terça-feira, 1 de março de 2011

O Futuro

Com tanta coisa a passar-se na minha cabeça, tantas perguntas, tantos sentimentos contraditórios, não me apercebi da vida a passar-me à frente. Quando dou por mim, tenho à minha frente os impressos para me inscrever para os exames nacionais do meu curso... Eu pensei que a idade das escolhas já tinha passado, mas parece que me está a assolar de novo. Na altura, Biologia pareceu-me o Santo Graal dos cursos da minha escola. E não pensei nos outros que havia. Agora, sinto que pertenço a outro lado. E não sou o único que o digo. Quantas vezes, nos intervalos, ou mesmo nas aulas, estou eu a rabiscar no meu bloco de folhas brancas e alguém sugere: "já pensaste em ir para Artes?". Ao início, pensei e repensei, e cheguei à conclusão que depois de passar pelo curso de Artes, não sabia para onde ir. E depois descobri que o curso de Artes teria também a disciplina de História. Quando soube disso, o meu queixo caiu-me aos pés e o meu mundo parou, o tempo abrandou e deixei de ouvir o ruído que me rodeava. Não. Biologia não era o Santo Graal dos cursos da minha escola, porque me estragava a vida com a Matemática e a Química. Mas Artes e História... O meu sonho. Eu adoraria estar ligado a esse mundo. Mas, depois, acho que não me encontro à altura com os meus desenhos, apesar do que as pessoas dizem. Sempre fui muito perfecionista e duro comigo próprio, para compensar a amabilidade e paciência com que cuido dos que me rodeiam. Sim, porque se eu não souber julgar-me a mim próprio, acho que não tenho o direito de julgar os outros. Isto volta a fazer-me pensar no futuro. Tantos anos já me passaram pela frente, tantas pessoas, tantas histórias, tantas matérias... De todas elas, as que mais se destacaram foram as ciências, a História e as artes. E ter duas delas juntas, é um delírio para mim. Mas o que fazer? Não se trata só de mim. Há muita gente que depositou altas expectativas em mim. Mudar agora seria desapontar essa gente toda, nomeadamente, os meus pais, a minha família. Mas ás vezes penso, revoltado: "Caramba, Ragdoll, é o teu futuro, não é dos teus pais, que já construíram a maioria da sua vida, nem os teus avós, que já realizaram, ou não, os seus sonhos, nem os teus tios, que estão a viver bem as suas vidas, muito menos os teus primos ou o teu irmão, que são mais novos que tu e não conhecem tanto do mundo como tu! Acorda! É altura de decidir o teu futuro! O teu futuro". Mas que repercussões e consequências adviriam dessas decisões? Penso... E quanto mais penso, menos me decido...

Será que deva tentar, como dizem os ingleses, "a leap of faith" - um salto de fé, uma resolução repentina - sem pensar nos outros e, pelo menos uma vez, pensar apenas e somente em mim mesmo? Sinto-me egoísta ao escrever esta palavras... Não gosto de pensar apenas em mim. É-me inevitável pensar nos que me rodeiam.

Arte VS Ciência...

2 comentário(s):

Anónimo disse...

Perder um ano ou dois é tramado. É uma escolha muito difícil mas só tu podes decidir. Pensa bem no futuro, pensa em termos de saídas profissionais e aconselho-te a começar a ver que cursos há.

Compreendo o teu dilema, embora o meu não tenha sido em áreas tão diferentes, mas felizmente já passei essa decisão.

Unknown disse...

Pois, esta é uma das coisas que mais me tem enchido a cabeça. Eu nunca fui bom a tomar decisões, até porque tento agradar a todos e isso é impossível... Mas acho que por enquanto vou continuar e ver o que consigo fazer. De qualquer das maneiras, se decidisse ir para outra área, essa mudança só se poderia concretizar no início do próximo ano lectivo. Se conseguir ter notas para o que gostaria de seguir, avanço, se não, recomeço do zero noutra área em que tenho quase a certeza que me daria bem, tanto a nível de resultados escolares como a nível de profissão. Acho que por enquanto é o mais acertado a fazer.

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