar nessa prisão que tinha formado nas minhas profundezas?

E agora volto às origens, e começo a escrever também no papel. Mas só na escrita é que volto às origens. A evolução pela qual passei é irreversível.

Felizmente que é...

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