sexta-feira, 4 de março de 2011

Ai que me desfaleço!...

Foi assim que me senti durante boa parte do passeio pedestre que decorreu hoje...
Começando pelo início, fui com o J.T. e mais duas pessoas da minha turma, o rapaz que se costuma sentar ao pé de mim e um rapariga que entrou para a turma este ano. Ela, coitada, caiu logo no início... O passeio pedestre consistia em fazer uma caminhada de pouco mais de dez quilómetros, ao longo da cota, em terreno mais ou menos acidentado (leia-se com subidas quase verticais e descidas vertiginosas... que eu adorei, claro)... Isso foi apenas o começo. Havia uma altura em que faríamos uma paragem numa praia. Ok, até aí tudo bem. Pelo menos, tudo bem até as camisolas começarem a ser tiradas...
Era c'um cada pão que se despia na praia, que eu até tinha de trincar o lábio para me controlar. Olhei em volta, e tal, observando discretamente... Vi um ex-colega meu (que por acaso deve ter andado a treinar, que aqueles músculos parecem-me mais definidos do que o ano passado...), algumas outras pessoas que conhecia de vista lá da escola (e que ficam ainda melhores sem camisola do que com ela....). Bom, um campo de pecado carnal ali mesmo à minha frente.
Pouco depois, alguns grupos começam a formar-se para jogar voleibol, fazendo passes ou a jogar ao mata. Basicamente, neste passeio percebi porque é que eu gosto de rapazes (o.o parece-me estranho ao ler estas palavras... Mas são verdadeiras). Então, os meus dois amigos, o J.T e o meu colega começam a olhar para as raparigas, pouco depois de a minha colega ter ido ter com umas amigas dela. Eu lá disfarcei, olhando para elas, e dizendo se eram giras ou não. Sim, eu ainda consigo distinguir uma rapariga gira de uma rapariga não-tão-gira... De qualquer das formas, eles não pareceram desconfiar.
Mais tarde, já praticamente no final do passeio, fomos para um café. Lá, a conviver, olhei para  minha direita. Apercebi-me de um rapaz que me parecia familiar. Era alto, de cabelos castanhos escuros encaracolados. Os nossos olhares cruzaram-se e eu desviei o meu, um pouco desconfortável por ter sido apanhado. Continuai a observá-lo discretamente, para ver a sua reacção. Ele entretanto foi-se embora para o autocarro e o meu grupo foi pouco depois. Não o voltei a ver durante o passeio.
Entretanto, chegámos à escola e eu fui para casa. Fiquei um bocado à porta à espera, porque me tinha esquecido da chave. Quando ouvi alguém entrar no prédio ouvi atentamente. Parecia ser o meu irmão. Já o ia picar, por ter demorando imenso tempo e aproximei-me da porta do prédio. Quem vi, fez-me cair o coração aos pés. Acabara de descobrir porque é que o rapaz do cabelo encaracolado me parecia tão familiar: é o meu vizinho de cima. Eu travei e voltei a olhar para o telemóvel, fingindo estar ocupado com o aparelho. Ele passou por mim, sem dizer palavra, mas sei que me reconheceu, porque ficou a olhar para mim durante uns segundos, enquanto subia as escadas. Resta dizer que o mundo é pequeno e tem destes pequenos acidentes constrangedores...
Cheguei a casa, e tinha vontade de partilhar isto. Não sabia com quem. Um pequeno memorando, o rapaz que gostava de mim e disse já me ter esquecido, estava a mentir, porque tinha medo de perder a minha amizade por causa do que sentia por mim... Neste momento eu estou de pé atrás com ele, mas tem a ver com uma outra atitude que ele teve que não tinha nada a ver com esse assunto... De qualquer das formas, eu sentia uma vontade imensa de partilhar estes meus pensamentos, mas a única pessoa conhecida que sabe que eu sou gay pouco fala comigo, à minha melhor amiga não poderia contar isto... Acabei por escrever aqui, seguindo o conselho de um seguidor, o Francisco.

E assim termino o post.
Fiquem bem. :D

3 comentário(s):

Wolverine disse...

Que saudades tenho eu do tempo do liceu. Se pudesse voltar ao secundário... seria mais liberal e mais aventureiro. Agora que penso nisso, vejo que gastei demasiado tempo obcecado com as notas.

E quando menos se espera, temos surpresas como a tua. o que por vezes se revela ser algo bom. ou então a situação fica igual xD.

o meu spot virtual funciona como um amigo imaginário, a quem confio o que não posso contar a ninguém. tal como tu fazes aqui.
é terapêutico.
e por enquanto funciona, para mim.

Anónimo disse...

Fizeste bem em seguir o conselho desse Francisco, parece ser bom rapaz xD
A sério, escreve aqui que te faz bem e sabes que ninguém te vai “rejeitar” pelo que tu és.
Eu também sei o que é querer muito partilhar uma coisa e não ter ninguém para o fazer.

Fica bem

Unknown disse...

É, esse rapaz também me parece ser boa pessoa... xD Foi libertador poder deitar cá para fora o que aconteceu ontem, apesar de ter sido de uma forma um pouco diferente. Aproveitei a situação e a vontade de a partilhar e, como diria a minha stôra de matemática, decidi fazer uma "experimentinha" xD. Soube-me bem e sou capaz de repetir quando precisar.

Em resposta ao comentário do Fentustengerstein (credo, o nome é complicado lol), os tempos de secundário são bons, melhores do que eu pensei, por um lado. Por outro, é aqui que começamos a fazer as nossas escolhas que vão afectar o resto da vida. Isso pesa um pouco e é normal que nos queiramos preocupar com as notas. Mas não dês voltas na cama por causa do passado e aproveita o presente, que o futuro é incerto. E devo dizer que concordo contigo, quando afirmas que é terapêutico escrever sobre isto aqui no blog... E é mais barato que um psicólogo e menos preconceituoso que a grande maioria da sociedade :D xD

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